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A Caminho de Jerusalém

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24 de junho de 2022

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A Caminho de Jerusalém - Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém. "Eu te seguirei para onde quer que fores". Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 9,51-62) - 51Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém 52e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram num povoado de samaritanos, para preparar hospedagem para Jesus. 53Mas os samaritanos não o receberam, pois Jesus dava a impressão de que ia a Jerusalém. 54Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: "Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?" 55Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os. 56E partiram para outro povoado. 57Enquanto estavam caminhando,
alguém na estrada disse a Jesus: "Eu te seguirei para onde quer que fores". 58Jesus lhe respondeu:
"As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça". 59Jesus disse a outro: "Segue-me". Este respondeu: "Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai".
60Jesus respondeu: "Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus". 61Um outro ainda lhe disse: "Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares". 62Jesus, porém, respondeu-lhe: "Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus". Palavra da Salvação, Glória a Vós Senhor!
MENSAGEM - Ao longo da História, Deus sempre chamou pessoas para realizar seus planos. A Liturgia de hoje ilustra esse fato com vários exemplos: Na Primeira Leitura, encontramos o Chamado de Eliseu:(1Rs.16b. 19-21) – Elias, já idoso e cansado, recebeu a ordem de Deus de consagrar com sucessor um rico agricultor chamado Eliseu. Elias desceu o monte e encontrou lavrando a terra. Passando junto dele, lançou-lhe às costas o manto. Com este gesto, Elias investia Eliseu na missão profética. A resposta foi generosa. Foi em casa, despediu-se dos pais, sacrificou a junta de bois e queimou o arado, que utilizava na profissão. ”Cortou todas as amarras” – para dar-se radicalmente ao projeto de Deus. Eliseu é um homem com uma vida normal a quem Deus chama, indo ao seu encontro na normalidade do trabalho diário, para lhe apresentar o seu desafio. Esse chamado de Deus chega até Eliseu através de Elias. Na Segunda Leitura afirma que o seguimento de Jesus é uma escolha LIVRE. Seguir Cristo ´nascer para a vida nova da Liberdade. (Gl. 5.1.13-18) O Evangelho encerra a etapa da missão de Jesus na Galileia e inicia a “Caminhada” para Jerusalém. (Lc. 9.51-62) É um itinerário espiritual, no qual Jesus vai mostrando os valores do Reino aos discípulos. Esse percurso converge para a cruz. E os discípulos são exortados a seguir o mesmo caminho. O texto apresenta a recusa dos samaritanos em acolher Jesus e três candidatos a Discípulos: A Recusa dos Samaritanos: Os samaritanos não aceitavam a atitude religiosa dos judeus que peregrinavam para Jerusalém, pois eles tinham o próprio templo. Por isso queriam impedir a sua caminhada. A Reação de Tiago e João foi rápida e violenta: “Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os consuma?” Jesus repreende a intolerância deles. O caminho de Jesus não passa pela força e pela violência. As comunidades cristãs continuam enfrentando hostilidades. O Discípulo não é chamado para lutar contra ninguém. Diante dessas hostilidades, não deve ter nem intolerância nem fanatismo. No Primeiro Chamado – Um desconhecido se oferece para segui-lo. A fama de Jesus o entusiasmava e satisfazia os seus interesses. A Resposta de Jesus foi desanimadora: “As raposas têm tocas, e as aves têm ninhos...” Para seguir Jesus não deve sonhar vida folgada, conforto. O discípulo deve despojar-se totalmente das preocupações materiais. Diante dessas palavras de Jesus, é possível aceitar atividades na comunidade para obter vantagens e privilégios? No Segundo Chamado – um desconhecido é convidado por Jesus a segui-lo: Ele aceita, mas pede para enterrar primeiro os pais. Jesus responde: ”Deixa que os mortos enterrem os seus mortos mas tu, vai anunciar o Reino de Deus.” Para seguir Jesus, o discípulo deve desapegar-se até dos deveres e obrigações, que impedem uma resposta imediata e radical ao reino. No Terceiro Chamado – um terceiro se apresenta a Jesus. E Jesus responde: “Segue-me”. Ele diz: Eu te seguirei (no futuro), mas...” Jesus acrescenta: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o reino de Deus”. O Discípulo deve ser LIVRE, sabendo se desapegar de tudo, até da família, para fazer do Reino a sua prioridade fundamental. Os três aceitaram o convite, mas a decisão foi parcial. Cristo exige de seus seguidores três qualidades: Disponibilidade pronta e total – Desprendimento renunciar seguranças humanas – Perseverança não voltar atrás. Cristo ainda hoje continua chamando, propondo aos seus seguidores o “caminho” de Jerusalém. É um caminho exigente que implica a renuncia a nós mesmos, aos nossos interesses, ao nosso orgulho, e um compromisso com a cruz, com a entrega da vida, com amor sem limites. Jesus desaprova atitudes de violência à oposição e à hostilidade do mundo, embora a Igreja, muitas vezes, tenha trilhado caminhos de fanatismo e intolerância... Na comunidade, podemos ser chamados a um SERVIÇO, mandato... Não será Elias... nem Jesus Cristo a nos chamar...
Deus poderá se servir de um fato, de uma necessidade, do convite de uma pessoa, para participemos de um retiro, para participar de um movimento ou de uma Pastoral. Qual é a nossa resposta aos convites, aos chamados de Deus? Será que de pode contar de fato com cada um de nós? 
“Ó Filho do Homem”, tomas a firme decisão de partir para a cruz. Uns não te acolhem; outros põem obstáculos ao teu projeto, No entanto, reafirmas a urgência de construir o Reino de Deus. Amém. Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa CS – 26 06 2022
 

