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Orgulhos Coxinenses

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Jorge Antonio Gai: a história de um homem que faz da ética sua maior herança

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29 de maio de 2026

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Glenda Melo

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Há homens que atravessam o tempo apenas ocupando espaço. E há aqueles que, pela grandeza silenciosa de seus atos, transformam-se em referências morais, culturais e humanas para toda uma comunidade. Jorge Antônio Gai pertence a essa rara geração de homens cuja história não se resume aos próprios passos, mas se mistura à identidade de uma cidade inteira.


Sua trajetória não é feita apenas de processos, audiências ou tribunais. É construída sobre valores. Sobre dignidade. Sobre o peso da palavra dada. Sobre a honestidade que nunca se curva. Sobre o trabalho silencioso de quem constrói um legado sem precisar levantar a voz para ser reconhecido.
Ao longo de mais de quatro décadas dedicadas à advocacia, Jorge Gai consolida seu nome como um dos grandes pilares da história jurídica de Coxim e do norte de Mato Grosso do Sul. Não apenas pela competência técnica admirável, mas principalmente pela forma humana, ética e profundamente respeitosa com que escolhe exercer sua profissão.
Nascido em 14 de junho de 1950, na cidade de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, Jorge vem de uma família simples, numerosa e marcada pela perseverança. Filho de Vitelio Gai e Julieta Brondani Gai, cresce ao lado de nove irmãos em uma realidade onde o dinheiro era escasso, mas os ensinamentos eram imensos.
Seu pai, homem humilde e trabalhador, sustentava a família como taxista e costumava repetir aos filhos que a única herança verdadeira capaz de mudar destinos seria o estudo. Não havia patrimônio financeiro para deixar. Havia, porém, um legado muito maior: a convicção de que a educação era a mais poderosa riqueza que alguém poderia carregar pela vida.
E talvez nenhuma frase tenha atravessado tanto a existência de Jorge quanto essa.
Enquanto muitos adolescentes viviam os anos da juventude entre distrações e descobertas, Jorge aprendia cedo o significado da responsabilidade. Ainda jovem, divide a rotina entre o trabalho e os estudos. Frequenta o colegial pela manhã e trabalha à tarde em um escritório de contabilidade. Não conhece privilégios. Conhece esforço.



Cada conquista surge da disciplina.
Cada passo nasce da persistência.
Aos 18 anos, presta concurso para o Banco do Brasil um dos mais concorridos e respeitados do país naquela época. É aprovado entre os melhores colocados e assume suas funções em Palmeira das Missões, no Rio Grande do Sul. Para muitos, aquilo já significaria estabilidade suficiente para uma vida inteira. Mas Jorge carrega dentro de si algo maior: o desejo profundo de estudar Direito.
Em 1970 ingressa na recém-criada Faculdade de Direito de Cruz Alta. Trabalha, estuda, enfrenta dificuldades e segue em frente sem jamais abandonar o compromisso consigo mesmo e com os sonhos que carrega desde a juventude. Os primeiros anos da faculdade acontecem em meio a jornadas cansativas, deslocamentos e rotinas intensas. Ainda assim, permanece firme.


Quando finalmente recebe o diploma de advogado, aquele momento ultrapassa a realização individual. Torna-se um símbolo familiar. Mais tarde, Jorge descobriria que o maior sonho de seu pai era justamente ver um filho formado em Direito.
Talvez por isso sua formação tenha um significado tão profundo.
Não se tratava apenas de uma profissão.
Tratava-se da concretização de uma esperança construída dentro de uma família simples que acreditava no poder transformador da educação.
O destino então conduz Jorge até Mato Grosso do Sul.



