quinta, 04 de junho, 2026
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PALAVRA – Evangelho segundo S. Marco 3,20-35
Jesus voltou para casa, e outra vez se ajuntou tanta gente que eles nem mesmo podiam se alimentar. Quanto seus familiares souberam disso, vieram para detê-lo, pois diziam: “Está ficando louco”. Os escribas vindos de Jerusalém diziam que ele estava possuído por Beelzebu e expulsava os demônios. Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino se divide internamente, ele não consegue manter-se. Se uma família se divide internamente, ela não consegue manter-se. Assim também, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, ele não consegue manter-se, mas se acaba... em verdade, vos digo: tudo será perdoado às pessoas, tanto os pecados como as blasfêmias que tiverem proferido. Aquele, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo nunca será perdoado...”. Isso, porque diziam: “Ele tem um espírito impuro”. Nisso chegaram a mãe e os irmãos de Jesus. Ficaram de lado de fora e mandaram chama-lo. Ao seu redor estava sentada muita gente. Disseram-lhe: “Tua mãe e teus irmãos e irmãs estão lá fora e te procuram”. Ele respondeu: “Quem é minha mãe: quem são meus irmãos?” e passando o olhar sobre o que estavam sentados ao seu redor, disse: “Eis minha mãe e meus irmãos! Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
MENSAGEM
Após os primeiros versículos (1,1-13) que introduzem e preparam o início da atividade pública de Jesus, segue a primeira seção do evangelho de Marcos (1,14-3,6). Aí encontramos Jesus que entra ‘de cheio’ no vivo da sua missão, anunciando o reinado de Deus, chamando os primeiros discípulos, curando os enfermos, acolhendo os pecadores, libertando do mal... tudo para dizer que a ação de Deus inaugura um tempo radicalmente novo e um futuro imprevisível. A sua palavra, suas ideias, seus gestos, o seu estilo de vida impressionam. De um lado, lemos, “muitos ficaram admirados e louvavam a Deus, dizendo: ‘Nunca vimos uma coisa assim!’” (2,12). De outro, “os fariseus, junto com alguns do partido de Herodes, faziam um plano para matar Jesus” (3,6). A perícope evangélica que a liturgia deste Domingo nos propõe, de certo modo, continua expressando a reação de uns e de outros frente à pessoa de Jesus. Ninguém consegue ficar indiferente diante dele: desde as pessoas mais simples até aos notáveis da sociedade do seu tempo. Com pinceladas de intenso colorido, o evangelista Marcos traça o retrato de Jesus e no-lo apresenta como um homem profundamente envolvido naquilo que faz, pouco tradicional, até mesmo inconformado, verdadeiro, e que se move no meio do seu povo com um espírito de liberdade nunca visto antes. Algumas questões que emergem do texto de Mc 3,20-35 e que poderiam ajudar-nos a refletir são as seguintes: ‘Estamos dentro ou do lado de fora daquela casa?’. ‘Estamos com Jesus ou contra Jesus?’. ‘Escutamos o seu chamado ou mandamos chamá-lo?’. ‘Seguimos a Jesus ou queremos que Ele nos siga?’. ‘De qual grupo fazemos parte: dos seus ‘parentes’ que, levados por bons sentimentos, saem para agarrá-lo, julgando que Jesus deveria ter um pouco mais de equilíbrio e de bom senso? Dos ‘mestres da lei’ que consideram verdadeiro somente o que é útil para manter as próprias certezas e falso o que as põe em discussão? Daqueles que, ‘sentados ao seu redor’, escutam a sua Palavra e o professam como o único Senhor de suas vidas?’. Poderia também sugerir-nos alguma reflexão o fato de os parentes de Jesus o considerarem ‘fora de si’ (3,21). ‘Fora de si’ porque, talvez, dedica muito do seu tempo com aqueles que ‘não contam’ e dos quais não poderá esperar retorno algum? Porque, havendo tantas qualidades, delas não tira proveito para si? Porque se descuida um pouco demais de si mesmo, até da própria saúde, dos negócios e do ‘bom nome’ da família? Porque, priorizando acima de tudo a vida, a dignidade da pessoa, ousa subverter a ordem estabelecida pela instituição religiosa? Porque se apaixonou totalmente pelo reinado de Deus e se põe completamente ao seu serviço? Porque põe o bem e a verdade antes e acima de qualquer outra possível vantagem? Porque...
Notícias Diocesanas
De 05-07 – Convivência do Neocatecumenato, no Emaús.
Nos dias 06 e 07 – Dom Antonino Visita as duas Paroquias de São Gabriel do Oeste
12 sexta-feira –Festa do S. Coração de Jesus. O Clero da Diocese de Coxim estará reunido em Costa-Rica.
Aléx Viana
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...
14 de fevereiro de 2025
Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
Bispo
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...
14 de fevereiro de 2025
No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José