quinta, 04 de junho, 2026
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Dom Antonino
4 de novembro de 2015
O anúncio dos primeiros Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, em Palmas – TO, me fez sonhar mais uma vez. Sonhar com um mundo de paz, em que as diferenças sejam respeitadas, e os direitos das pessoas garantidos.
Infelizmente, em nosso Estado, os ânimos estão cada vez mais acirrados. A insegurança jurídica continua gerando conflitos entre produtores rurais e comunidades indígenas. Recentemente foi aberta, na Assembleia Legislativa, uma CPI, visando investigar se o Conselho Indigenista Missionário – Cimi – não seria responsável por instigar os índios no sentido de uma retomada de terras que consideram suas. Poucos dias de pois, foi aprovada outra CPI, chamada do Genocídio, para apurar “ação/omissão do Estado de MS nos casos de violência praticados contra os povos indígenas no período de 2000 a 2015”. O teor das discussões e manifestações até agora divulgadas mostra bem o clima subjacente às CPIs. No fundo, ambas são iniciativas extremas diante da inércia do Poder Público, sobretudo federal, em resolver uma pendência constitucional que já se arrasta por décadas.
Tenho entabulado conversas com vários segmentos da sociedade sobre essa problemática: meus irmãos bispos, deputados, Ministério Público, produtores rurais de diversas procedências, movimentos sociais e sindicais com a presença de representantes indígenas ou indigenistas, autoridades em nível estadual e federal... O que percebo é uma revolta crescente, uma paciência já nos limites, particularmente entre índios e produtores rurais, todos ansiando por uma solução que nunca chega.
No dia 07 de outubro, foi realizado um Ato Ecumênico na Assembleia Legislativa, com a presença de representantes de várias Igrejas Cristãs e de outros organismos ecumênicos de diálogo e de serviço, movimentos sociais e sindicais e centenas de índios de várias partes do Estado. Na ocasião, foram ventiladas expressões, a meu ver, desastrosas, como: “a carne e a soja do Mato Grosso do Sul estão manchadas com o sangue de crianças indígenas”. Foi anunciado, com base nesse slogan, um boicote à produção pecuária e agrícola do Estado, que já contaria com o apoio de alguns organismos internacionais. É importante dizer que esta não é uma iniciativa da Igreja Católica, nem representa a posição dos bispos do Regional Oeste 1 da CNBB, que abrange todo o MS.
Alguns especialistas questionam o sucesso de um tal boicote. Pontuam que sua força será apenas política. Mesmo assim, a iniciativa, parece-me, só vem lançar mais lenha na fogueira. Em primeiro lugar, porque ela é injusta. São centenas de produtores rurais no Estado que nada têm a ver com os conflitos, já que sequer moram ou trabalham em áreas marcadas pela presença indígena. E conheço vários que, mesmo sofrendo a incerteza jurídica, que persiste por inércia do Poder Público, nunca apelaram para a violência, procurando resolver a questão pela via jurídica. Outros até já me disseram que estão dispostos a entregarem suas terras, pedindo apenas a indenização a que têm direito, já que não são invasores. Por outro lado, é inegável a situação de penúria, insegurança e insalubridade em que vivem centenas de índios em várias regiões do Estado, com consequências graves na vida desses povos, num flagrante desrespeito a seus direitos.
Certamente, existem líderes católicos que aderem a esse boicote, mas o fazem em nome próprio, ou de algum organismo que possam representar, mas não falam em nome da Igreja Católica em MS.
Investigações, seja da parte do Ministério Público, da Polícia Federal ou outros órgãos de inteligência são muito bem-vindas. Que sejam apuradas as responsabilidades pelas violências e pelo desrespeito às leis, venham de onde vierem. No entanto, repito o que sempre tenho declarado: o verdadeiro culpado não se encontra entre os missionários do CIMI, ou na Igreja Católica. A culpa também não está entre os índios, nem entre os produtores rurais. Quem está na raiz de todas essas décadas de violência e de desrespeito pelos direitos básicos da pessoa humana é o Poder Público, particularmente o Federal, único competente na matéria. O descumprimento da Constituição por mais de 30 anos provocou um verdadeiro conflito de direitos, não só em MS, mas também em várias outras unidades da Federação, e um crescente descrédito no poder público.
Os Jogos Mundiais de Palmas, repito, me fazem sonhar mais uma vez. É possível, ou melhor, é imperativo fazer algo de concreto para que a paz, o respeito pelos direitos e pela justiça sejam assegurados a todos. É urgente que as negociações sejam retomadas, com o envolvimento de todas as partes interessadas. E que Mato Grosso do Sul nunca deixe de ser uma “Terra de Deus, Terra de Irmãos” (Campanha da Fraternidade, 1986). Dom Dimas Lara Barbosa
Aléx Viana
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...
14 de fevereiro de 2025
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
Bispo
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...
14 de fevereiro de 2025
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José