quinta, 04 de junho, 2026
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REFLEXÃO O parlamentar precisa separar seu estilo de vida antes e depois de assumir o mandato. São situações diferentes, sendo que a atual é de maior visibilidade aos olhos da opinião pública e portanto sujeita a observações e críticas. Como cidadão comum da comunidade pode improvisar e até cometer equívocos em algumas situações sem que isso tenha repercussões profundas ou graves. ‘Trata-se de um simples mortal’. Certo?
ELEITO Aí a situação muda. Ele é o depositário das esperanças de seus eleitores – que veem nele o modelo exemplar ou confiável para o exercício de representação dentro do quadro político-administrativo. Portanto terá que adaptar-se à função parlamentar e ao cenário respectivo, demonstrando além de competência - a habilidade para conviver com algumas situações complicadas. É a arte de transformar pimentas em licores. Uma simples frase, gesto repercutem como penas ao vento.
LEMBRETE O mandato não pode ser visto como uma espécie de procuração com poderes ilimitados ao seu titular.. Ele precisa observar aquilo que vem expresso na Constituição Federal recomendando ou exigindo os preceitos da moralidade, legalidade, impessoalidade, eficiência, transparência e finalidades públicas. Aí, detentores de mandato que atravessam o sinal correm perigo.
ASSESSORIA Nunca ela foi tão relevante para formatar o mandato diferenciado por conta das mudanças nas relações com o eleitor e a opinião pública. A competência pessoal na iniciativa privada do político não garante um mandato proveitoso. Seu estilo pessoal (empresário, profissional liberal, fazendeiro) precisa amoldar-se ao cotidiano burocrático, no relacionamento habilidoso, nas sessões, reuniões, corredores e gabinetes oficiais.
BOM ASSESSOR Braço direito do parlamentar! Deve conhecer o pensamento político dele para redigir textos, ofícios, correspondências diversas, pronunciamentos e minutas de projetos. Ele cuida da agenda do chefe, promove ou cancela audiências, reuniões e organiza a rotina administrativa do gabinete. Deve evitar que problemas cheguem até ao chefe para poupá-lo de dissabores. Precisa resolvê-los com habilidade. Mas o assessor precisa ter autonomia, sob risco de virar ‘aceçor’ apenas, um abridor de porta.
MUDANÇAS Na década de 70 a relação do eleitor com seus políticos resumia-se nas raras notícias da ‘Voz do Brasil’, nas ‘folhinhas calendários’ que o senador Rachid S. Derzi (Arena) distribuia e as visitas de comícios. E só! O deputado federal Ubaldo Barem (Arena) era chamado de ‘Copa do Mundo’; só aparecia de 4 em 4 anos . Citei esses casos para descrever as relações dos políticos e o eleitorado que mudaram muito ultimamente.
‘LIGADÃO’ Assim pode ser definido hoje o eleitor. As assessorias parlamentares devem cuidar bem do item comunicação. Precisam abastecer os jornais, blogs, colunistas e sites, rádios e televisões com notícias positivas. O universo digital é imenso e perigoso. Qualquer eleitor com um celular acompanha a atuação dos parlamentares. Uma nota fiscal ‘salgada1 de jantar de político é notícia ruim. Há pouco um prefeito do Paraná protagonizou escândalo sexual num elevador do hotel em Brasília.Virou notícia com direito a foto de celular.
EQUÍVOCOS Desde a Assembleia Constituinte conheço figuras probas, de sucesso na iniciativa privada e que não se deram bem no exercício do mandato. Na pratica a política não era aquilo que viam na teoria,isto é, do outro lado do balcão. Alguns nem tentaram a reeleição. Mas também lhes faltou gente experiente na assessoria. O gerente nota 10 de uma loja, por exemplo, nem sempre será um bom assessor parlamentar.
COMPROMETIMENTO: É o requisito básico em qualquer atividade na iniciativa privada ou pública. Um amigo viu cena exemplar numa praça em Boston (USA). Sob temperatura perto de zero grau e nevando - um funcionário da prefeitura lavava uma estátua de um personagem histórico. Estranhou e perguntou-lhe as razões do trabalho sob aquelas condições. O funcionário explicou com naturalidade que estava cumprindo o calendário anual das suas tarefas estipulado pela administração, independentemente do clima. Imagine essa situação no Brasil. Os deveres são ‘exclusivos’ do patrão.
SEM BÚSSOLA Quando da prisão do ex-governador Puccinelli (MDB) corria solta a piada no saguão da Assembleia Legislativa de que ele teria levado a bússola do partido que ficou sem rumo e que deu no vimos. Até aqui as reuniões do partido tem se pautado pela mesmice das invencionices com a citação de nomes e alternativas para 2020. Mas no fundo os dirigentes nutrem ‘aquela esperança’, fingindo ignorar a agenda da justiça. O MDB como um todo no país envelheceu estigmatizado pelo seu envolvimento em casos escabro$o$.
Aléx Viana
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...
14 de fevereiro de 2025
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
Bispo
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...
14 de fevereiro de 2025
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José