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Grupo irá acompanhar processos criminais envolvendo indígenas de MS

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16 de novembro de 2018

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assessoria - ALMS

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Um grupo de trabalho interinstitucional irá acompanhar os processos criminais que envolvem indígenas em Mato Grosso do Sul. A decisão foi tomada na tarde desta quarta-feira (14) durante a audiência pública “Justiça Criminal e Detentos Indígenas em Mato Grosso do Sul”, proposta pelo deputado João Grandão (PT) e realizada no Plenário Nelito Câmara, na Assembleia Legislativa.

A necessidade de criação do grupo decorre dos diversos problemas relativos à acusação e à condenação de indígenas, conforme afirmaram participantes da reunião. Entre as consequências dessa situação, está a elevada taxa de encarceramento de índios das várias etnias do Estado, destacadamente a Guarani Kaiowá.

Números do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), citados pelo advogado Luiz Henrique Eloy Amado, que compôs a mesa de autoridades na audiência, mostram que o Estado tem 22.594 presos (até agosto deste ano, levantamento mais recente), o que corresponde à maior taxa de encarceramento do Brasil. São 834,6 pessoas privadas de liberdade por 100 mil habitantes. Essa taxa é quase oito vezes superior à da Bahia, de 106,05, a menor do País.

Esses dados globais se relacionam ao número de detentos indígenas, relativamente expressivo. Eloy Amado, que é membro do Núcleo de Defesa e Assessoria Jurídica Popular em Mato Grosso do Sul (Najup/MS), também informou, com base nas estatísticas da Agência de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), que há 273 indígenas presos no Estado (dados de setembro deste ano), dos quais 269 foram condenados pela Justiça Estadual  e quatro pela Federal. A maioria da população carcerária indígena é da região de Dourados, onde estão os Guarani Kaiowá.

De acordo com o advogado, as prisões, de modo geral, decorrem de processos caracterizados por violações de direitos fundamentais. Ele enfatizou a ausência de intérprete e de laudos antropológicos, problemas também observados por outros participantes da audiência. “Muitos indígenas são ouvidos na delegacia e em juízo sem terem noção do que está acontecendo, do que estão sendo acusados”, notou em referência às distâncias linguísticas e culturais entre índios e não-índios.

As questões apresentadas por Eloy Amado foram reforçadas por outros participantes. O procurador da República no município de Dourados, Marco Antonio Delfino, informou que a taxa de encarceramento de indígenas em Mato Grosso do Sul supera a dos Estados Unidos, país que tem (em números absolutos) a maior população carcerária do mundo.  

Ele também relacionou essa situação com as irregularidades processuais. “Não dá pra discutir prisão sem discutir processo”, notou. Além da ausência de intérprete e de laudo antropológico, o procurador destacou outro problema: em geral, somente o capitão (liderança indígena) é ouvido pelas autoridades policiais como testemunha de supostos crimes ocorridos nas aldeias.

“Do ponto de vista processual, isso é um absurdo! Deve-se buscar ouvir pessoas que realmente testemunharam os crimes e não quem ficou sabendo por terceiros da ocorrência”, comentou Delfino. Para ele, a prática de ouvir apenas o capitão é um “produto direto da ausência do policiamento nas comunidades indígenas”. “É fundamental que tenhamos alguma ação em relação às instruções processuais que envolvem indígenas”, cobrou. “Caso contrário, continuaremos tendo em Mato Grosso do Sul uma taxa de encarceramento americana”, finalizou.

Mesa e grupo interinstitucional

Além de Eloy Amado, Antônio Delfino e o deputado propositor, João Grandão, a mesa de autoridades foi composta pela defensora pública-chefe da União em Mato Grosso do Sul, Daniele de Souza Osório, e pela Irmã Adriane Oliveira, assessora jurídica do Conselho Missionário Indigenista (Cimi).

O grupo de trabalho será formado por representantes da Najup/MS, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Ministério Público Federal (MPF), Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS), Fundação Nacional do Índio (Funai), Advocacia-Geral da União (AGU), Cimi, entre outras entidades.