No ano de 1975, transferido pelo Banco do Brasil, Jorge chega inicialmente à cidade de Rio Verde. Era um tempo de novos horizontes, de recomeços e de construção de sonhos. Foi também naquele mesmo ano que a vida lhe reservou outro encontro definitivo: Maria Lúcia Guerra Gai.
Os dois começaram a namorar em julho de 1975, iniciando uma história de amor que atravessaria décadas e se tornaria um dos alicerces mais importantes de sua vida. Embora trabalhasse em Rio Verde pelo Banco do Brasil, o escritório de advocacia de Jorge já funcionava em Coxim, cidade que começava a ocupar espaço definitivo em sua trajetória.
Em 1976, Jorge consegue a transferência do Banco do Brasil para Coxim. E é ali, definitivamente, que sua história passa a se confundir com a própria história da cidade.
Ao chegar em Coxim, Jorge divide a rotina entre o banco e a advocacia. Pela manhã cumpre suas atividades na instituição financeira. À tarde mergulha nos corredores do fórum, nas audiências, nos processos e nas causas humanas que passam a definir sua caminhada.
E é ali que sua história ganha raízes profundas


Os anos 70 e 80 são marcados por intensos conflitos fundiários no então jovem Mato Grosso do Sul. As disputas por posse e domínio de terras movimentam os tribunais e exigem advogados preparados para lidar não apenas com questões jurídicas complexas, mas também com dramas humanos, tensões sociais e interesses poderosos.
Jorge enfrenta esse período com firmeza, equilíbrio e ética
Sua atuação rapidamente conquista respeito. Não apenas pelo conhecimento jurídico, mas pela serenidade de suas posições, pela responsabilidade com que trata cada cliente e pela absoluta honestidade que se torna marca permanente de sua trajetória.
Ao longo do tempo, seu nome deixa de ser apenas o de um advogado competente. Passa a representar confiança.
E confiança talvez seja o patrimônio mais raro que um homem pode construir.
No dia 12 de fevereiro de 1977, Jorge e Maria Lúcia oficializam a união construída sobre amor, companheirismo e respeito mútuo. O casamento transforma-se em um dos pilares de sua existência. São quase cinco décadas caminhando lado a lado, compartilhando sonhos, desafios, conquistas e valores.
Dessa união nascem os filhos Johnny Guerra Gai, Rômulo Guerra Gai, Luciano Guerra Gai e Larissa Guerra Gai. Mais tarde, a família amplia ainda mais seus laços de amor com a chegada da filha adotiva Lucicleide Leite Sobreira Giglio, acolhida com o mesmo carinho, proteção e dedicação que sempre marcaram a essência da família Gai.
A vocação para o Direito atravessa gerações. Johnny, Rômulo e Luciano seguem os passos do pai na advocacia, compartilhando não apenas o exercício profissional, mas os princípios éticos que fazem de Jorge uma referência humana e jurídica.
Seu escritório transforma-se não apenas em ambiente profissional, mas em continuidade de uma história familiar construída sobre honestidade, responsabilidade e respeito às pessoas.



Mas talvez uma das maiores riquezas da vida de Jorge esteja nos momentos em que deixa os processos de lado para assumir o papel que mais lhe emociona: o de avô.
Os netos David Roger Alves Guerra Gai, Athena Andrade Brondani Gai, Melissa Gai Cunha Pereira, Danielle Vitória Silva Gai e Agatha Camargo Gai representam a continuidade de uma árvore familiar cultivada com amor, firmeza e valores sólidos.
É neles que Jorge vê o futuro.
É neles que permanece vivo o ensinamento recebido ainda na infância por seu pai: o conhecimento, a dignidade e a honestidade são patrimônios eternos.
Em 1983, outro capítulo importante marca sua trajetória profissional. Jorge assume a Assessoria Jurídica do Banco do Brasil, consolidando ainda mais o respeito conquistado ao longo dos anos tanto na advocacia quanto dentro da instituição bancária.
No mesmo período, ajuda a escrever uma das páginas mais importantes da história da advocacia regional. Participa diretamente da criação da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Coxim, tornando-se seu primeiro presidente. Naquele período, todos os profissionais da região ainda dependiam administrativamente da Capital.
A criação da Subseção representa independência institucional, fortalecimento jurídico e reconhecimento para toda a advocacia do norte do Estado.
Mais uma vez, Jorge demonstra aquilo que sempre norteia sua vida: pensar coletivamente.
Seu trabalho nunca se limita aos interesses pessoais. Ele compreende a advocacia como instrumento social, como missão pública e como ferramenta indispensável para a construção da justiça.


