quinta, 04 de junho, 2026
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NA EUROPA Dos países por onde tenho passado algumas observações. Em Paris os supermercados vão implantando caixas sem funcionários graças ao uso do cartão de crédito e do sistema de código de barras. Nos postos de cobrança de pedágio nas rodovias também não há qualquer funcionário onde o motorista paga com cartão de crédito ou outro especial sem sair do carro. Nos postos de combustíveis o mesmo sistema com o motorista fazendo o abastecimento após concluída a operação com seu cartão de crédito.
EM ROMA o motorista programa no parquímetro do quarteirão o tempo de uso da vaga, ao contrário da nossa capital. Na hora lembrei do nosso criticado sistema. Um amigo engenheiro francês, conhecedor da nossa realidade observou: “acabei de ir ao médico que cobrou o equivalente a R$ 120,00. O médico não tem secretaria na recepção. Por economia, é claro – diferente do cenário chic e caro dos consultórios de médicos no Brasil..
ENFIM... a economia nas mais diferentes atividades tende a incluir a dispensa da mão de obra para evidentemente baixar os custos, Ao ver essa realidade sem volta lembrei da Revolução Industrial na Inglaterra quando seus críticos diziam que a mão de obra seria dizimada. Lembrei também do Partido dos Trabalhadores e sindicatos defensores da manutenção dos cobradores de ônibus em Campo Grande. Evidente – estão na contramão das realidade.
BONS EXEMPLOS Lyon na França e a italiana Milão mostram porque encantam. A primeira – com menos de 400 mil habitantes – tem metrô subterrâneo e garagens também subterrâneas para desafogar o trânsito. Quanto a capital da moda tem ciclovias, metrô subterrâneo e o moderno trem de superfície movido a energia elétrica. A convivência entre os diferentes sistemas – pelo que percebi – é tranquila.
PROBLEMAS Mesmo na Suíça percebi que a questão dos imigrantes é delicada. Conversei com gente do Senegal, Bangladesch, Camarões, Nigéria e Índia. Senti pena deles; excluídos, humilhados. Na quinta feira assisti na Televisão da Itália um debate sobre o problema, O que fazer? Eles fazem bicos, topam serviços pesados e vendem produtos aos turistas em Veneza, Vaticano, Paris, Genebra, Roma e dormindo nas praças e debaixo das pontes. Sem renda e melhores condições só lhes restam o passaporte para o mundo crime. O Estado Islâmico de olho neles para cooptá-los.
PROBLEMÃO Uma amiga de infância residindo em Paris desde 1979 acompanha de perto o crescimento do espaço social e econômico da comunidade muçulmana formada por imigrantes de países árabes, alguns são ex-colônias. Disse-me: os muçulmanos conseguiram que o Governo cortasse a carne de porco da merenda escolar sob o argumento de as crianças muçulmanos seriam prejudicadas devido a proibição do consumo desta carne pela religião. O jeito foi optar por mais frango e peixe no cardápio.
PREÇOS “Quem converte o Real para o Euro não se diverte”. Essa máxima que vigora na política do turismo é verdadeira, mas também perigosa com o advento do cartão de crédito. Só para o leitor sentir o drama do brasileiro na Europa. Em Genebra um café custa R$28,00, em Paris uma garrafa pequena de água até R$10,00, em Roma uma bola de sorvete varia entre R$13,00 a R$17,00, uma refeição sem vinho varia entre R$150,00 a R$250,0, um copo duplo de suco de laranja R$20,00.
OS OLHOS do jornalistas são diferentes. Neste domingo fomos ao supermercado em Roma. Nenhum produto brasileiro. Nem a tal cachaça que insistimos endeusar. O coco não é da Bahia e sim da Tailândia. O abacaxi de Costa Rica, o tomate da Holanda, a laranja da Espanha, o limão da Argentina, a gengibre do Peru, a banana do Equador. Senti que estamos aquém das exigências do Mercado Comum Europeu. Nosso custo de produção é maior que dos concorrentes citados. Ou não?
INVASORES Antes foram os Mouros os Bárbaros e outros povos inimigos, Agora são os chineses que não poupam a Europa. Se não bastassem seus produtos nas lojas populares numa concorrência sem precedentes, eles comparecem nas filas dos museus, nas cidades e locais turísticos. Impossível não vê-los, em todos os cantos da Europa. Com a sua economia em alta eles lotam os aeroportos, lojas e restaurantes caríssimos gastando sem pestanejar. O poder de fogo dos chineses é tal que os avisos nos principais pontos de turismo também são dados no idioma Mandarim. Como o ex-chanceler norte americano Henry Kissinger previa – o gigante acordou..
A EXPRESSÃO lapidar do personagem Riobaldo “Eu quase de nada sei. Mas eu desconfio de muita coisa” - no livro Grande Sertão Veredas – de Guimarães Rosa – pode ser a guia ou referência pela grande maioria da população do nosso Estado neste episódio das prisões do ex-governador Puccinelli (MDB) e dos advogados André Puccinelli Junior e João Paulo Alves Novas prisões a mando da Justiça Federa que ganhou admiração crescente da opinião pública desde que a Operação Lava Jato desnudou ex-ministros, políticos poderosos e o ex-presidente Lula (PT) inclusive por crimes de corrupção - muitos deles na cadeia.
