sexta, 17 de julho, 2026

WhatsApp

(67) 99983-4015

Saude Mental

A+ A-

Vício em apostas leva jogadores de Mato Grosso do Sul à Justiça e acende alerta sobre doença

Icone Calendário

17 de julho de 2026

Icone Autor

Glenda Melo

Continue Lendo...

As apostas esportivas deixaram de ser apenas uma forma de entretenimento para se transformar em um dos maiores desafios de saúde pública e de proteção ao consumidor no Brasil. Em Mato Grosso do Sul, uma série de ações judiciais movidas por apostadores que alegam sofrer de ludopatia o transtorno do jogo compulsivo evidencia o crescimento de um problema que ultrapassa as perdas financeiras e alcança a saúde mental, as relações familiares e o endividamento extremo. 

Os processos revelam histórias de pessoas que afirmam ter perdido o controle sobre as apostas e acumulado prejuízos que chegam à casa das centenas de milhares de reais. Em comum, os autores sustentam que as plataformas identificaram sinais de comportamento compulsivo, mas, segundo as ações, não adotaram medidas suficientes para impedir a continuidade das apostas ou alertar os usuários sobre os riscos do vício. 

Um dos casos envolve uma moradora de Campo Grande que afirma ter apostado mais de R$ 560 mil em apenas quatro meses. Conforme o processo, a plataforma chegou a bloquear temporariamente sua conta após detectar um padrão de apostas considerado compulsivo. No entanto, o acesso foi restabelecido poucos dias depois e, segundo a defesa, a jogadora voltou a apostar de forma intensa, agravando sua situação financeira. 

Em outra ação, um apostador relata perdas superiores a R$ 100 mil e afirma que o vício desencadeou transtornos psicológicos, incluindo ansiedade, síndrome do pânico e transtorno afetivo bipolar. Já outro processo questiona prejuízos superiores a R$ 246 mil, enquanto um quarto caso aponta perdas próximas de R$ 286 mil em diferentes plataformas. 

Embora os valores chamem atenção, especialistas alertam que eles representam apenas a face mais visível de um problema muito maior. 

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno relacionado ao comportamento, a ludopatia é caracterizada pela incapacidade de controlar o impulso de jogar, mesmo diante de prejuízos financeiros, familiares, profissionais e emocionais. 

A doença costuma evoluir de forma silenciosa. O jogador passa a apostar com maior frequência, aumenta gradativamente os valores investidos, tenta recuperar perdas anteriores e acaba entrando em um ciclo que pode levar ao endividamento, ao isolamento social e ao agravamento de problemas de saúde mental. 

Em muitos casos, familiares são os primeiros a perceber mudanças no comportamento, como irritabilidade, mentiras sobre gastos, empréstimos frequentes, dificuldade para cumprir compromissos financeiros e abandono de atividades cotidianas. 

As ações judiciais apresentadas em Mato Grosso do Sul levantam uma discussão que ainda está sendo construída no Judiciário: até que ponto as plataformas de apostas podem ser responsabilizadas quando identificam sinais claros de comportamento compulsivo em seus usuários. 

Os autores sustentam que as empresas possuem mecanismos capazes de monitorar padrões de utilização e, por isso, deveriam adotar medidas preventivas diante de indícios de dependência, como bloqueios, alertas ou restrições temporárias. 

Por outro lado, a definição sobre eventual responsabilidade depende da análise individual de cada processo. Até o momento, não há decisões definitivas reconhecendo a obrigação das plataformas de ressarcir os valores perdidos nesses casos. 

O aumento da popularidade das apostas on-line, impulsionado pela intensa publicidade e pela facilidade de acesso por celulares, tem despertado preocupação entre profissionais da saúde mental. 

Psicólogos e psiquiatras observam crescimento na procura por atendimento de pessoas que perderam o controle sobre as apostas, especialmente entre adultos jovens. Além dos prejuízos financeiros, o transtorno costuma estar associado a quadros de ansiedade, depressão, conflitos familiares e comprometimento da vida profissional. 

Em Campo Grande, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) já registram atendimentos relacionados ao vício em apostas, demonstrando que o problema deixou de ser um fenômeno isolado para se tornar uma questão de saúde pública. 

Especialistas defendem que o enfrentamento da ludopatia exige uma atuação conjunta entre poder público, profissionais de saúde, plataformas de apostas e sociedade. 

A informação sobre os riscos do jogo compulsivo, o fortalecimento das políticas de saúde mental e a adoção de mecanismos eficazes de prevenção são apontados como caminhos para reduzir os impactos de um transtorno que, muitas vezes, permanece invisível até que as consequências se tornem irreversíveis. 

Enquanto os processos seguem em tramitação na Justiça, os casos registrados em Mato Grosso do Sul reforçam um alerta: por trás dos números milionários estão histórias de pessoas que perderam não apenas dinheiro, mas também estabilidade emocional, relações familiares e qualidade de vida. 

