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Dom Antonino

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Pescadores de homens

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23 de janeiro de 2015

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A PALAVRA
Evangelho segundo S. Marcos 1,14-20. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho. Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens”. Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus. 
A MENSAGEM
A Liturgia continua o tema do CHAMADO. A RESPOSTA do homem passa por um caminho de conversão pessoal e de identificação com Jesus. A 1ª Leitura apresenta o Profeta Jonas anunciando a Palavra do Senhor aos habitantes de Nínive. (Jn 3,1-5.10) Os ninivitas creram em Deus, acolheram o apelo de conversão, e provaram a misericórdia de Deus, que é oferecida a todos os povos... O Salmo nos ensina a caminhar guiados pela bondade e compaixão do Senhor. (Sl 25) A 2ª Leitura convida a colocar a esperança nos valores eternos, que proporcionam viver como ressuscitados, dedicados ao serviço do reino. (1Cor 7,29-31) No Evangelho, Jesus convida os primeiros discípulos a integrarem a sua comunidade. (Mc 1,14-20) O texto apresenta Jesus no início de sua vida pública, em povoados afastados e desconhecidos da Galiléia, meia pagã. É o resumo de toda a sua mensagem: Uma Afirmação: “O tempo já se completou… o Reino de Deus está próximo…”. Reino de Deus resume a esperança de Israel num mundo novo de Paz e de abundância, preparado por Deus ao seu Povo. Era um fato esperado há muito tempo pelo Povo de Deus. Agora o tempo da espera acabou. O Reino de Deus já chegou, ele já está presente, as promessas estão se realizando. Duas Condições para participar desse Reino: Convertei-vos… e crede no evangelho…”. Converter-se não quer dizer mudar de religião. Quer dizer mudar a mente e o coração, reformular os valores da vida, para que Deus ocupe nela sempre o primeiro lugar. É rever e remover em nós tudo aquilo que nos afasta de Deus e dos irmãos… Quem precisa de conversão? Só os outros? 
Crer no evangelho não quer dizer apenas conhecer o que está escrito num livro. Quer dizer aceitar Cristo e todos os valores que ele propõe para a nossa vida. É escutar a sua palavra e conformar a nossa vida aos seus mandamentos, que se resumem num só: O amor a Deus e ao próximo. E nós vivemos de fato o espírito do Evangelho? Um Convite: Para continuar e completar esse Reino, Cristo convida os primeiros quatro apóstolos e... hoje a todos nós: “Vinde comigo… farei de vós PESCADORES DE HOMENS”. Escolhe pessoas ignorantes, pobres, desconhecidas, grosseiras…, Poderia parecer mais lógico a nós, que a escolha recaísse sobre os sacerdotes de Jerusalém, sobre os fariseus e escribas, profundos conhecedores da Bíblia. E, no entanto, não…, a escolha foi outra! Por que? Deus não aparece na imponência dos fatos ou das pessoas, mas na humildade, na simplicidade, onde geralmente existe mais fé… Primeiramente ESTAR com ele e depois EVANGELIZAR em seu nome... O Chamado continua hoje: Cada um de nós recebeu e recebe continuamente esse chamado à conversão e a seguir Jesus. O texto é um Modelo de toda vocação cristã: É sempre uma iniciativa de Jesus dirigida a pessoas “normais”. Não aconteceu enquanto estavam rezando ou fazendo algo de extraordinário, mas enquanto estavam simplesmente exercendo a sua profissão. É sempre é radical e incondicional: O “Reino” deve ser um valor fundamental, a prioridade, o principal objetivo do discípulo para seguir Jesus e para se integrar à comunidade do Reino.  É um chamamento para aderir à pessoa de Jesus, para fazer com Ele uma experiência de vida, para aprender com Ele a ser uma pessoa nova 
  que vive no amor a Deus e aos irmãos. Exige uma resposta imediata, desapego e fidelidade. Esse chamamento é uma missão especial no mundo e na Igreja, confiada a todas as pessoas. Todos os batizados são chamados a serem discípulos de Jesus, a “converterem-se”, a “acreditarem no Evangelho”, a seguirem Jesus nesse caminho de amor e de dom da vida. Cristo continua dirigindo ainda HOJE o mesmo apelo: “Vinde após mim, farei de vocês pescadores de homens…” Se tivermos medo, se nos sentirmos incapazes para tanto, olhemos esses pescadores da galiléia… pobres e ignorantes, mas com uma generosidade sem limites… Largaram tudo e seguiram a Jesus… A nós também, ele continua exigindo a mesmas condição, para poder segui-lo: “Convertei-vos e crede no evangelho…” Quando percebemos o chamado de Jesus, o que tivemos de abandonar, que laços tivemos de romper para seguir Cristo? Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 25.01.2015
Notícias Diocesanas
06 a 08 de Fevereiro – Retiro Diocesano de Catequese no Emáus
13 a 15 de fevereiro – Retiro de Carnaval – Pastoral da Juventude – na Catedral São José
13 a 18 de fevereiro – Retiro Seminaristas Teologia – Emaús
20 a 22 de fevereiro – Encontro Dioc. Coord. Animadores e Mensageiros Grupos de Família, no Emáus

Aléx Viana

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a cultura de precedentes

Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

14 de fevereiro de 2025

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

 

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Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
 

Bispo

A vocação é graça e também missão.

No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...

A vocação é graça e também missão.

14 de fevereiro de 2025

A vocação é graça e também missão.

 

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No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José