Os anos passam.
O mundo muda.
A tecnologia transforma profissões, rotinas e relações humanas.
Jorge acompanha todas essas mudanças sem jamais perder sua essência.
Vê as antigas máquinas de escrever desaparecerem diante dos computadores. Assiste aos processos físicos se tornarem digitais. Adapta-se às transformações tecnológicas, jurídicas e sociais. Mas permanece fiel àquilo que considera inegociável: ética, honestidade e autenticidade.
Enquanto muitos buscam soluções rápidas, ele insiste na construção sólida.
Enquanto o imediatismo domina o mundo moderno, Jorge segue acreditando no valor da reputação construída ao longo da vida.
E talvez seja justamente isso que torna sua trajetória tão admirável.
Porque ela prova que ainda é possível vencer sem abandonar princípios.
Ao falar sobre advocacia, Jorge costuma dizer que advogar é ciência, arte e abnegação. E talvez poucas frases consigam defini-lo tão bem.
Porque sua atuação jamais se resume à interpretação fria das leis. Existe sensibilidade em sua forma de enxergar o Direito. Existe humanidade em sua maneira de compreender conflitos. Existe prudência em suas palavras.


Ao orientar jovens advogados, insiste sempre no mesmo ensinamento: nenhum sucesso profissional vale a perda da honestidade.
Para ele, reputação não se conquista da noite para o dia. É construída lentamente, através do trabalho sério, da lealdade aos clientes, da ética profissional e da coragem de agir corretamente mesmo diante das dificuldades.
E é exatamente por nunca abrir mão desses valores que Jorge Antônio Gai se transforma em uma das figuras mais respeitadas da advocacia sul-mato-grossense.
Hoje, sua história ultrapassa os limites dos tribunais.
Ela pertence também à memória afetiva de Coxim.
Pertence aos corredores do fórum onde constrói amizades ao longo de décadas.
Pertence às famílias que encontram em seu trabalho amparo e orientação.
Pertence às gerações de advogados que enxergam em sua trajetória um exemplo raro de integridade.
Coxim aprende, ao longo do tempo, a admirar não apenas o advogado Jorge Gai, mas o homem Jorge Gai.


O homem de fala serena.
De postura firme.
De princípios sólidos.
De humildade intacta apesar de todas as conquistas.
Em tempos em que o mundo parece cada vez mais apressado, superficial e imediatista, Jorge representa a permanência de valores que nunca deveriam envelhecer.
Representa a dignidade.
Representa o compromisso.
Representa a honra.
E talvez seja justamente por isso que sua história emociona tanto.
Porque homens como Jorge Antônio Gai lembram à sociedade que o verdadeiro sucesso não está apenas nos títulos acumulados, nas homenagens recebidas ou no reconhecimento profissional.


O verdadeiro sucesso está na capacidade de atravessar o tempo sem perder a essência.
E Jorge Gai faz exatamente isso.
Constrói diariamente, através de sua vida e de sua trajetória, um legado que ultrapassa o Direito e alcança algo muito maior:
o respeito humano.
Um legado que permanece vivo em cada pessoa que aprende com sua caminhada.
Em cada jovem advogado que encontra inspiração em seus ensinamentos.
Em cada cidadão que reconhece nele um exemplo raro de honestidade e caráter.
Porque algumas pessoas não se tornam admiráveis apenas pelo que conquistam.
Tornam-se admiráveis pela forma como escolhem viver.
 

Orgulhos Coxinenses

Jeferson Arruda: o homem que fez do tatame um caminho para transformar vidas em Coxim

"Há pessoas que passam pelo mundo deixando pegadas. Outras deixam monumentos. Mas existem aquelas raras que escolhem construir seres humanos. O professor Jeferson Arruda pertence a essa...

Jeferson Arruda: o homem que fez do tatame um caminho para transformar vidas em Coxim

24 de julho de 2026

Jeferson Arruda: o homem que fez do tatame um caminho para transformar vidas em Coxim

 

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"Há pessoas que passam pelo mundo deixando pegadas. Outras deixam monumentos. Mas existem aquelas raras que escolhem construir seres humanos. O professor Jeferson Arruda pertence a essa última categoria." Há homens cuja história pode ser contada pelas datas registradas em documentos. Outros podem ser lembrados pelos títulos conquistados, pelas medalhas erguidas ou pelos troféus acumulados ao longo da vida. Mas existe um tipo de homem cuja verdadeira biografia não cabe em papéis. Ela está escrita na memória de uma cidade inteira. A história de Jeferson Arruda da Silva não começa em um tatame, tão pouco começa em uma competição. Ela começa muito antes, no dia 28 de junho de 1974, em Campo Grande, quando nasceu aquele que, décadas depois, seria reconhecido como um dos maiores formadores de atletas e cidadãos da história de Coxim.  

