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1 de agosto de 2018

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SEMÁFORO Será que nossos políticos sabem o significado de seus sinais? Fico observando as suas manobras e planos antes da campanha começar e vem à cabeça a tese simples, verdadeira do ex-boxeador Mike Tysson: “Todo mundo tem um plano até levar um soco na boca”. As lições do passado mostram o eleitor reticente, faca nos dentes, indignado calçando suas luvas. Aí o nocaute pode ocorrer bem antes.

CORRUPÇÃO Não respeita fronteiras, culturas, ideologias e religiões. Aqui na Europa ouvi relatos interessantes envolvendo a construção da auto estrada que corta as montanhas ao longo da Costa Italiana e da Riviera Francesa – num custo altíssimo por conta da topografia que exigiu a abertura de mais de 200 tuneis e pontes altíssimas com
pilares portentosos.

O PROJETO foi pensado ainda pelo ditador italiano Benito Mussolini e a sua concretização muitos anos depois beneficiou políticos dos dois países. Pela grandiosidade da obra não é difícil avaliar as relações das empreiteiras com os governantes. ‘Alegria geral’, como no Mato Grosso do Sul e no resto do país. Não é?

FATURA O pedágio também aqui varia de acordo com o porte do veículo. Um ônibus paga o equivalente a R$1.300,00 só para atravessar o túnel de 12 kms que corta o Mont Blanc que divide França e Itália. Antes da travessia a temperatura do motor do veículo passa por aferição e se estiver além do limite ele é desligado até atingir o nível exigido... Tudo por conta da explosão do motor de um caminhão que incendiou 25 veículos no interior do túnel e matou 39 pessoas em 1999. Só foi reaberto após reforma que levou mais de dois anos, contou-me o nosso guia turístico.

GARRA Infelizmente não herdamos essa qualidade de nossos ancestrais que saíram daqui do velho continente. Fraquejamos com facilidade. Aqui as adversidades para sobreviver e superar os desafios diversos são muito maiores do que temos no Brasil. Numa feira livre em Rapallo – Itália - o feirante relatou-me das dificuldades para produzir, quer pelas temperaturas ou mesmo pelo terreno montanhoso transformado em tabuleiros como se faz na China e Nepal. Tal como na minha primeira viagem à Europa eles pouco sabem do Brasil.

CRÍTICAS Nesta viagem tenho convivido com mexicanos, colombianos, bolivianos angolanos, argentinos, peruanos e chilenos. Depois do futebol, a situação do ex-presidente Lula (PT) é o assunto mais abordado. Todos perguntam se efetivamente ele concorrerá as eleições presidenciais mesmo estando condenado e preso. Um engenheiro do Peru sabia com detalhes como funcionava o esquema de corrupção das empreiteiras e lembrou que a Odebrecht aplicou a mesma receita em seu país como mostrou a imprensa e que resultou na prisão de alguns envolvidos. Enfim, eles se mostravam decepcionados com o desmascaramento da quadrilha do PT no governo do Brasil.

RETALHOS Tenho encontrado alguns brasileiros. Nenhum deles de terno e gravata ao estilo executivo, Todos trabalhando em atividades que não exigem grande qualificação profissional. Eles tentam passar a imagem de que estão gostando ou que vale a pena essa experiência. Um deles trabalhando como vendedor de roupa numa feira em Firenze disse-me que chega a faturar o equivalente a R$5.000,00. Um pouco mais do salário mínimo na Itália. Enfim, cada qual com suas escolhas. Cada um se virando como pode e precisa. Se vale ou não a pena ser imigrante só o tempo dirá. Cada caso é um caso. Que sejam felizes.

IMAGEM RUIM Até um turista do Nepal em Florença criticou os excessos do jogador Neymar na Copa da Rússia. Os gestos e expressões faciais dele indicavam artifício buscando holofotes. Aliás, nas lojas da Europa poucas camisas do craque à venda. Um vendedor disse-me que as camisas deles – embora falsificadas e baratas – deixaram de ser procuradas.

EM FLORENÇA lembrei-me do saudoso Sócrates que saiu do Corinthians para a Fiorentina e não correspondeu às expectativas. De fato, pensando bem, a distância entre a Toscana e Ribeirão Preto não se mede apenas pelos 10 mil kms. Há algo mais (cultura) que se deve ser levado em conta. Não podia se adaptar neste ambiente. Azar dele. Perdeu a grande chance de morar no Primeiro Mundo.

