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23 de outubro de 2019

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AS VÍSCERAS Quem olha Campo Grande de longe ou não vive seu dia a dia, não tem a mínima noção de que seu enorme espaço físico que ocupa, não a livra de hábitos inerentes ao cotidiano de comunidades menores. As redes de notícias – de intrigas e fofocas – estão interligadas e praticamente não há segredos em todos os segmentos e classes sociais. Essa operação policial em andamento por aqui é mais um exemplo de que todos sabem de todos, levando-nos a lembrar aquele velho bordão popular: “Eu aumento, mas não invento”. Enfim, como cuido apenas da política, espero que a onda inaugurada por Puccinelli, mesclando política com polícia, não se repita agora.

DR ODILON Tem ocupado espaço na mídia, mesclando opiniões sobre o cenário político e assuntos referentes ao Direito e advocacia. Mas é difícil prever até quando ele será visto como personagem de peso eleitoralmente falando. Conciliar seu projeto pessoal com a advocacia pode não ser benéfico. No mínimo duvidoso. Sem ouvir um conselheiro político para norteá-lo em situações que exigem experiência, Odilon pode estar entrando em rota de desgaste. Seria o caso de suas declarações sobre seu cliente, policial Everaldo Monteiro de Assis preso na Operação Ormitá. Os olhos da opinião pública podem não separar a pessoa do advogado Odilon do político Odilon. Certo?

LOTERIA A alíquota do Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis em Três Lagoas é de 2%. A empresa chinesa Three Gorges Brasil Ltda adquiriu a concessão dos direitos de exploração da Usina de Ilha Solteira do Governo Federal por R$13,8 bilhões e até agora nada pagou do tributo de competência municipal que tem como fato gerador a transmissão, entre pessoas vivas, a qualquer título. O caso apresenta no mínimo nebuloso e tem gerado embates jurídicos e políticos por se tratar de matéria não prevista na Lei dos Registros Públicos. Foi o que aconteceu na venda da Usina Hidrelétrica de Três Irmãos em Pereira Barreto (SP) e em dois casos em Goiás.

O CASO promete; pois a Prefeitura de Três Lagoas quer receber os R$125 milhões referentes ao imposto de transmissão e até contratou uma empresa especializada para representá-la. Vale lembrar que o deputado federal Glaustim da Fokus (PSC) de Goiás, apresentou projeto de lei para acrescentar na Lei de Registro Público a obrigatoriedade do recolhimento do ITBI quando os bens imóveis e de direito relativos a geração de energia e quando eram da União e sejam vendidos para particulares. No caso, os chineses compraram a concessão de uma usina geradora de energia, o que pode livrá-los do pagamento do pretendido tributo.Uma matéria interessante, de alta indagação.

CRISE & CIA Os ‘desarranjos e confrontos intestinais’ no Governo Bolsonaro estão desempenhando o papel de oposição. Felizmente as trapalhadas políticas não estão atingindo o núcleo econômico da administração, mas as boas relações imprescindíveis no Congresso estão sendo afetadas. As opiniões sobre a atual administração federal são unânimes no sentido de que ela vai bem apesar da crise, mas que o presidente se encarrega de criar uma espécie de oposição interna. São duas camisas 10 do Governo: o ministro Paulo Guedes da Fazenda e Salim Mattar ( ex-presidente da Localiza) no cargo de diretor de privatizações que vem encantando até a mídia oposicionista. 

DISTANTE Focada em suas atribuições no Senado a senadora Simone Tebet (MDB) tem se mantido distante das questões políticas e administrativas de Três Lagoas. Essa postura seria decorrente dos seus encargos ou uma estratégia para separar sua posição pessoal da decisão de seu marido – deputado Eduardo Rocha (MDB) - que deixou a oposição para se aliar ao prefeito Guerreiro, sob o argumento de que ‘em primeiro lugar devem estar os interesses da cidade’. A senadora quer assim preservar a sua imagem dentro do partido, do qual tentou sem sucesso inclusive liderar uma chapa ao diretório nacional tendo o ex-senador Pedro Simon (MDB-RS) como candidato a vice.

À PROPÓSITO Brasília é tudo aquilo que nós lemos sobre ela e muito mais! Essa loucura das cansativas viagens semanais é fundamentada na tese de que o político não pode se afastar de suas bases. Outro dia o colunista advertiu o senador Nelsinho Trad (PSD) de que sua foto com o presente Trump na Casa Branca vale ouro em termos de mídia, mas que o eleitor quer vê-lo cara a cara lá sua cidade. Enfim, o político não pode abandonar a política varejista. Lá na época do velho Mato Grosso - o deputado federal Ubaldo Barem ganhou o apelido de ‘Copa do Mundo’ porque só aparecia nas cidades no ano das eleições. Sei que os senadores e deputados entenderam a mensagem.

1-DESGASTE A denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-governador André Puccinelli (MDB) fala em R$142.507.331,31 em prejuízos em obras e por desvios de recursos do BNDES ( Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) via Secretaria Estadual de Obras entre 2007 e 2014 . Também no rol dos denunciados em ação derivativa da ‘Lama Asfáltica’ o ex-deputado federal Edson Giroto, João Amorim (dono da Proteco Construtora) e mais 8 pessoas. Nesta semana o juiz Bruno Cezar Teixeira da 3ª. Vara Federal aceitou a denúncia e determinou até a apreensão do barco ‘Vanessa’ , de propriedade de Puccinelli, ancorado no Porto de Paranaguá (PR).

2-DESGASTE Volta e meia o ex-governador Puccinelli está inserido no noticiário policial. Nesta semana foram duas vezes. Acuado pelo noticiário e fatos notórios que atingiram sua antiga postura ativa, Puccinelli caminha sobre cristais.Não que tenha calçado as sandálias da humildade; mas que optou pelo recuo estratégico olhando as questões judiciais que o envolvem e o cenário eleitoral. Quanto à justiça vai aproveitando-se da morosidade processual, salvo o surgimento de ‘fatos novos’. No que concerne à política pode apoiar outra candidatura à prefeito da capital para preservar espaço ao MDB e não deixar desamparado os órfãos do seu partido.

Aléx Viana

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a cultura de precedentes

Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

14 de fevereiro de 2025

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

 

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Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
 

Bispo

A vocação é graça e também missão.

No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...

A vocação é graça e também missão.

14 de fevereiro de 2025

A vocação é graça e também missão.

 

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No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José