Filho de Adjalmo Arruda da Silva e Nadir Teodoro da Silva, cresceu cercado pelos valores simples que moldam grandes homens: respeito, trabalho, honestidade e perseverança. Ao lado dos irmãos Genifer Arruda, Tutankamon e Carol, aprendeu desde cedo que o caráter vale muito mais do que qualquer vitória. Talvez ninguém pudesse imaginar que aquele menino levaria consigo uma missão silenciosa: dedicar a própria existência para transformar a vida de milhares de outras pessoas.  

O chamado das artes marciais exige vocação, e  se transforma em propósito de vida. Foi nas artes marciais que Jeferson encontrou esse propósito. Há 33 anos, iniciou uma caminhada que ultrapassaria qualquer expectativa. O que começou como paixão pelo Judô, pelo Jiu-Jítsu e pela Defesa Pessoal Militar e Civil rapidamente se transformou em um compromisso permanente com a formação humana. Enquanto muitos enxergam as artes marciais como esporte ou defesa, Jeferson sempre enxergou algo maior. Para ele, um tatame nunca foi apenas um lugar de luta. Foi uma sala de aula. Um templo de disciplina. Um refúgio para crianças. Uma segunda casa para adolescentes. Um caminho capaz de mudar destinos.  

Quando ensinar tornou-se missão Em 1995, decidiu que havia chegado o momento de transmitir tudo aquilo que aprendera. Nascia ali muito mais que um professor. Nascia um mestre. Desde então, praticamente todos os dias de sua vida foram dedicados ao mesmo objetivo: ensinar. Ensinar golpes. Ensinar equilíbrio. Ensinar coragem. Ensinar respeito. Ensinar que perder também faz parte da vitória. Ao longo das décadas, milhares de crianças passaram pelo tatame. Algumas chegaram tímidas. Outras carregavam dificuldades familiares. Havia quem enfrentasse problemas financeiros. Quem buscasse disciplina. Quem apenas procurasse um lugar para pertencer. Jeferson recebeu todas da mesma maneira. Com firmeza. Com paciência. Com dedicação. Porque compreendia algo que poucos professores conseguem enxergar: Antes de formar campeões, era preciso formar seres humanos.  

Coxim encontrou um mestre Foi em Coxim que essa missão ganhou proporções extraordinárias. A cidade não recebeu apenas um professor de artes marciais. Recebeu alguém disposto a investir sua própria vida nas pessoas. Segundo estimativas de antigos alunos, somente em Coxim, entre academia e projetos sociais, aproximadamente cinco mil pessoas passaram por seus ensinamentos. Quando se somam os alunos formados em Sonora, Pedro Gomes, Alcinópolis, Figueirão e Rio Verde de Mato Grosso, esse número praticamente dobra. É impossível calcular quantas histórias foram modificadas. Porque nem toda transformação termina em medalha. Algumas terminam em um diploma. Outras em um emprego. Outras em um pai de família. 

Outras em um jovem que escolheu estudar em vez de seguir caminhos errados. Essas vitórias nunca aparecem nos jornais. Mas talvez sejam as maiores. O esporte que levou Coxim ao Brasil e ao mundo Pouco a pouco, os resultados começaram a aparecer. Vieram campeonatos estaduais. Vieram competições nacionais. Vieram convocações. Vieram títulos. Vieram medalhas. Vieram sonhos realizados. Seus alunos passaram a representar Coxim em eventos de enorme importância. As conquistas atravessaram fronteiras.  

Houve atletas campeões na Argentina. Vieram quatro participações em Campeonatos Mundiais organizados pela CBJJE, em São Paulo. Vieram os Campeonatos Brasileiros realizados em: - Mariana (MG) – 2018 - Uberaba (MG) – 2019 - Ribeirão das Neves (MG) – 2022 e 2024 - Recife (PE) – 2023- Vitória (ES) – 2025. Cada medalha conquistada carregava muito mais que talento. Carregava incontáveis horas de treino. Sacrifícios. Viagens. Superação. E, principalmente, a dedicação de um mestre que acreditava em seus alunos antes mesmo que eles acreditassem em si próprios.  

