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28 de janeiro de 2020

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‘LAÇOS DE FAMÍLIA’ Reatá-los é difícil! As eleições municipais em Aquidauana devem pegar fogo. A candidatura da médica Viviane Orro (PSD) contra seu primo – o prefeito Odilon Ribeiro (PSDB) lembra os relatos dos folhetins do interior brasileiro - onde a política não respeita nem os limites da consanguinidade. Sem entrar no mérito dos postulantes aproveito para questionar: como ficarão os laços familiares após as eleições? Afinal, frases de palanque são ‘inesquecíveis’, imperdoáveis. As mágoas eternas! 

CRÍTICAS Intelectuais sempre criticaram os governantes mesmo driblando a censura. Pela visibilidade das obras é desnecessário citá-las bem como seus autores. Quanto aos artistas sertanejos essas manifestações são tímidas. Mas em 1989 o cantor Gaucho da Fronteira lançou ‘Eramos Felizes e não Sabíamos’ ironizando Fernando C. de Mello: “Essa vidinha tão boa/Agora vai terminar/Porque está chegando o homem/ Caçador de Marajás”. Num comício pró Collor, o candidato ao senado José E. Vieira (PTB) tentou sem êxito impedir que o ‘Gaucho’ cantasse a música.

‘MEU PAÍS’ Pelo momento político do país, letra e fama de seus criadores (Zezé Di Camargo e Luciano) a divulgação na campanha de Lula (PT), a música fez sucesso e foi indicada ao Gramy Latino em 2002. A canção aproximou a dupla do ex-presidente petista, cantando nos comícios. Mas veio a decepção de Zezé com os escândalos e em rede social em 2019, ele desabafou ao ser criticado por tirar foto com o ministro Sérgio Moro, da Justiça: “O Lula não é um preso político. É um preso por corrupção. Fiz campanha pra ele. Doei minha música sem nada em troca, pra campanha dele. Votei duas vezes nele, e vi que estava errado... Hoje defendo meu país. Cai na real”.

SEM ILUSÕES Também o meio artístico é um ninho de cascáveis com ou sem guizo. Indicada para ocupar a Secretaria da Cultura a artista Regina Duarte já começa a sofrer críticas de colegas por não concordar pelo fato dela não ser militante da esquerda. Aliás, é notório neste país; artistas e intelectuais que se prezem não devam ser contra os governos de ideologia esquerdista. Lembra do apresentador Jô Soares? Atenção especial só aos entrevistados da esquerda. E duas mágoas afloram, a eleição de Donald Trump e de Jair Bolsonaro. Sem dúvida, o patrulhamento ideológico da esquerda é visível.

TARDE DEMAIS! Só agora o ex-presidente Lula percebeu que o PT ficou muito distante dos evangélicos – hoje apoiando o atual Governo. E isso não se deve apenas as denuncias de corrupção por lideranças do partido. A bancada evangélica, com defeitos ou sem defeitos, não engoliu os avanços patrocinados pelo PT em áreas envolvendo valores tradicionais da família. Tudo isso vem sendo aproveitado nas manifestações do presidente Bolsonaro e propagado intensamente nas redes sociais. Correr atrás do prejuízo será uma tarefa difícil. Mas o PT é capaz de tudo para voltar ao poder. Afinal lideranças suas até foram à missa na última campanha eleitoral. Lembra? 

‘COÇANDO’ Os números de recente pesquisa mostram a insatisfação do brasileiro com a qualidade dos serviços prestados pelos funcionários públicos. Para 88% dos consultados é ruim e eles deveriam inclusive ser demitidos. A estabilidade acaba também influenciando esse comportamento. Mas o nojento é aquela advertência de que o servidor deva ser tratado com educação sob as penas da lei. A placa-aviso nas repartições funciona como instrumento intimidatório. O cidadão não é bem atendido e fica com medo de insistir ou reclamar para não ser processado. Só aqui mesmo!

O CAMPEÃO Repercute o levantamento do jornal ‘Estadão’ entre os 26 ex-governadores do rol pecaminoso da corrupção onde o ex-governador Sergio Cabral (MDB) do Rio de Janeiro – condenado a 122 anos de prisão – deve aos cofres de seu Estado a R$529,7 milhões que surrupiou na corrupção. E o Brasil tinha ele como o ‘campeão’ imbatível nesta classificação vergonhosa. Mas não é bem assim: o total cobrado do ex-governador Puccinelli (MDB) em ações judiciais chega a espantosa quantia de R$534 milhões. E lembro: o PIB do Estado do ‘Rio’ em 2018 foi R$671.360,00 bilhões enquanto o PIB de MS foi de apenas R$96 bilhões, portanto7 vezes maior. Conclusão: o rombo aqui foi muito maior que no Estado do Rio.

‘ESTRANHO’ Sobre os escândalos que o colocam no posto de líder do ranking dos 26 ex-governadores envolvidos em corrupção, a defesa de Puccinelli se manifesta ironicamente, mas sem entrar no mérito. Já o ex-governador nas entrevistas, não toca no assunto e nem fala da prisão do ex-secretário Edson Giroto, focando nas eleições de 2020. Aqui uma observação: é incrível a pouca vontade dos seus entrevistadores em questionar esse assunto. O compromisso deles não deveria ser com os ouvintes ou com a opinião pública? Entendo o ‘espírito compadrio’ deste jornalismo. 

NA VEIA! O prefeito ACM Neto (DEM) de Salvador analisou a situação do ex-presidente Lula (PT): “Acabou o mito. E acabou o discurso. O PT primeira tinha o discurso do golpe. Depois, o discurso do Lula Livre. Agora eles estão sem discurso. Lula saiu e não mudou nada. E o presidente Lula já não é mais a liderança que foi no passado: se esperava uma comoção, uma mobilização nacional sem precedentes e nada disso aconteceu, nem mesmo no Nordeste. Não estou querendo desprezar a força que ele ainda tem no Nordeste, mas se você for ver a passagem dele, pós-prisão, foi muito menor em mobilização do que se esperava”.

Aléx Viana

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a cultura de precedentes

Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

14 de fevereiro de 2025

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

 

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Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
 

Bispo

A vocação é graça e também missão.

No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...

A vocação é graça e também missão.

14 de fevereiro de 2025

A vocação é graça e também missão.

 

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No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José