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Como Zaqueu

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28 de outubro de 2022

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Como Zaqueu - O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido. - Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 19,1-10)
Naquele tempo, 1Jesus tinha entrado em Jericó e estava atravessando a cidade. 2Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e muito rico. 3Zaqueu procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois era muito baixo. 4Então ele correu à frente e subiu numa figueira para ver Jesus, que devia passar por ali. 5Quando Jesus chegou ao lugar,
olhou para cima e disse: "Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa". 6Ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria. 7Ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: "Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!" 8Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: "Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais". 9Jesus lhe disse: "Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. 10Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido". Palavra da Salvação, Glória a Vós Senhor!
MENSAGEM - Com freqüência, somos levados a olhar nas pessoas só os aspectos negativos... Como é o OLHAR DE DEUS?  Na Primeira Leitura, vemos o Olhar de Deus: "Os olhos de Deus são diferentes dos nossos". (Sb 11,22-12,2) O autor sagrado manifesta o seu espanto porque o castigo de Deus sobre os egípcios tinha sido moderado e benevolente. E encontra três razões para justificar essa benevolência de Deus: Primeiro Ele é paciente porque é grande e poderoso... Não se sente incomodado pelos atos dos que são pequenos e finitos. Daí resulta a tolerância e a misericórdia... Segundo: Ele não quer a morte do pecador, mas a sua conversão. Por isso: "Deus fecha os olhos" diante do pecado do homem, 
a fim de o convidar ao arrependimento. Terceiro: Deus ama todas as criaturas: Porque tudo é obra de suas mãos... Ele não está interessado em castigar os homens. Os próprios males não são "castigos de Deus". Servem até como remédio para que o homem ponha os pés no chão, reconheça seus pecados e enverede pelos caminhos da vida. Essa imagem do amor e da misericórdia de Deus deve nos impregnar e transparecer em gestos para com os nossos irmãos. Na Segunda Leitura, vemos o Olhar de Paulo. (2Tm 1,11-22) O Apóstolo lembra que Deus é o protagonista na salvação do homem. Deus está sempre no princípio, no meio e no fim... É ele quem anima e dá forças ao longo da caminhada; é ele quem nos espera no final do caminho, para nos dar a vida plena. A salvação não é uma conquista nossa, mas um dom de Deus No Evangelho vemos o Olhar de Jesus, no encontro com Zaqueu. (Lc 19,1-10) ZAQUEU é chefe dos Publicanos, um chefe de ladrões... Homem de "baixa estatura", pequeno, insignificante aos olhos dos homens, desprezado e rejeitado da comunidade... Este homem procurava "ver Jesus". O "Ver" indica aqui mais do que curiosidade, indica uma procura intensa de algo novo, uma ânsia de descobrir o "Reino", um desejo de fazer parte dessa comunidade de Salvação que Jesus anunciava. No entanto, o Mestre devia lhe parecer distante e inacessível, rodeado desses "puros" e "santos", que desprezavam os marginais como ele. O "subir num sicômoro" indica um desejo muito forte de encontro com Jesus, disposto a enfrentar até o ridículo ou as vaias da multidão. JESUS vai ao Encontro dele. Deixa o grupo dos "fiéis" e preocupa-se com o "pecador". Ergue os olhos e vê o "pequeno"... Chama-o pelo nome: Zaqueu ("puro"). Ele se auto convida: "Desce depressa... porque hoje preciso ficar em tua casa". A atitude de Jesus provoca uma REAÇÃO: A Multidão murmura escandalizada: "Foi hospedar na casa de um pecador". Zaqueu acolhe com alegria o hóspede... Prepara um "Banquete"... E, comovido, faz um pequeno discurso, em que manifesta a sua transformação. Está disposto a repartir os seus bens com os pobres e restituir quatro vezes mais o que tinha roubado... Zaqueu só se aquietou quando conseguiu VER JESUS e acolhê-lo em sua casa e em seu coração. CRISTO conclui: "Hoje entrou a salvação nesta casa..." Passos: Zaqueu deseja ver Jesus... e vai à procura; supera os obstáculos... Jesus percebe o interesse e vai ao encontro: Convida-se... Acolhido... Zaqueu abre as portas de seu coração... desce de pressa, acolhe Jesus e os pobres: a Salvação. Zaqueu só resolveu ser generoso após o encontro com Cristo e após ter feito a experiência do AMOR e da MISERICÓRDIA de DEUS. O amor de Deus não se derramou sobre Zaqueu depois de ele ter mudado. O que provocou a conversão de Zaqueu foi o amor de Deus, quando ainda era pecador. Converteu-se, quando se sentiu amado... Prova-se assim que o amor pode transformar o mundo e o coração dos homens. Hoje Cristo continua batendo à porta de nossa casa. Ele deseja cear conosco para nos libertar de tudo o que nos aprisiona e impede o nosso crescimento da vida de fé e de comunidade. Abrindo as portas de nossa casa para acolher Jesus, abrimos também os ouvidos e o coração ao anúncio da Boa nova. É esse Deus de amor que devemos anunciar com palavras e gestos. Só o amor gera amor e só com o amor conseguiremos transformar o mundo e o coração dos homens. Deus nos convida a amar todos os homens, inclusive os pecadores; mas nos chama a combater o pecado, que enfeia o mundo e destrói a felicidade do homem. Qual é o nosso Olhar para com os que se sentem excluídos e marginalizados até pelos "fiéis" de nossas Comunidade? Um olhar severo e feroz, como o do povo, que julga e condena? Ou um olhar meigo, como o de Jesus, que convida a celebrar num "Banquete", com muito amor e acolhida?
Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa -30.10.2022
 

Aléx Viana

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a cultura de precedentes

Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

14 de fevereiro de 2025

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

 

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Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
 

Bispo

A vocação é graça e também missão.

No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...

A vocação é graça e também missão.

14 de fevereiro de 2025

A vocação é graça e também missão.

 

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No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José