quinta, 04 de junho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Quando se fala em "TOC" (Transtorno Obsessivo Compulsivo), muitas pessoas acham graça ou pensam em alguém muito organizado ou de uma mesa impecável. Essa visão simplista pode parecer positiva ou confortável, mas definitivamente não é real. O TOC não é capricho ou gosto por limpeza: é, em essência, uma prisão interna constituída por pensamentos angustiantes (obsessões) e por rituais que visam reduzir essa angústia (compulsões). A pessoa não faz aquilo por prazer nem por perfeccionismo; faz porque sente (com imenso sofrimento) que é obrigada a fazer.
Na clínica, se vê de todos os tipos: do paciente que lava as mãos até a pele ferir, mas até situações menos óbvias, como quem tem pensamentos fixos sobre um tema... E ambos são igualmente sofridos e é sobre isso que precisamos falar, porque quando os sintomas são invisíveis amplia a solidão e dificulta a busca por tratamento.
Na prática, obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens mentais intrusas e recorrentes que causam angústia: medo de ter contaminado alguém, imagens violentas que surgem na cabeça sem contexto, dúvidas persistentes sobre ter feito algo errado, pensamentos blasfemos que ferem a fé da pessoa e etc. É importante lembrar que esses pensamentos não refletem o desejo real da pessoa, ao contrário, muitas vezes a horrorizam (e podem acabar desencadeando sentimentos de culpa ou inferioridade).
Já as compulsões são as respostas ou desdobramentos destes mecanismos mentais: rituais repetitivos (lavar, checar, ordenar), rituais mentais (contar, repetir frases, rezas internas), pedidos constantes de confirmação, evitamento de situações, revisão mental de eventos para “ter certeza” de que nada ruim aconteceu. E há formas ainda mais ocultas: reorganizar e reescrever textos até “soarem certo”, revisar mentalmente conversas, cancelar e refazer ações na cabeça (comportamentos que consomem horas, mas não deixam marcas externas fáceis de notar).
Ou seja, trata-se de um mecanismo complexo, onde pensamentos ou imagens mentais automáticas (tal como a crença de que alguém pode entrar em casa), faz com que desencadeie o comportamento de checar se as portas e janelas estão todas fechadas. Ou a crença de ser grosso com alguém e essa pessoa não gostar de mim, faça com que revise todos os diálogos do dia, procurando onde possa ter sido ríspido ou dito algo que desagradou.
Esses exemplos mostram que o TOC pode se manifestar por meio de rituais mentais e verificações invisíveis e é justamente isso que confunde familiares, colegas e até profissionais pouco familiarizados com o quadro.
Sem tratamento adequado, o TOC tende a cronificar e prejudicar áreas essenciais da vida. Pessoas perdem empregos, abandonam cursos, evitam relacionamentos íntimos, sofrem isolamento social. A sobrecarga de rituais resulta em fadiga crônica, sono prejudicado e agravamento de ansiedade e depressão. Em casos severos, aumenta o risco de ideação suicida, não por presumível desejo de “fugir do transtorno”, mas pelo cansaço de conviver com ele.
Além disso, a família frequentemente se “acomoda” nos rituais ou se acostuma com aquilo (faz junto os rituais ou responde os pensamentos repetitivos) o que alivia momentaneamente a angústia do portador, mas reforça o ciclo e retarda a melhora. Para muitas pessoas, a vergonha impede falar sobre o problema ou mesmo o medo do julgamento (superar os preconceitos é sempre o primeiro passo).
A boa notícia é que há tratamento eficaz. A psicoterapia além de suporte e psicoeducação sobre o tema, pode expor a pessoa de modo gradual e controlado às situações que provocam a obsessão e aprende a resistir às compulsões e adotar outras estratégias para lidar com o impulso, diminuindo a ansiedade ao longo do tempo. Além da psicoterapia, medicamentos podem ser necessários, principalmente em casos resistentes ou com os sintomas mais agudos.
O tratamento exige tempo e dedicação, mas os ganhos costumam ser substanciais: menos horas ocupadas com rituais, retomada de trabalho e vínculos, redução da vergonha e crescimento da autonomia.
Se você está vivendo isso, algumas orientações práticas ajudam enquanto busca tratamento: reconhecer que os pensamentos obsessivos são intrusivos e não definem sua moralidade (não se culpe por ter); nomear o comportamento (é TOC, não “frescura”); evitar pedir ou receber confirmações que alimentam o ritual; e buscar um profissional com os conhecimentos necessários para conduzir o tratamento (psicólogo ou psiquiatra).
Para familiares e amigos, o convite é duplo: acolher o sofrimento sem reforçar os rituais. A compaixão coerente envolve limites firmes: a ajuda que sustenta também é a ajuda que não alimenta o transtorno.
5 Sinais de Alerta do TOC
1. Pensamentos intrusivos e angustiantes — ideias repetitivas que a pessoa rejeita, mas não consegue expulsar definitivamente.
2. Rituais comportamentais ou mentais — ações (lavar, checar, organizar) ou rituais mentais (contar, repetir, revisar) que aliviam a ansiedade apenas temporariamente.
3. Consciência do exagero, mas sensação de incapacidade — “sei que é irracional, mas não consigo parar”.
4. Comprometimento funcional — rituais consomem tempo e prejudicam trabalho, estudos ou relações.
5. Sofrimento intenso — vergonha, isolamento, humor deprimido ou ansiedade elevada associada às obsessões/compulsões.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.
Saúde
Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.
2 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).
Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.
De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã.
Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.
O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.
Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.
Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.
Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.
O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.