Aléx Viana

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a cultura de precedentes

Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do...

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

14 de fevereiro de 2025

A queda de braço entre o andar de cima e o andar de baixo e a  cultura de precedentes

 

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Não se tem dúvida de que no Brasil impera o recrudescimento no âmbito penal, é por isso que o país tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com mais de 800 mil pessoas presas no sistema penitenciário.
A consequência desse punitivismo exacerbado está no crescente número de demandas judiciais nos Tribunais Superiores, para se ter uma ideia o STF julgou mais HCs nos últimos 15 anos do que nos 100 primeiros anos de sua existência. No ano 2000 o STF recebeu 970 HCs, já em 2023 recebeu 2.760. O STJ no ano 2000 recebeu 3.087, e, em 2023 recebeu 18.227 HCs. Portanto é inquestionável que a demanda dos Tribunais Superiores aumentou consideravelmente.
Esse aumento da demanda vem motivando muitas reclamações dos Ministros. Mas o problema não é a demanda em si, mas, sim, a causa dela. Não existe na nossa cultura jurídica uma cultura de respeito aos precedentes judiciais, vou além, não existe uma cultura de respeito a Constituição e ao Código de Processo Penal. Após 35 anos da promulgação da Constituição de 1988 ainda se discute nos Tribunais o direito da defesa ter acesso aos autos.
No Brasil os direitos e garantias fundamentais do ser humano não são respeitados, aqui se pratica uma prestação jurisdicional personalíssima, onde o juiz cria uma norma processual própria. Até as prerrogativas da advocacia são transgredidas todos os dias, inclusive pelo STF. Réu e Advogado são tratados como inimigos de Estado.
Mas qual a razão dessa cultura? Certamente a razão mais significativa é a aporofobia, o ódio do sistema em desfavor do pobre. É impossível visualizar os dados e não enxergar que a desigualdade social e a ignorância do povo são as maiores condicionantes da nossa situação atual.
A matéria penal mais tratada no âmbito jurisdicional é relacionada ao tráfico de drogas, nela podemos observar que somente 11,25% das prisões por tráfico advém de investigações prévias, 88,75% advém de prisão em flagrante, desse número 75% são realizados pela polícia militar, e, somente, 15,49% são realizados pela polícia civil. Em suma o sistema enxuga gelo através da polícia militar prendendo peão. (Sentenciando o tráfico: o papel dos juízes no grande encarceramento / Marcelo Semer. – 1.ed. – São Paulo : Trirant lo Blanch, 2019, p. 158/159)
Como o sistema penal mira somente o pobre, o que é inquestionável ao se observar os dados, vigora no país a ideia de que a vida do pobre não tem muito valor, é por isso que a regra em primeira e segunda instância é prender e deixar preso, é por isso que vigora a ideia de que os fins justificam os meios, em que os direitos e garantias fundamentais são relativizados em prol da punição.
É impossível não rememorar Victor Hugo em “O ÚLTIMO DIA DE UM CONDENADO”, que no prefácio se critica que a abolição da guilhotina ocorreu para salvar nobres, isto é, enquanto os guilhotinados eram pobres estava tudo bem: “Se a tivessem proposto, essa desejável abolição, não por conta de quatro ministros despencados das Tuileries em Vincennes, mas por conta do primeiro salteador vindo, por conta de um desses miseráveis que os senhores mal olham quando cruzam com eles na rua, a quem não dirigem a palavra, cujo convívio empoeirado evitam instintivamente, um desse miseráveis, cuja infância maltrapilha correu descalça por ruas lamacentas (...)”.
Assim, não há dúvida que estamos vivendo um choque entre a ideia classista e punitivista do andar de baixo e a ideia progressista do andar de cima. Enquanto o STJ e o STF não efetivamente solidificar a cultura de precedentes, vamos continuar nessa queda de braço, que as instâncias inferiores saem ganhando quando os ministros não deferem de plano a liminar, haja vista o tempo que leva o julgamento do mérito de um HC.
 

