quarta, 03 de junho, 2026
(67) 99983-4015
DO LEITOR - “A classe política (alto clero) termina o ano desgastada com a postura dos congressistas que legislaram em causa própria e afrontaram os projetos do Palácio do Planalto que vinham de encontro aos anseios da maioria da opinião pública. Dois casos para exemplificar: a rejeição ao projeto original do ministro Moro no combate a criminalidade e dotação de recursos para os partidos políticos visando as eleições de 2020. Sobre esse último fato a pimenta na mídia ficou por conta da declaração do ministro Mandetta – de que esse dinheiro fará falta nas ações em prol da saúde”.
A PONDERAÇÃO - acima tem procedência se levada em conta a postura passional do eleitorado que prioriza em seu raciocínio melhores condições para a saúde pública, que é considerada o maior problema nas pesquisas do Data Folha. Ao eleitor não interessa aspectos técnicos desta ou daquela lei. Ele é extremamente pragmático na análise, conclusão e eventuais caminhos na busca da solução. Ele é desapegado a detalhes. É neste mar revolto que os candidatos terão que remar desviando-se de todos os tipos de imprevistos e acidentes que podem provocar seu naufrágio eleitoral (nas urnas).
CONCLUSÃO - Manipulada ou não, essa pesquisa Datafolha coloca o ministro Sérgio Moro da Justiça como o mais popular. Ora! Presume-se que não se trata da popularidade igual de um artista por exemplo. No presente caso ela deve ser vista como sinônimo de credibilidade neste cenário de desmoralização da justiça – a começar pela postura dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em decisões recentes. Entre a postura do então Juiz Federal Moro no combate a corrupção e o que decidiu o STF - e que pensa a classe política, a opinião pública apoia maçiçamente o atual ministro da justiça.
OS POLÍTICOS - ouvem pouco as vozes das ruas. Parece que o exemplo da Revolução Francesa foi esquecida nos bancos escolares pelos nossos ilustres representantes. Aliás, eles colocam muita fé na falta de memória da população, que por razões diversas, não tem as eleições como prioridade decisiva no futuro seu e da família. As eleições, tem demonstrando raro comportamento racional do eleitor que acaba influenciado por uma série de fatores como família, grupo social, religião e a imagem artificial ( falsa) do candidato na mídia. Compra-se gato por lebre, o vilão por honesto.
‘LAMA ASFÁLTICA’ - Iniciada em 2015 o total dos rombos chega a R$432 milhões. Seu último capítulo: a Justiça Federal reconheceu indícios da remessa de dinheiro para o exterior por parte de André Luiz Cance, o todo poderoso ex-secretário adjunto da Secretaria Estadual da Fazenda, no Governo de André Puccinelli (MDB). Com isso, a investigação continuará na Justiça Federal e não na Justiça Estadual como pretendia Cance que formalizou em 2012 a separação conjugal para tentar talvez dissimular a origem e destino do invejável patrimônio com os bens de origem discutível.
‘PRESENTE NATALINO’ - Figura forte nas gestões do ex-prefeito e ex-governador André Puccinelli (MDB), o atual Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado – Osmar Jerônimo caiu nas malhas da justiça. Pode perder o cargo e ter os seus direitos políticos suspensos por 7 anos e devolver R$508.180,63 corrigidos, mais a multa de R$750 mil se a sentença for mantida no Tribunal de Justiça. A acusação: em 2002 na prefeitura municipal Osmar autorizou serviço de pesquisas (que não foi feita) no valor R$500 mil. Wilson Cabral Tavares (sucessor de Osmar) também foi condenado no mesmo caso.
EFEITO DOMINÓ - Um a um os homens de confiança do ex-governador Puccinelli caíram nas malhas da justiça. Basta verificar o cronograma do noticiário e a lista deles. No caso do ex-Secretário Cance, notório seu prestígio no Governo. Tem um episódio interessante: em 2012 ele formalizou a separação conjugal (fictícia?) da mulher Ana Cristina P. da Silva embora vivendo no mesmo teto. Outro dado de arrepiar: em 2010 o patrimônio dela seria de R$1.178 milhão e saltou para R$16.285 milhões em 2014. Agora, Cance foge da Justiça Federal como o diabo foge da cruz. Até aqui levou pau!
O DITADO - ‘a esperteza acaba comendo a mão do esperto’ é pertinente ao caso de André Cance. Sua eventual pratica do crime de evasão de divisas ao exterior mantem a competência do processo para a Justiça Federal representada pelo juiz federal Bruno C. Teixeira – autor do despacho que negou a concessão de Habeas Corpus para trancar a investigação e remete-la à Justiça Estadual. Anota-se que contra Cance pesa a acusação de cobrança de 1% da empresa Ice Cartões, responsável pela emissão de carteira de habilitação junto ao Detran. A opinião pública deve ficar atenta ao episódio escabroso.
O GANANCIOSO - No seu livro “O Renascimento de Buda”, Ryuho Okawa (líder espiritual japonês) explica o significado de ganancioso: “É a mente que procura sempre pegar as coisas para si. É a cobiça para ter sempre mais e mais. No coração ganancioso há o desejo de se obter status social e fama...Quantas vezes, diante da expectativa de ganho extra, passamos por cima dos interesses dos que nos cercam? Quantas vezes em nome do lucro praticamos injustiças, fazemos negócios desonestos? Quantas vezes ficamos com o que não é nosso, como um objeto encontrado ou troco errado?”
Aléx Viana
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...
14 de fevereiro de 2025
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
Bispo
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...
14 de fevereiro de 2025
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José