quinta, 04 de junho, 2026
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O Medo
PALAVRA – Evangelho Mateus 10:26-33
26Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se. 27O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutais ao ouvido pregai-o sobre os telhados. 28E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo. 29Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. 30E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. 31Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.
32Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. 33Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.
MENSAGEM - No domingo passado, vimos que Deus chama e envia inúmeras pessoas para realizar seu Plano de Salvação. As leituras bíblicas deste domingo falam das dificuldades que os discípulos encontrarão para serem fiéis a esse chamado, mas garantem também que o amor de Deus não os abandona. A 1a Leitura apresenta o drama vivido pelo profeta do JEREMIAS. Para ser fiel à sua missão, experimenta perseguição, solidão e abandono. No entanto não deixa de confiar em Deus. (Jr 20,10-13) No começo, teve medo e resistiu: “Vê, Senhor, que eu não sei falar, sou ainda menino”. E o Senhor não desiste: “Para onde eu te enviar, irás; e o que eu te mandar, falarás: não tenhas MEDO, pois eu estarei contigo para te livrar”. Acolhendo a ordem do Senhor, Jeremias vai a Jerusalém e diante do templo pronuncia um discurso violento: acusa as autoridades, desmascara suas trapaças e prediz a destruição do templo de Jerusalém. A reação foi imediata: foi preso incomunicável numa cruel prisão... Considerado um “Profeta da desgraça”, sentiu-se repudiado pelo povo e abandonado pela própria família... Aí surgem as “Lamentações de Jeremias”, que são verdadeiros desabafos do profeta na sua amargura. No entanto não deixou de confiar em Deus, e exclama: “Tu, Senhor, estás comigo”... Ele sabe que Deus nunca abandona aqueles que procuram testemunhar no mundo as suas propostas, com coragem e verdade. Na 2ª Leitura, Paulo afirma que para a salvação o essencial não é cumprir a Lei de Moisés, mas acolher a oferta de Salvação que Deus faz a todos por Jesus. (Rm 5,12-15) O Evangelho continua o “Sermão apostólico”. (Mt 10,26-33) São recomendações de Jesus ao enviar os apóstolos em Missão. Jesus repete três vezes: “não tenhais medo”. Pois quem tem medo não é mais livre. E aponta três tipos de medo: 1. Medo do fracasso (fiasco). Jesus Cristo garante: Apesar das provocações e dificuldades, a sua mensagem se difundirá e transformará o mundo...
2. Medo da morte: (maus tratos... ou a própria morte...) Jesus Cristo afirma que decisivo não é a morte física, mas perder a vida definitiva. 3. Medo pela sobrevivência (por causa da perseguição...): Jesus Cristo convida os discípulos a terem confiança na Providência de Deus. E ilustra a solicitude de Deus com duas imagens: Os pássaros de que Deus cuida e os cabelos, cujo número só Deus conhece... Se Deus cuida dos pássaros..., tanto mais dos discípulos do seu Filho... Não tenhais medo dos homens..., tende confiança em Deus! O Medo ainda nos acompanha: Por Medo, a pessoa se tranca dentro de seu pequeno mundo, cada vez mais se isola da sociedade. Por Medo, levanta muros protetores cada vez mais altos, criam-se condomínios mais fechados e seguros, como se isso resolvesse o problema do medo. Medo da doença..., do desemprego... (Qual o nosso maior medo?) O MEDO é também um grande impedimento ao anúncio do Evangelho e à sincera profissão de fé. Por Medo de serem criticados ou desprezados, muitos deixam de anunciar as maravilhas do Reino. Por Medo ou vergonha, muitos se omitem diante dos critérios em voga sobre amor e família, sexo e casamento, matrimônio e divórcio, vida e aborto, educação e liberdade, dinheiro e direitos humanos. E quando os princípios da moral cristã são taxados de antiquados, ficam assustados, confusos, desorientados... Será que vale a pena continuar remando contra a maré? E por medo ou vergonha, se calam... e cedem ao velho respeito humano... E o Evangelho encerra com: uma promessa: “Quem se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus.” E uma advertência: “Quem me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai, que está nos céus”. (vergonha...) Na Semana do migrante: “Quem se declarar a favor do migrante...” “Quem não se declarar a favor do migrante...” Qual a nossa atitude para os migrantes? acolhida... dando espaço e oportunidade ? A Palavra de Deus de hoje convida-nos a não ter medo. Convida-nos a ter a coragem das nossas ideias, a força da fé, a coragem do anúncio cristão, do testemunho... a intrepidez da verdade. Ele nos garante: “Não tenhais medo, eu venci o mundo”. E com ele também nós venceremos... Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 21.06.2020
Notícias Diocesanas
Aniversário 23 de junho – Ordenação Episcopal de Dom Antonino Migliore
Aléx Viana
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...
14 de fevereiro de 2025
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
Bispo
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...
14 de fevereiro de 2025
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José