A maior felicidade nunca foi a própria vitória quando perguntam a Jeferson quais foram seus momentos mais felizes, ele não fala de conquistas pessoais. Não cita troféus próprios. Não fala de reconhecimento. Ele lembra dos alunos. Lembra dos campeões. Lembra das medalhas conquistadas por eles. Porque um verdadeiro mestre mede sua grandeza pelas vitórias dos seus discípulos. Cada criança que sobe ao pódio é uma conquista compartilhada.  

Cada faixa conquistada representa anos de dedicação invisível. Cada abraço após uma competição resume uma história inteira. As dores que ninguém via, mas nem toda história é feita apenas de vitórias. Existem cicatrizes que permanecem silenciosas. Entre as maiores tristezas de sua caminhada está uma realidade conhecida por quem trabalha com esporte no interior do Brasil.  

Diversas vezes classificou atletas para grandes competições. Jovens que haviam treinado durante meses. Que conquistaram a vaga. Que mereciam representar Coxim. Mas não puderam viajar. Faltou apoio. Faltaram recursos. Faltaram oportunidades. É uma dor difícil de explicar. Porque nenhum professor gosta de ver um sonho interrompido por motivos financeiros. Ainda assim, nunca desistiu. No dia seguinte, voltava ao tatame. Recomeçava. Treinava novamente. Incentivava outro aluno. E seguia acreditando. 

Muito além das medalhas talvez o maior legado de Jeferson Arruda jamais possa ser contado pelos números. Nem pelas medalhas. Nem pelos campeonatos. Seu verdadeiro patrimônio são as pessoas. São milhares de ex-alunos espalhados por Coxim e por diversas cidades. Homens e mulheres que hoje trabalham, estudam, criam seus filhos e levam consigo valores aprendidos durante os treinos. Eles talvez não se recordem de cada golpe ensinado.  

Mas jamais esquecerão das palavras. Da disciplina. Do respeito. Da humildade. Da coragem. Porque quem aprende uma arte marcial com um verdadeiro mestre aprende muito mais do que lutar. Aprende a viver. Um legado que pertence à cidade Poucos profissionais conseguem dedicar mais de três décadas à mesma missão. Menos ainda conseguem manter viva a mesma paixão depois de tantos anos. Jeferson conseguiu. Seu nome tornou-se parte da história esportiva de Coxim.  

Sua trajetória se confunde com a evolução das artes marciais no município. Cada faixa preta formada. Cada campeão revelado. Cada criança salva do caminho da violência. Cada jovem incentivado a acreditar em si mesmo. Tudo isso faz parte de uma construção silenciosa iniciada há muitos anos e que continua sendo escrita diariamente.  

A gratidão de uma cidade As cidades costumam homenagear seus grandes homens com placas, medalhas ou títulos. Mas existem homenagens maiores. São aquelas que aparecem quando um ex-aluno reencontra seu professor anos depois. Quando um pai matricula o filho porque um dia também foi seu aluno. Quando um campeão aponta para o mestre antes de subir ao pódio.  

Quando uma família agradece porque encontrou no esporte um caminho de esperança. Essa talvez seja a maior recompensa de Jeferson Arruda. Ser lembrado não apenas como professor. Nem apenas como treinador. Mas como alguém que acreditou em milhares de crianças antes que o mundo acreditasse nelas. Hoje, sua história pertence muito mais a Coxim do que a ele próprio.  

Porque homens passam. Medalhas envelhecem. Faixas se desgastam. Troféus acumulam poeira. Mas o bem plantado no coração das pessoas permanece vivo por gerações. E enquanto existir um único aluno carregando consigo os valores aprendidos em seu tatame, o legado de Jeferson Arruda da Silva continuará sendo escrito. Não apenas na história do esporte. Mas, principalmente, na história de uma cidade que encontrou em um mestre muito mais do que um professor. Encontrou um verdadeiro construtor de vidas.  