MANIFESTANDO O presidente da OAB-MS Mansur Karmouche ligou-me sobre meu comentário e a postura da entidade neste episódio da prisão de dois advogados junto com o ex-governador Puccinelli. Ouvi seus argumentos e li as publicações feitas pela OAB. Contudo reafirmei que a entidade, nas matérias publicadas, deu maior ênfase a questão das prerrogativas profissionais do que aos seus deveres e do dever da própria OAB em exigir de seus inscritos comportamento que não deixe dúvidas em termos de probidade e quando for o caso punir como prevê o Código de Ética. A opinião pública de olho na entidade que se posta como a sentinela do direito e da moral da sociedade. Portanto - ela deve fazer também o dever de casa. Fiscalizar e punir, indiferentemente do status dp profissional nela inscrito.

BARCELONA O seu povo – catalão – parece ligado a uma tomada elétrica de 220 volts. Sempre ‘elétrico’, ativo. O porto, a proximidade com a África, suas indústrias fantásticas. Preserva seu passado com obras de artes e arquitetura convivendo com a modernidade, apesar das intervenções físicas na sua paisagem urbana para as Olimpíadas de 1992 que sediou com sucesso. Andei no seu metrô com 13 linhas - inaugurado ainda em 1924. Lembro: o metrô de Madri inaugurado em 1919, de São Paulo em 1974 e de Buenos Aires em 1913. Nós, atrasados.

NAS JANELAS de Barcelona as bandeiras com as cores da Catalunha e cartazes pela independência. A grande Barcelona enlaça mais de 4 milhões de habitantes, orgulhosos do passado e confiantes no futuro. Faz justiça a fama. E ao contrário do Rio de Janeiro nas Olimpíadas; com obras super faturadas e abandonadas, Barcelona após as Olimpíadas de 1992 ficou com o legado de todos os parques esportivos conservados e usados pela população. Estive no estádio olímpico que sediou a abertura memorável com apresentação do cantor Freddie Mercury. Impecável. Como eu digo: precisamos fazer mais, honestamente e bem feito. O ‘rouba mas faz’, do ex-governador Paulo Maluf (PP) e de outros - precisa acabar!!!!!!!

FLORENÇA Firenze em italiano. Nenhuma outra cidade do mundo teve tantos personagens que influenciaram a humanidade como ela. Capital da região da Toscana às margens do rio Arno, é um museu a céu aberto com seus 380 mil habitantes. Terra de personagens notáveis como Leonardo da Vinci, Dante Alighieri, Boccacio, Nicolau Maquiavel (com discípulos no mundo), Michelângelo, Américo Vespuccio, dentre tantos outros gênios. Seu cenário cultural e artístico arranca suspiro até dos turistas coreanos e chineses.

PRA PENSAR: “Bolsonaro representa um risco? Sim, há risco em toda eleição presidencial. Viver sob esse modelo político como rodar em estrada esburacada – anda- se devagar e aos solavancos. Pneus estouram. Há candidatos de risco e candidatos sabidamente catastróficos. Quem confia no centrão ou no Ciro “tarja preta” Gomes não
deve atravessar a rua desacompanhado...”.

CONTINUANDO... “...Em política, muito do que se é resulta definido pelo que se combate. Reitero ser ainda cedo para opções eleitorais definitivas. Na minha planilha chegou a hora de marcar quem combate quem e o que combate. Isso tem seu lado divertido e seu lado desolador. É divertido observar o descaramento das negociações que distribuem terrenos na lua do poder. E desolador o confinamento da maioria do eleitorado”. (Percival Puggina) VERDADES “A Rede Globo inventou uma pesquisa para saber o que o brasileiro quer para o futuro em seu país. Combate a corrupção é o tema mais apontado. Talvez não seja muito grande o número de pessoas que sabem exatamente quem foram ou são os responsáveis pelos altos índices de corrupção em nosso país.”

CONTINUANDO... “O Brasil chegou a figurar entre os 15 mais corruptos e a Petrobras esteve no pódio dos maiores escândalos de corrupção da história. Alguns dos responsáveis estão presos, outros estão na fila – e muito dos presos esperando uma chance para ganhar a rua e continuar...” (Mané Galo)

Aléx Viana

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a cultura de precedentes

Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

14 de fevereiro de 2025

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

 

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Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
 

Bispo

A vocação é graça e também missão.

No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...

A vocação é graça e também missão.

14 de fevereiro de 2025

A vocação é graça e também missão.

 

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No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José