REPITO: Puccinelli será transformado em vítima mesmo não tendo sequer explicado os motivos ainda daquela primeira prisão? O cidadão comum acreditará na tese de que ele seria uma pobre vítima mesmo no MDB, que em nível nacional também está desgastado por envolvimento em corrupção. Na internet as ironias: Puccinelli, o ex deputado Edson Giroto (PR) e o empresário João Amorim planejando o futuro governo. Amorim é irmã da deputada estadual Antonieta Amorim – também do MDB e da linha de frente do ex-governador.
DETALHE Nenhum companheiro de Puccinelli ousou debater o mérito das razões que embasaram as investigações e as duas prisões. Eles se limitam a referências a atuação dele como gestor público e nada mais. Do senador Waldemir Moka (MDB) e da senadora e advogada Simone Tebet (MDB) também nem uma fala convincente. O MDB está sem rumo – Puccinelli ficou com o GPS do partido. Os seus companheiros estão órfãos, desnorteados. Puccinelli – nosso Sergio Cabral (ex-governador carioca)?
DE LONGE na terra de Puccinelli – lembrei-me dele ao ver pontes romanas centenárias ainda intactas. Mas não vou falar das pontes de papel do André que ruíram. Ele poderia fazer o estou fazendo – comemorando a chegada dos 70 anos em sua terra natal com a família. O mínimo nesta altura da vida. Quanta humilhação nesta exposição pública que atinge violentamente sua honra e de seus familiares inclusive? Faltou-lhe humildade ou bom senso para admitir que seu tempo já passou, como tudo na vida.
PERGUNTA-SE: E precisava disso aos 70 anos? Que presente macabro pelo seu aniversário recente. Não há sentença judicial que apague da memória o trauma da prisão. Não há como excluir esses episódios de sua biografia já manchada. Para piorar ele acabou arrastando pelo mesmo caminho seu filho, seu companheiro de cela pela vez segunda. Lamentável esse quadro! Se vivo ainda, o que seu pai diria disso?
HONRA É um patrimônio, um princípio de comportamento do ser humano que age baseado em valores inarredáveis como honestidade, dignidade, ética e outras características consideradas socialmente virtuosas. Recuperar a honra é uma tarefa hercúlea, quase impossível, segundo os pensadores e teólogos das mais diferentes correntes filosóficas. E pergunto – uma suposta volta ao poder limparia essa nódoa na imagem de Puccinelli até aqui desonrada? Eis a questão.
OAB-MS A opinião pública acompanha a sua luta em questões referentes a postura dos agentes público. Ainda recentemente tivemos o caso da campanha pelas eleições limpas, sem corrupção. E como esse episódio envolve – mais uma vez – o advogado André Puccinelli Junior, seria de bom alvitre questionar a posição da entidade através de seu Conselho de Ética sobre o caso dele e seu colega João Paulo Alves.
AFINAL...Já que também em nível nacional a entidade se posta como defensora intransigente dos direitos democráticos e dos mais pobres – aqui já deveria ter se postado publicamente para evitar dúvidas neste ano eleitoral daquela entidade. Afinal são dois profissionais aparentemente em conduta incompatível com a própria profissão. Eu disse aparentemente. Esse silêncio preocupa. Com a palavra o presidente da OAB-MS.
DELCÍDIO-1 Ainda que recupere todos os seus direitos para voltar a vida pública partidária conseguirá viabilizar sua candidatura em 2018? O que pesa não é apenas a questão jurídica. ´´É que ficaram no imaginário popular aquelas imagens fortes de sua prisão e todas aquelas notícias colocando-o como homem forte do PT e seu governo. Desassociá-lo de tudo isso é muito complicado. Ele tem consciência disso.
DELCÍDIO-2 O ex-senador Delcídio do Amaral (PTC) sabe bem que perdeu o espaço para voltar ao Senado. A saída seria a eventual candidatura a Câmara Federal ou mesmo à Assembleia Legislativa para se aproveitar dos votos ainda indecisos (que são muitos). Embora tenha saído do PT- será complicado se livrar do estigma de corrupção reinante no governo de Dilma Roussef (PT). Mas qual seria seu candidato ao governo? É a pergunta ainda sem resposta.
PONTO FINAL Embora essa prisão de Puccinelli fosse prevista, ainda outros fatos graves devem ocorrer até as eleições. Com a competência da Polícia Federal para investigar, as eventuais influências do MDB acabaram. Aliás o próprio presidente Michel Temer (MDB) também de saia justa. O que percebo é que os órfãos de Puccinelli querem se salvar nesta tempestade. Vamos ficar atentos ao próximo capítulo. Sigo a viagem rumo a Florença, Nice, Barcelona e Madri. A vida é bela. Até.
Aléx Viana
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...
14 de fevereiro de 2025
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
Bispo
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...
14 de fevereiro de 2025
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José