E talvez seja exatamente essa a definição mais bonita para sua trajetória: Há campeões que vencem lutas. Há mestres que vencem o tempo. Jeferson Arruda venceu ambos, porque transformou sua própria vida em uma vitória compartilhada por milhares de outras pessoas

Orgulhos Coxinenses

Alcides Neves Filho: o mestre que ensinou muito além do esporte e marcou gerações em Coxim

Há pessoas que são lembradas pelos títulos que conquistaram. Outras, pelas obras que construíram. Mas existem aquelas cuja maior realização é...

Alcides Neves Filho: o mestre que ensinou muito além do esporte e marcou gerações em Coxim

17 de julho de 2026

Alcides Neves Filho: o mestre que ensinou muito além do esporte e marcou gerações em Coxim

 

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Há pessoas que são lembradas pelos títulos que conquistaram. Outras, pelas obras que construíram. Mas existem aquelas cuja maior realização é permanecer vivas na  

memória de milhares de pessoas por aquilo que ensinaram, pelo exemplo que deram e pelos valores que semearam ao longo da vida. Em Coxim, um desses nomes é o do professor Alcides Neves Filho. 

Nascido em 31 de outubro de 1967, na própria cidade onde escreveria sua história, Alcides cresceu aprendendo que a honestidade, o trabalho e o respeito eram patrimônios que nenhuma dificuldade poderia tirar. Filho de Alcides Neves e Zenaide Louzada Neves, ao lado das irmãs Elizabeth, Adnair e Luzia, construiu uma infância marcada pelos valores familiares que mais tarde levaria para dentro das quadras, das salas de aula e da vida. 

Sua trajetória profissional nunca foi apenas sobre ensinar um esporte. Foi sobre ensinar disciplina, responsabilidade, amizade, coragem e perseverança. Porque, para ele, a Educação Física sempre significou muito mais do que movimento: significou formação humana. 

Graduou-se em Educação Física pela Associação de Ensino de Tupã, em São Paulo, e mais tarde ampliou seus conhecimentos com a pós-graduação em Gestão Escolar pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O conhecimento adquirido nunca permaneceu apenas nos livros. Tornou-se prática diária, exemplo e inspiração. 

Ao longo da carreira, dedicou sua vida à educação pública, atuando em escolas que fazem parte da história de Coxim, como William Tavares, Marechal Rondon, Clarice e Semíramis. Tornou-se servidor efetivo do município, onde encerrou um ciclo com a aposentadoria, e segue exercendo sua missão como professor efetivo da rede estadual de ensino. 

Por mais de três décadas, suas aulas foram muito além do apito que marcava o início das atividades. Cada treino representava uma oportunidade de ensinar respeito ao adversário, trabalho em equipe, solidariedade e superação. Formou gerações de estudantes que aprenderam com ele que vencer é importante, mas vencer com caráter é essencial. 

Treinador de futsal, basquete, atletismo e voleibol, Alcides ajudou incontáveis crianças e adolescentes a descobrirem talentos, fortalecerem a autoestima e acreditarem em si mesmos. Em cada campeonato, em cada treino sob o sol forte ou nas noites de preparação para competições escolares, estava presente não apenas o professor, mas um educador comprometido em enxergar potencial onde muitos viam apenas limitações. 

Quem passou por suas aulas dificilmente esquece seu jeito leve de ensinar. Dono de um humor espontâneo, sempre encontrava uma maneira de arrancar um sorriso dos alunos. Transformava o ambiente esportivo em um espaço de acolhimento, amizade e aprendizado. Sua simpatia aproximava as pessoas; seu respeito conquistava confiança; sua competência consolidava admiração. 

No dia 14 de agosto de 1995, deu mais um passo importante em sua caminhada ao inaugurar sua academia. O espaço rapidamente deixou de ser apenas um local para exercícios físicos e passou a representar um ambiente de convivência, saúde e incentivo à qualidade de vida. Ali, Alcides continuou fazendo aquilo que sempre soube fazer melhor: cuidar de pessoas. 

Entretanto, nenhuma conquista profissional supera a construção de sua família. 

Ao lado da esposa, Vanize Paula Onuszezak Neves, com quem se casou em 13 de janeiro de 1999, edificou um lar sustentado pelo respeito, pelo companheirismo e pelos mesmos princípios que sempre transmitiu aos seus alunos. Dessa união nasceram Alcides Neves Neto e Maria Rita Onuszezak Neves, seus maiores orgulhos e a continuidade dos valores que sempre cultivou. 

