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Dom Antonino

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A SEMANA SANTA

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23 de março de 2018

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Queridos irmãos e irmãs,
chegamos também este ano à Semana Maior, chamada de ´santa´, porque nos apresenta os mistérios principais da nossa religião: a Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Desde o DOMINGO DE RAMOS, somos convidados, pela Liturgia da Igreja, a entrar – com Jesus – em Jerusalém. O que significa isso?
Significa fazer nosso o mistério de sofrimento e de amor de Jesus. Ele vai na Cidade Santa para cumprir o projeto do Pai: salvar a humanidade, morrendo na Cruz.
A maneira humilde (montado num jumentinho) da entrada está em sintonia com toda a sua vida: solidariedade e partilha. A não-violência, durante a Paixão é outro exemplo, para nós, que queremos um mundo diferente e melhor e esquecemos que ´a paz depende de nós´.
        5ª FEIRA  SANTA.
É o dia do amor, da Eucaristia e do sacerdócio.
“Amai-vos, como eu vos amei”. É o preceito que Jesus deixa aos seus discípulos.
E disso – como sempre – Ele nos dá o exemplo.
Antes de morrer, enquanto está ceando, lava os pés aos apóstolos, para ensinar que o amor é serviço humilde e desinteressado, atenção às necessidades dos irmãos, capacidade de dar a vida. Para ficar sempre conosco, Ele instituiu a Eucaristia. “Tomai, comei: isto é o meu Corpo”. “Eu estarei sempre convosco”. Assim, nas nossas Igrejas, nos nossos Tabernáculos, Ele está presente, como nosso Companheiro e amigo.
     “Fazei isto em memória de mim”: com estas palavras, Jesus instituiu o sacerdócio.
Se podemos participar do mistério da redenção, é porque Jesus deixou na terra os continuadores da sua obra: os sacerdotes. Eles têm o poder de perdoar os pecados, eles tornam presente Jesus nos nossos altares, eles presidem às celebrações e coordenam o trabalho do povo de Deus.
         6ª  FEIRA  SANTA.
É o dia da Morte de Jesus. É a entrega total de Jesus nas mãos do Pai, reconciliando com Ele a humanidade pecadora. Mas para fazer isso, quanto sofrimento! Jesus derramou até a última gota do seu sangue.
      Neste dia, paremos em adoração e agradecimento!
“Nós vos adoramos, Senhor Jesus e vos bendizemos, porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo”.
         SÁBADO  SANTO.
É o dia da espera. Os apóstolos e as mulheres do Evangelho – sendo dia de festa – ficaram parados, esperando o primeiro dia da semana para ir ao sepulcro e completar a obra da sepultura, feita às pressas na sexta. Nós também deveríamos nos recolher, para chegar à Vigília Pascal preparados.
        NOITE DE PÁSCOA.
É a Ressurreição de Jesus e a nossa. A solene Vigília nos apresenta, através de símbolos (fogo, luz, água) a realidade da vida nova. As leituras bíblicas nos colocam na grande história de amor de Deus para a humanidade.
Toda a Quaresma devia ser uma preparação a este momento, para renovar as Promessas batismais e caminhar com Jesus ,Homem novo , em novidade de vida.
Irmãos, se Cristo Ressuscitou, vale a pena acreditar num mundo melhor e lutar para que isso aconteça.

Dizer Páscoa é dizer passagem: 
da escravidão para a liberdade;
das trevas para a luz;
da Cruz para a Ressurreição;
dos conflitos para a paz.

Dizer Páscoa é dizer mundo novo:   
economicamente sustentável
socialmente solidário
politicamente democrático
economicamente justo
culturalmente irmanado  
religiosamente plural.

Para a nossa Coxim e Região, os meus votos de um futuro melhor e mais próspero, na união das forças e no respeito das competências.

FELIZ PÁSCOA PARA TODOS.
Dom Antonino Migliore 
 Bispo Diocesano.

Aléx Viana

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a cultura de precedentes

Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

14 de fevereiro de 2025

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

 

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Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
 

Bispo

A vocação é graça e também missão.

No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...

A vocação é graça e também missão.

14 de fevereiro de 2025

A vocação é graça e também missão.

 

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No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José