Entre as ações desse grupo, estão previstas o diálogo com o Tribunal de Justiça e Ministério Público, provocação do debate dessas questões nos ambientes universitários e realização de audiências públicas com a mesma temática em municípios onde se concentra a população carcerária indígena.

O deputado João Grandão avaliou como positivo e necessário o resultado do encontro e enfatizou a gravidade do problema dos processos criminais envolvendo indígenas em Mato Grosso do Sul. “Como foi discutido na audiência, há violações graves de direitos dos indígenas nesses processos”, reiterou, acrescentando que até mesmo o direito básico de saber do que está sendo acusado e condenado é negado aos indígenas.

Política

Prazo para tirar, transferir ou regularizar o título de eleitor termina nesta quarta-feira

Atendimento ocorre em cartórios eleitorais e on-line pelo sistema do TSE para quem já tem biometria cadastrada.

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Cidadãos de todo o país têm até esta quarta-feira (6) para obter o primeiro título de eleitor ou regularizar o documento junto à Justiça Eleitoral, sob risco de ficar impedidos de votar nas Eleições 2026, em outubro.

Como regularizar e onde solicitar

O serviço pode ser feito presencialmente nos cartórios eleitorais ou pela internet, por meio do sistema de autoatendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para quem já tem biometria cadastrada.

O prazo abrange alistamento eleitoral, transferência de domicílio eleitoral, revisão de dados cadastrais e regularização de outras pendências.

Cadastro eleitoral será fechado a partir de 7 de maio

De acordo com o artigo 91 da Lei nº 9.504/1997, nenhum requerimento de inscrição ou de transferência eleitoral pode ser recebido nos 150 dias anteriores à data da eleição.

Por esse motivo, a partir de 7 de maio, o cadastro eleitoral será fechado em todas as unidades da Justiça Eleitoral e no atendimento on-line, permanecendo assim até novembro de 2026.

Quem deve ficar atento ao prazo

Entre os grupos mencionados estão jovens que vão votar pela primeira vez, pessoas que mudaram de cidade e precisam transferir o título, eleitores com o documento cancelado ou com pendências na Justiça Eleitoral e quem precisa atualizar dados cadastrais.

Alerta do TSE sobre o fim do prazo

No encerramento da sessão de julgamentos desta terça-feira (5), a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, alertou para o fim do prazo e disse esperar que eleitores resolvam pendências relacionadas ao título.

Outros efeitos de ficar sem o título

Segundo o texto, além do impacto no voto, a ausência do título pode gerar dificuldade para obter passaporte ou carteira de identidade, tomar posse em cargos públicos ou se matricular em instituições de ensino públicas.

Eleições 2026

MS se aproxima de 2 milhões de eleitores e reforça peso no cenário das eleições de 2026

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Mato Grosso do Sul caminha para as Eleições Gerais de 2026 com um eleitorado expressivo. Dados da Justiça Eleitoral apontam que o estado conta com cerca de 1,97 milhão de pessoas aptas a votar, evidenciando a relevância da participação sul-mato-grossense no processo democrático nacional.

O perfil dos eleitores revela predominância feminina. As mulheres representam aproximadamente 53% do total, enquanto os homens somam cerca de 47%. Esse cenário acompanha uma tendência observada em diferentes regiões do país, onde o público feminino tem maior presença no cadastro eleitoral.

O crescimento do número de eleitores ao longo dos últimos anos reflete ações contínuas da própria Justiça Eleitoral, que tem investido em campanhas de conscientização, regularização de títulos e incentivo ao voto responsável.

Além dos números, o cenário reforça a importância do engajamento da população nas decisões políticas. A participação ativa dos eleitores é considerada um dos pilares fundamentais para o fortalecimento da democracia, especialmente em um período que antecede um novo ciclo eleitoral.

Com um contingente próximo de 2 milhões de votantes, Mato Grosso do Sul segue como peça importante no quadro eleitoral brasileiro, contribuindo diretamente para a definição dos rumos políticos do país.