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Gastronomia

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Os segredos para o preparo do café perfeito

Matemáticos calcularam como o tamanho das partículas do pó de café e maneira como água é despejada no filtro influencia no sabor final da bebida

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18 de novembro de 2016

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Cientistas divulgaram nesta semana um estudo que calcula exatamente como um café perfeito deve ser preparado. A pesquisa, publicada nesta semana na revista científica SIAM Journal on Applied Mathematic traz análises que revelam qual deve ser o tamanho ideal das partículas do pó de café colocado nos filtros de cafeteiras e por quanto tempo a água aquecida deve ficar em contato com ele para que a bebida que chega à xícara seja ideal – nem tão amarga nem tão aguada.

A matemática do café perfeito

O objetivo dos pesquisadores com o estudo é fornecer um modelo matemático para o desenho e ajuste de futuras cafeteiras, como é feito atualmente para otimizar a projeção de máquinas como carros de corrida. Os cientistas usam uma teoria de estudo de fluidos e sólidos para projetar esses sistemas e, dessa forma, também seriam capazes de, utilizando métodos que calculam a forma como o fluido (café) se movimenta dentro das máquinas, prever seu sabor.

Para isso, o matemático Kevin Moroney, o principal autor do estudo e pesquisador da escola de matemática e estatística na Universidade de Limerick, na Irlanda, optou por observar o processo da bebida nas cafeteiras com filtro (de pano ou papel) porque elas constituem mais da metade das 18 milhões de máquinas de café vendidas anualmente na Europa. Esse tipo de cafeteira despeja a água quente sobre o pó de café moído pela máquina. A gravidade ‘puxa’ o líquido através do filtro para extrair os compostos solúveis do café.

Segundo o estudo, a principal dificuldade para que o café seja perfeito, é o tamanho das partículas de café obtidas pela moagem. O ideal é que o pó seja composto de fragmentos grandes o suficiente para que os 1.800 componentes químicos do café não sejam completamente extraídos durante a passagem da água quente e, assim, a bebida não fique amarga.

Sabe-se que um pó de café muito fino costuma resultar em bebidas com sabor acentuado. Por outro lado, grãos pouco moídos podem deixar o cafezinho aguado. De acordo com a pesquisa, isso acontece porque, com a passagem da água, o café é extraído do pó em duas etapas – inicialmente, há um processo rápido pelo qual ele se desprende da superfície das partículas e, em seguida, ele é extraído, lentamente, do interior delas.

“A água flui mais rapidamente através de um café de moagem grossa, porque a água está gastando menos tempo em contato com o café, ajudando a reduzir a extração também”, afirmou William Lee, coautor da pesquisa e professor da escola de matemática da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, à rede britânica BBC. “Quando as partículas do pó são muito pequenas, é difícil para a água deslizar entre elas, então ela gasta mais tempo se movimentando ali – dando mais tempo para o café ser extraído. O resultado é uma bebida amarga.”

Outro fator, segundo os cientistas, que pode influenciar no sabor do café perfeito é a maneira como o pó de café é disposto no filtro quando misturado com a água quente. Inicialmente, o pó é depositado no fundo do filtro mas, conforme a água é adicionada, ele se desloca para as bordas e paredes. Segundo os matemáticos, essa camada “aumentada” de pó de café também influencia no sabor final da bebida.

O café ideal

A dica dos cientistas para fazer o café perfeito em casa é considerar todas as variáveis estudadas e calcular o tamanho ideal das partículas do pó, o modo como a água é colocada no filtro, além de considerar o tempo que a água quente permanece em contato com o pó de café. Para fazer seu café, Lee prefere moer o café em sua casa, com um moedor caseiro, e ajustar o tamanho das partículas do pó.

“Como exatamente você coloca a água dentro da cafeteira? Você a coloca com um único jato no centro, como água saindo da torneira? Ou você usa algo parecido como um chuveiro, onde há água pingando de vários lugares? Todas essas ações teriam efeitos diferentes ao mexer na camada de café”, afirmou Lee ao site britânico.

Aléx Viana

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a cultura de precedentes

Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

14 de fevereiro de 2025

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

 

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Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
 

Bispo

A vocação é graça e também missão.

No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...

A vocação é graça e também missão.

14 de fevereiro de 2025

A vocação é graça e também missão.

 

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No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José