Fora das quadras, Alcides continua sendo um apaixonado pelo esporte. Gosta de acompanhar praticamente todas as modalidades esportivas, aprecia boa música e mantém um jeito simples de viver. Entre uma aula e outra, preserva pequenos hábitos que revelam sua humanidade, como o indispensável descanso após o almoço  momento sagrado que, quando interrompido, costuma tirar um pouco de sua conhecida tranquilidade e render boas histórias entre familiares e amigos. 

Mas seria impossível resumir Alcides apenas pelos cargos que ocupou, pelas escolas onde trabalhou ou pelos esportes que ensinou. 

Seu maior legado está nas pessoas. 

Está no ex-aluno que escolheu o caminho da educação porque encontrou nele uma referência. 

Está no jovem que permaneceu longe das drogas porque encontrou no esporte um propósito. 

Está no adulto que ainda hoje recorda, com carinho, dos conselhos recebidos antes de uma competição. 

Está em cada cidadão que aprendeu que disciplina e respeito caminham juntos. 

Em uma sociedade que tantas vezes procura exemplos distantes, Coxim encontrou um deles bem perto de casa. 

Mais do que ensinar fundamentos esportivos, Alcides Neves Filho sempre compreendeu a dimensão da responsabilidade que carregava como educador. Em cada aula, enxergava crianças e adolescentes que precisavam ser acolhidos, orientados e incentivados a acreditar em um futuro melhor. Para ele, a educação e o esporte jamais foram apenas profissões, mas instrumentos capazes de transformar vidas. 

Convicto de que uma quadra pode ser tão importante quanto uma sala de aula na formação do caráter, sempre acreditou que o esporte é uma das portas mais eficazes para proteger crianças e jovens dos caminhos da violência, das drogas e de tantas vulnerabilidades que desafiam a juventude. Por isso, nunca mediu esforços para incentivar seus alunos a permanecerem na escola, respeitarem o próximo, cultivarem disciplina e descobrirem seus talentos. 

Seu compromisso ultrapassava o horário das aulas. Muitas vezes, um treino representava um espaço de escuta, uma palavra de incentivo ou um conselho dado no momento certo. Alcides sabia que um professor pode marcar uma vida para sempre, e fez dessa consciência um princípio inegociável de sua trajetória. Ao longo de mais de três décadas dedicadas à educação pública e ao esporte, ajudou a formar não apenas atletas, mas cidadãos preparados para enfrentar a vida com dignidade, responsabilidade e esperança. 

Esse talvez seja o maior legado de Alcides Neves Filho: compreender que medalhas envelhecem, troféus acumulam poeira, mas o caráter construído em uma criança permanece por toda a vida. É essa convicção que faz dele não apenas um professor de Educação Física, mas um verdadeiro educador, cuja missão sempre foi transformar o esporte em uma ferramenta de inclusão, proteção social e construção de um futuro melhor para as novas gerações de Coxim. 

Ao longo de mais de trinta anos dedicados ao esporte e à educação, Alcides Neves Filho construiu uma reputação baseada em valores que não envelhecem: honestidade, compromisso, humildade, ética e amor pelo próximo. Sua imagem é associada à seriedade, ao profissionalismo e à dedicação incondicional aos alunos. Tornou-se uma presença respeitada por diferentes gerações, admirado por colegas, ex-estudantes, atletas, famílias e pela comunidade. 

A história de Alcides demonstra que um professor pode ensinar muito mais do que técnicas esportivas. Pode ensinar maneiras de viver. 

Enquanto muitos medem o sucesso pelos troféus expostos em prateleiras, o verdadeiro patrimônio de Alcides permanece espalhado por Coxim: nas lembranças, no caráter das pessoas que ajudou a formar, nos valores transmitidos silenciosamente durante décadas e na certeza de que educar é uma das mais nobres formas de transformar uma sociedade. 

Seu nome já faz parte da história da educação e do esporte coxinense. Não apenas pelos anos de serviço prestado, mas porque deixou marcas onde elas realmente importam: no coração das pessoas.