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Dom Antonino
30 de abril de 2021
“Permanecei em mim” – Eu Sou a Videira!
PALAVRA - Evangelho de Jesus Cristo segundo João (Jo 15,1-8)
Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais frutos ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos. MENSAGEM - A Liturgia nos fala da UNIDADE profunda dos discípulos com o Ressuscitado, através da imagem da VIDEIRA verdadeira. Devem “permanecer” em comunhão de vida com Cristo e com a comunidade. Na 1a Leitura, PAULO narra a experiência do Caminho de Damasco para ser aceito na Comunidade. (At 9,26-31) Três anos após a sua conversão, Paulo vai a Jerusalém para se encontrar com Pedro e se integrar com a Comunidade. Lá o antigo perseguidor encontrou um clima de medo e de desconfiança. Mas ele não se decepcionou, nem se afastou da comunidade, pelo contrário, “permaneceu” unido a Cristo e à Comunidade. Cristianismo não é só um encontro pessoal com Jesus Cristo, é também uma experiência de partilha da fé e do amor com os irmãos. Quem são os “Paulos”, hoje? NÓS também, muitas vezes, podemos encontrar dificuldade para permanecer em comunhão com os irmãos de nossa comunidade: Diante das contrariedades, somos tentados a abandonar tudo… Nenhum motivo nos deve levar a renunciar à unidade… Quantas pessoas são vistas com reservas ou desconfiança na Comunidade e não encontram um “Barnabé” que acredite nelas! Sabemos acolhê-las com alegria e compreensão? Na 2a Leitura, João ensina que a nossa fé se manifesta através das obras de amor. (1Jo, 3,18-24) Permanecendo unidos a Cristo, circulará também em nós a sua vida (seiva). No Evangelho, Jesus afirma “Eu SOU a Videira Verdadeira”. (Jo 15,1-8) Essas palavras, numa ceia de despedida, representam o seu “Testamento”. Na Bíblia, a imagem da “Vinha” é muito frequente: Israel era considerado uma vinha plantada pelo próprio Deus, mas que não produziu os frutos esperados. E Deus, o vinhateiro, foi obrigado a abandoná-la, permitiu que fosse destruída… JESUS se apresenta como a “Videira verdadeira”, capaz de produzir frutos que Israel não produziu. Jesus é o tronco, nós somos os ramos e o Pai é o Agricultor. Ele cuida da videira, poda os ramos para produzirem mais. Os ramos secos ele corta e joga no fogo. Para dar FRUTOS, os “Ramos” precisam de DUAS COISAS (da Seiva e da Poda) 1) da Seiva da Videira, que é Cristo. “Sem mim nada podeis fazer”. O texto fala oito vezes em “permanecer em Cristo” e sete vezes em “dar frutos”. Se não “permanecermos” unidos a Cristo, recebendo essa seiva, nos tornaremos ramos secos e estéreis, que serão cortados e excluídos... Poderão ser eficazes os nossos trabalhos pastorais, sem a seiva dessa videira e o contato com Jesus, através da oração? 2) da Poda: Quem não viu já a poda de um parreiral?... As gotas até parecem lágrimas chorando de dor pela poda..., dolorosa..., mas necessária... “para dar mais fruto”. Sem a poda, poderá ter muita folha e pouco fruto... Aceitamos as podas? Quem são as tesouras? Deus, como trabalhador da vinha se encarrega de fazer a poda. A sua Palavra põe às claras as nossas limitações e falhas… e PODA nosso egoísmo, o orgulho, a vaidade, a falsidade, a ganância... As pessoas afastadas: com críticas duras e ásperas contra a Igreja… Não poderiam se tornar uma poda salutar, ainda que muito dolorosa? As pessoas participantes: por motivos pessoais, também podem “podar”... Sabemos aceitar com humildade e tranquilidade? Familiares: “Gostaria de atuar, mas o marido (ou esposa...) não deixa...” Poderíamos resumir a mensagem de hoje em três Palavras: Um Apelo: “Produzir frutos…” Uma Condição: “Permanecer unido a ele”. Para isso, precisa: Gastar tempo com ele. Nenhum trabalho, mesmo pastoral, justifica o abandono do encontro pessoal com Cristo, na Oração. Jesus nos adverte: “Sem mim NADA podeis fazer”. Devemos antes falar com Deus..., para depois falar de Deus... Alimentar a nossa espiritualidade com esta “seiva divina”, que é a graça de Deus, na escuta da Palavra, na prática sacramental... Uma Advertência: Cristão que não “permanece” com ele não dá frutos. Tornar-se-á então um “galho seco” que será cortado e jogado ao fogo... Isso acontece com aqueles que se separam de Cristo e da própria Comunidade Hoje, Cristo continua produzindo frutos, que agradam ao Pai, por meio dos cristãos de nossas comunidades, que “permanecem” sempre unidos a Cristo. Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa – 02/05/2021.
Aléx Viana
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...
14 de fevereiro de 2025
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
Bispo
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...
14 de fevereiro de 2025
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José