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Ampla Visão
19 de agosto de 2014
CONQUISTA Estamos alcançando a edição de número mil da nossa coluna semanal. Uma marca significativa, emblemática por se tratar do jornalismo voltado a dois assuntos interessantes, mas polêmicos: a política e a administração pública.
DIFÍCIL transitar no terreno minado onde a guerra pelo poder se confunde com a própria vaidade humana. O estilo de escrever se funde com o caráter do jornalista ao falar de pessoas e fatos. Afinal, políticos são mais sensíveis do que se imagina.
IGUAIS Alguém já comparou o político ávido pela notoriedade, aquela madame que se esmera no visual com vestido novo numa festa e que no dia seguinte vai procurar por pela foto sua ou algum elogio na coluna social. É bem assim mesmo! Se é!
‘DAY AFTER’ A morte de Eduardo Campos muda o cenário da disputa nacional? Se confirmada, Marina repetirá os 20 milhões de votos, principalmente dos jovens, que integram a massa dos indecisos, tirando também votos de Aécio e Dilma?
EXPECTATIVAS Existem juntamente com as incertezas dos políticos e dos analistas. Não há garantias de que o fator comoção ajude Marina, porque a morte de Campos foi acidental e entre ambos o vínculo era recente sem um histórico marcante.
COMPARANDO Dr. Ari Coelho era prefeito de Campo Grande e o Dr. Fernando C. da Costa (UDN) era o favorito para sucedê-lo. Mas o assassinato do Dr. Ari, por motivos políticos, mudou o quadro: Wilson Fadul (PTB) entrou na disputa e venceu.
REFLEXOS A exemplo de outros Estados, aqui a disputa pelo Parque dos Poderes ganha novos contornos. A morte de Campos coincide com um período hesitante da candidatura de Nelsinho, superada por Azambuja na pesquisa Ibrape-Fiems.
NELSINHO precisa retomar seu discurso de forma mais contundente para tentar superar a falta de referência com Eduardo Campos. Mas isso passaria pela sintonia mais calibrada com o PMDB e todos seus candidatos na eleição proporcional. Certo?
AZAMBUJA pode ser beneficiado com esse novo quadro nacional devido ao viés ambiental de Marina que assusta o agronegócio. Mas pode ser prejudicado também caso Marina cresça a ponto de superar Aécio e disputar o 2º turno com Dilma.
VEJA BEM! Apesar do quadro econômico preocupante, com acenos de recessão, a candidatura de Aécio não empolgou como se esperava. A chegada de Marina poderia sim sacudir esse cenário e embolar a disputa tirando votos da favorita própria Dilma.
BASTIDORES Dilma e Lula querem atrair Marina temendo estragos de sua força no eleitorado do PT. Fisicamente Marina parece muito frágil para enfrentar essa batalha desgastante que se avizinha. São questões que precisam ser levadas em conta.
ATENÇÃO: O início da propaganda no horário eleitoral coincidirá com um quadro nacional indefinido. Por precaução, os candidatos ao governo estadual devem evitar certas abordagens partidárias temendo situações que possam ser prejudiciais.
MURILO É o mais atingido politicamente pela morte de Campos. Afinal, sua opção pelo PSB passou pela notória identificação pessoal com o ex-governador. Continuará no partido? Irá rever seu projeto de tentar o senado no futuro? Nem ele sabe.
REJEIÇÃO: Azambuja tem só 10%, contra 28% de Delcídio e 31% de Nelsinho. Mas o ‘tucano’ transformará essa vantagem em votos, coisa que os candidatos dos partidos nanicos – embora sem rejeição, sempre terminam as eleições com votação pífia?
A PROPÓSITO Apesar do pouco tempo no horário eleitoral, os candidatos nanicos no MS tem sido incompetentes nas últimas eleições, pela mesmice do discurso, falta de carisma e de empolgação. Será que esse pessoal não assistiu o Dr. Eneas?
ARSENAL Cada candidato tem o seu. Os elogios de Azambuja a Delcídio, nos encontros do ‘Pensando MS’ estão armazenados e poderão ser mostrados no horário eleitoral de acordo com o desenrolar da campanha e os números das pesquisas.
BOA TACADA O ‘clip’ de Azambuja com cantores da nossa terra será usado para atingir o cobiçado eleitorado jovem, ainda sonolento politicamente. Mas até aqui a imagem da professora Rose não foi bem explorada na campanha tucana.
DELCÍDIO Para rebater o episódio da Petrobras, deve mostrar sua atuação na CPI dos Correios que culminou com a condenação dos mensaleiros. Portanto, o clima promete bastante motivação para o eleitor não desligar a televisão no horário eleitoral.
CONCORRÊNCIAS Mandeta levando vantagem sobre Marcio Monteiro pela vaga na Câmara? Alceu Bueno agregando apoio das 130 igrejas da ‘Mundial do Reino de Deus’. Sua coligação poderá atingir 100 mil votos e eleger dois candidatos.
SURPRESAS Devem ocorrer não só pelos critérios da legislação eleitoral, bem como pelo trabalho destes candidatos ‘formiguinhas’ que operam silenciosamente. Azar de muitos medalhões que se fiam em velhos e duvidosos esquemas de campanha.
FRACAS as entrevistas com os candidatos ao governo estadual. Parecem combinadas e não correspondem as expectativas. Os entrevistadores não exploram temas polêmicos evitando colocar os entrevistados em sinuca de bico. Assim acabam cansativas.
SAÚDE Será o grande mote da campanha local. O noticiário trágico do dia a dia será a munição. A propósito: andou bem o prefeito Olarte no arrendamento do Hospital Sírio Libanês da capital, mas exagerou em batizá-lo com o nome de seu próprio pai.
“Ter popularidade é uma coisa. Ter voto é outra coisa”. (Eduardo Campos)
Aléx Viana
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...
14 de fevereiro de 2025
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
Bispo
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...
14 de fevereiro de 2025
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José