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A Lei e o Templo

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5 de março de 2021

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PALAVRA – Evangelho Jo 2,13-25 - 13E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 14E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. 15E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; 16E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda. 17E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorou. 18Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Que sinal nos mostras para fazeres isto? 19Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei. 20Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias? 21Mas ele falava do templo do seu corpo. 22Quando, pois, ressuscitou dentre os mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isto; e creram na Escritura, e na palavra que Jesus tinha dito. 23E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. 24Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia; 25E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem. MENSAGEM - Em nossas casas, costumamos limpar todos os dias. Assim mesmo, de vez em quando sentimos a necessidade de uma limpeza geral..., lavamos as paredes..., o teto..., os vidros..., para tirar o mofo que foi se acumulando... A Quaresma também é um tempo de purificação propício para renovar nossa vida cristã e purificar o nosso coração daquelas impurezas que foram se acumulando ao longo do tempo. As leituras bíblicas tratam de dois pontos fundamentais da religião judaica: a Lei de Deus e o Templo, que, com o passar do tempo, também estavam precisando de uma purificação... Cristo se apresenta como a nova Lei e o novo Templo. Na 1a Leitura Deus entrega a LEI, num contexto de êxodo e de Páscoa, como parte de uma Aliança. (Ex 20,1-17) É um momento fundamental na história da Salvação.
  Deus se apresenta desde o começo como Libertador: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou da escravidão do Egito” Os 10 mandamentos brotavam do amor de um Deus “Libertador”, que depois de ter libertado seu povo da escravidão material do Egito, queria libertá-lo também da escravidão moral das paixões e do pecado. Deus não deu as leis do Decálogo para serem um atentado contra a liberdade humana. Pelo contrário, para que os homens sejam livres e respeitem a liberdade dos outros. Os Mandamentos indicavam o caminho seguro para ser feliz e ser o Povo da Aliança, colaborador de Deus no Plano da Salvação… Mas Israel não foi fiel a esse compromisso: muitos abusos e desvios esvaziaram o verdadeiro sentido do decálogo… Era necessário restaurar a antiga Lei, completá-la, aperfeiçoá-la… sobretudo no sentido do amor e da interioridade…, libertando-a de todo formalismo. Precisava uma Nova Aliança, uma NOVA LEI. É o que Cristo veio realizar: “Não vim suprimir a Lei… mas completar, aperfeiçoar…” Na 2ª Leitura, Paulo afirma que seu projeto de Salvação passa pela morte na cruz: “Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (1Cor 1,22-25) A Cruz de Cristo pode parecer loucura e sinal de fraqueza. Todavia, Deus transformou a cruz em sabedoria e caminho de salvação. No Evangelho, Jesus se apresenta como o NOVO TEMPLO… (Jo 2,13-25) O Templo era um lugar muito sagrado para os judeus. Todo judeu devia ir ao templo ao menos uma vez por ano para oferecer um sacrifício a Deus. Estas ofertas para os sacrifícios faziam girar muito dinheiro..., e provocavam abusos e exploração. O gesto ‘VIOLENTO” de Cristo não é apenas zelo de purificação do templo. É anúncio da abolição do velho templo e do culto aí celebrado. O antigo templo já tinha concluído a sua função. Surgirá um novo templo, não construído de pedras e por mãos humanas, mas o “lugar da Presença” viva de Deus: JESUS CRISTO. Passamos do templo de pedra (projeto de Davi e realizado por Salomão) ao Templo sonhado pelos profetas (fonte de vida e luz para todos os povos), para chegar ao Senhor ressuscitado, o templo verdadeiro em quem Deus manifesta a sua glória em favor de todos os homens. Caminhamos todos para um “templo definitivo”, que se identifica com o mundo inteiro, quando esse se converte em casa do Pai, isto é, a casa onde todos os homens se reconhecem irmãos. Jesus nos convida a sermos templo no qual está presente Deus e nele se oferece um verdadeiro culto em espírito e verdade. Qual o Templo que devemos purificar? Nosso coração deve ser um sinal de Deus para os irmãos. Nossas comunidades devem dar testemunho da vida de Deus. A Igreja deve ser essa “Casa de Deus” onde as pessoas podem encontrar a proposta de libertação e de Salvação que Deus oferece a todos. O “Culto”, que Deus aprecia, deve ser uma vida vivida na escuta de suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos. Jesus purificou o templo de seus profanadores e nos convida a purificar também o templo de nosso coração. Qual a nossa atitude diante da Lei de Deus? É uma cerca que nos prende ou um caminho seguro para uma vida feliz? Qual o respeito que temos na casa de Deus... (antes, durante, depois…) Se Cristo voltasse hoje às nossas igrejas… o que aconteceria? A quem deveria expulsar com o chicote? A Campanha da Fraternidade nos lembra outro templo sagrado, profanado pelo orgulho religioso que levanta muros que produz divisões... Cristo deseja sua Igreja unida, num só coração e numa só alma...
A Liturgia deve nos levar a refletir sobre o ESPÍRITO com que vivemos a nossa religião: diante da Lei de Deus, nas práticas religiosas de nossa religião e no respeito à pessoa humana !… Só assim o nosso culto será realmente agradável a Deus! Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 07.03.2021

Aléx Viana

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a cultura de precedentes

Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

14 de fevereiro de 2025

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

 

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Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
 

Bispo

A vocação é graça e também missão.

No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...

A vocação é graça e também missão.

14 de fevereiro de 2025

A vocação é graça e também missão.

 

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No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José