Bispo

A vocação é graça e também missão.

No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu...

A vocação é graça e também missão.

14 de fevereiro de 2025

A vocação é graça e também missão.

 

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No quinto domingo do Tempo Comum, a Diocese de Coxim viveu uma forte experiência vocacional. No Centro Emaús, local de retiro, formação e oração, aconteceu o Encontro Diocesano de Catequese, reunindo mais de 120 catequistas para um momento de aprendizado e preparação. Com alegria e fé, esses catequistas se fortaleceram espiritualmente para mais um ano de missão, especialmente no acompanhamento das crianças que iniciarão sua caminhada cristã.
Além desse encontro formativo, a diocese também celebrou vocações específicas ao ministério sacerdotal. Dois novos seminaristas, Matheus e Edgar, ingressaram no Seminário Propedêutico, em Dourados, dando o primeiro passo concreto em sua caminhada de discernimento. Já o seminarista Paulo Henrique recebeu a ordem do leitorado, um grau da ordem menor, fortalecendo ainda mais seu compromisso com a Igreja. Com a graça de Deus, vemos as vocações florescerem em nossa diocese, um sinal da presença amorosa do Pai que continua a chamar operários para sua messe.
A palavra “vocação” vem do latim vocatio, onis, que significa chamada ou convite. A vocação é um dom da graça divina, que se manifesta de forma sutil em nossos corações, como um sussurro do Senhor. No entanto, essa chamada exige uma resposta, um “sim” generoso e consciente. Embora a vocação seja uma iniciativa de Deus, cabe a cada um acolhê-la e cultivá-la com oração e discernimento. Como nos ensina a Lumen Gentium, “a vocação de todos os fiéis é um chamado à santidade dentro da Igreja”.
Muitas vezes, reduzimos a vocação apenas ao chamado sacerdotal, mas a Igreja nos ensina que há diversas vocações, todas essenciais para a edificação do Reino de Deus. Além da vocação presbiteral, temos a vida consagrada, o matrimônio e até mesmo os diversos ministérios leigos, como o serviço catequético. Cada um, segundo seu carisma, é chamado a testemunhar Cristo no mundo, respondendo ao chamado divino com generosidade e fidelidade.
Diante dessa riqueza vocacional, somos convidados a rezar pelas vocações e a incentivar aqueles que sentem o chamado de Deus. Assim como Jesus disse a Simão Pedro: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4), somos desafiados a confiar na vontade do Senhor e responder ao Seu chamado com coragem. E, para aqueles que hesitam, vale lembrar as palavras de Cristo: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5,10).
Que possamos, como comunidade de fé, ser um solo fértil onde as vocações possam germinar e dar frutos. Que a graça do Espírito Santo fortaleça todos os que disseram “sim” ao chamado do Senhor, para que possam servir com amor e dedicação na missão que lhes foi confiada.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José