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Eleições: sobra ceticismo - falta entusiasmo

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1 de outubro de 2014

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PÍFIO A marca dos 15% de Aécio na pesquisa Ibrape/Fiems mostra que Azambuja não tem sido porta voz eficiente do apelo tucano no MS. Confirmada a tese de que o PSDB sempre sobreviveu como uma espécie de apêndice do PMDB, sem luz própria. 
FENÔMENO Sem qualquer estrutura partidária e liderança política de peso Marina lidera (37%) no MS segundo o Ibrape/Fiems. Sua franqueza e coragem nas críticas ao Governo e o estilo como pretende administrar tem convencido o eleitorado.
2º TURNO Neste caso, o eleitorado que teria votado em Aécio, em sua maioria, deve fazer a opção por Marina contra Dilma. Desconfio que as pesquisas não tenham retratado com fidelidade a tendência do eleitorado tucano entre as duas candidatas. 
ANÚNCIOS Se Lula já avisou que vai ‘conversar’ com Aécio, tentando ganhar seu apoio no 2º turno, Marina foi enfática: quer distância de Sarney, Collor, Jader Barbalho e do pessoal do PT em seu governo. Assim atraiu a simpatia do eleitorado jovem. 
AZAMBUJA Aposta na conquista dos votos indecisos para provocar o 2º turno. Mas tem problemas: além do fator Aécio que não ajuda, não consegue sustentar o discurso de mudança sem criticar Nelsinho e o próprio PMDB, seu ex-parceiro. 
EQUÍVOCOS O campo responde pela maioria do nosso PIB, mas é na cidade que reside a maior parte do eleitorado, divorciado das questões do agronegócio. No episódio da ‘Fazenda Buritis’, sem apoio popular, os proprietários quase viraram vilões. 
DEBATES Não têm influenciado no desempenho dos candidatos nas pesquisas. São cansativos graças ao formato e número de participantes, atraindo mais quem tem algum tipo de interesse nas eleições do que aquele cidadão comum apartidário.
BALANÇO Inevitável para apurar os ganhos e perdas dos envolvidos. Confirmando-se os números das pesquisas, Nelsinho seria o grande derrotado e com dificuldades para se recuperar visando suas pretensões futuras, quaisquer que elas sejam. 
ANOTE: Ele pode perder na capital (sua terra) para Delcídio (Corumbá), Reinaldo (Maracajú) e até de Bernal ao Senado. E pensar que 2012 ele foi muito bem avaliado como prefeito da capital, visto como personagem importante no cenário. 
E MAIS... Também na família Trad Nelsinho ficaria em desvantagem com as possíveis vitórias dos irmãos Fábio e Marcos. Alguns observadores ainda lembram das grandes chances de sua ex-mulher Antonieta se eleger para a Assembleia Legislativa. 
NA POLÍTICA a distância entre o paraíso do poder e o inferno do ‘sereno’ é curta e a descida é de elevador rápido. Aí Nelsinho terá que repensar e adotar uma estratégia milagrosa para reverter essas previsões sombrias do ‘horóscopo político’. 
‘INDECISOS’ Tenho dúvidas sobre seus reais motivos. Deve-se menos a análise das propostas de governo dos candidatos, e mais pela pretensão do eleitor em valorizar o voto e tirar vantagem financeira imediata. É a reprise do velho filme.
CÉTICO Continua sendo a melhor definição do eleitor em sua postura nestas eleições. Em todas as classes sociais a abordagem eleitoral contém observações irônicas, sem defesas intransigentes ou entusiasmadas que se viam em outros tempos. 
EDUCAÇÃO Quase 20 professores disputam essas eleições. Destaque para Elza Jorge e Jaime Teixeira, ex-dirigentes da Fetems (25 mil filiados) e agora concorrentes fortes de Pedro Kemp dentro do PT. A bandeira da educação é agradável, rende votos. 
‘FAZ PARTE’ Como defini-los? Sonhadores, vaidosos, idealistas, corajosos, ingênuos? Em todos os pleitos muitos cidadãos, sem estrutura e apelo eleitoral, tentam seduzir o eleitor. Mas são candidaturas válidas dentro do contexto democrático. 
MARÇAL FILHO Pelo menos do ponto de vista ético e moral, soou muito mal sua recente condenação na justiça pelo crime de falsidade ideológica. O que explicar ao eleitor que não vota em função do timbre de voz do radialista deputado?
A PROPÓSITO O imaginário popular do ouvinte de rádio é ingênuo, de fácil envolvimento emocional.  Não separa a figura do radialista na sua função das suas reais condições pessoais como político ou administrador. O caso de Bernal não é o único.   
EXPLORAÇÃO A pratica é crescente também em grandes escritórios de advocacia da nossa capital. Profissionais recém-formados e com carteira da ‘OAB’ só tem chances de trabalho se tiverem carro próprio para uso gratuito a serviço do patrão. Pode?
O TEMA pode parecer circunscrito à classe advocatícia, mas a opinião pública precisa saber o que de fato se esconde atrás da cortina dos ‘arautos da justiça’. É a contradição de quem pede a punição do mau patrão nos tribunais, mas não faz o dever de casa. 
LAMENTÁVEL Advogados renomados aproveitando-se de colegas iniciantes e que pelas circunstâncias acabam desempenhando funções de office boys de luxo. Portanto esse apelo usual de valorização e união da classe não passa de mera retórica.
NO LIMITE Por aí o salário básico é de R$1.500,00. Com a diária de locação de um carro é de R$100,00, conclui-se: o patrão lucra duplamente: com a mão de obra barata do advogado contratado e com o uso do veículo dele a custo zero. De leve. 
RETRATO “Anúncio no “Correio Braziliense”: “Nível Superior – Produto/Serviço: Motoboy com OAB” – Contratamos – Interessados enviar currículo para... @ gmail.com”. Mostra o péssimo nível do mercado para os novos advogados.
‘Senador é só pose. Quem manda mesmo é o deputado’. (FHC)

Aléx Viana

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a cultura de precedentes

Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

14 de fevereiro de 2025

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

 

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Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
 

Bispo

A vocação é graça e também missão.

No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...

A vocação é graça e também missão.

14 de fevereiro de 2025

A vocação é graça e também missão.

 

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No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José