Saúde

SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

Fiocruz conclui transferência de tecnologia para produzir dolutegravir e aguarda aval da Anvisa para fornecer ao SUS.

SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

15 de julho de 2026

SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

 

Continue Lendo...

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o antirretroviral dolutegravir, principal medicamento usado no tratamento do HIV no Brasil, e aguarda a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar o fornecimento ao Sistema Único de Saúde (SUS), no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (15).

Transferência concluída e etapa regulatória

O dolutegravir é distribuído gratuitamente pelo SUS e é utilizado por mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV no país, segundo a Fiocruz.

O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa ligada à biofarmacêutica GSK. Em 2020, as instituições assinaram contrato com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) para nacionalizar progressivamente a produção e destiná-la ao SUS.

Investimentos e preparação da fábrica

Desde a assinatura do acordo, o Farmanguinhos realizou investimentos para adaptar sua planta fabril, adquirir equipamentos, capacitar profissionais e estruturar processos técnicos, regulatórios e operacionais para internalizar a produção.

De acordo com a Fiocruz, o processo foi concluído e o início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Anvisa.

Distribuição anterior e controle de qualidade

Desde 2022, o Farmanguinhos já distribui ao SUS o dolutegravir produzido em fábricas da GSK. Segundo a Fiocruz, mais de 739 milhões de cápsulas foram fornecidas à saúde pública nesse formato.

Em 2025, o instituto passou a assumir as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.

Lotes prontos e próxima etapa do acordo

Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo Farmanguinhos e, conforme a Fiocruz, poderão ser distribuídos ao SUS após a liberação da Anvisa.

Paralelamente, o instituto trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.

O acordo de transferência de tecnologia prevê ainda a internalização da produção do dolutegravir em combinação com lamivudina, formato também distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece no ano que vem, segundo a Fiocruz.

Recomendação internacional

O dolutegravir é utilizado no tratamento do HIV em diversos países e atua inibindo a enzima integrase, o que impede a replicação do vírus dentro das células de defesa do organismo. Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendá-lo como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.

Saúde

Nova insulina começa a chegar ao SUS e promete mais praticidade no tratamento do diabetes

Pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) começarão a contar, de forma gradual, com uma nova opção para o tratamento do diabetes. O...

Nova insulina começa a chegar ao SUS e promete mais praticidade no tratamento do diabetes

15 de julho de 2026

Nova insulina começa a chegar ao SUS e promete mais praticidade no tratamento do diabetes

 

Continue Lendo...

Pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) começarão a contar, de forma gradual, com uma nova opção para o tratamento do diabetes. O Ministério da Saúde iniciou a distribuição da insulina glargina, que substituirá progressivamente a insulina NPH para grupos específicos da população, com o objetivo de oferecer maior segurança e melhorar o controle da doença.

A nova estratégia contempla crianças e adolescentes entre 2 e 18 anos diagnosticados com diabetes tipo 1, além de pessoas com 70 anos ou mais que convivem com diabetes tipo 1 ou tipo 2. A mudança será implementada de forma escalonada em todo o país, conforme o abastecimento das redes estaduais e municipais de saúde.

De acordo com o governo federal, os primeiros lotes do medicamento já começaram a ser enviados aos estados. Milhares de canetas reutilizáveis e tubetes de insulina glargina estão sendo distribuídos, e a expectativa é de que todas as unidades da Federação recebam os insumos até o fim deste mês.

A oferta da insulina glargina ocorrerá nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), mas o acesso dependerá de avaliação médica. Caberá ao profissional de saúde verificar se o paciente atende aos critérios clínicos estabelecidos e emitir a prescrição para o novo tratamento.

Uma das principais vantagens da insulina glargina é sua ação prolongada. Diferentemente da insulina NPH, que geralmente exige duas ou mais aplicações diárias, a nova medicação costuma ser administrada apenas uma vez ao dia.

Além da praticidade, especialistas apontam que a glargina proporciona níveis mais estáveis de glicose no sangue ao longo das 24 horas, reduzindo oscilações e diminuindo as chances de episódios de hipoglicemia, condição caracterizada pela queda acentuada da glicose, que pode provocar tontura, desmaios e outras complicações.

Apesar da chegada da nova insulina, o Ministério da Saúde reforça que o sucesso do tratamento depende do acompanhamento regular nas unidades de saúde. A alimentação equilibrada, a prática de atividades físicas, o monitoramento da glicemia e o uso correto da medicação continuam sendo fundamentais para evitar complicações do diabetes.

Os pacientes que fazem uso de insulina não devem interromper ou alterar o tratamento por conta própria. A substituição será realizada somente após avaliação médica, respeitando as necessidades individuais de cada pessoa.