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TOC: Mania ou Adoecimento?

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3 de outubro de 2025

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Renan Maia

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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi

Quando se fala em "TOC" (Transtorno Obsessivo Compulsivo), muitas pessoas acham graça ou pensam em alguém muito organizado ou de uma mesa impecável. Essa visão simplista pode parecer positiva ou confortável, mas definitivamente não é real. O TOC não é capricho ou gosto por limpeza: é, em essência, uma prisão interna constituída por pensamentos angustiantes (obsessões) e por rituais que visam reduzir essa angústia (compulsões). A pessoa não faz aquilo por prazer nem por perfeccionismo; faz porque sente (com imenso sofrimento) que é obrigada a fazer.


Na clínica, se vê de todos os tipos: do paciente que lava as mãos até a pele ferir, mas até situações menos óbvias, como quem tem pensamentos fixos sobre um tema... E ambos são igualmente sofridos e é sobre isso que precisamos falar, porque quando os sintomas são invisíveis amplia a solidão e dificulta a busca por tratamento.
Na prática, obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens mentais intrusas e recorrentes que causam angústia: medo de ter contaminado alguém, imagens violentas que surgem na cabeça sem contexto, dúvidas persistentes sobre ter feito algo errado, pensamentos blasfemos que ferem a fé da pessoa e etc. É importante lembrar que esses pensamentos não refletem o desejo real da pessoa, ao contrário, muitas vezes a horrorizam (e podem acabar desencadeando sentimentos de culpa ou inferioridade).
Já as compulsões são as respostas ou desdobramentos destes mecanismos mentais: rituais repetitivos (lavar, checar, ordenar), rituais mentais (contar, repetir frases, rezas internas), pedidos constantes de confirmação, evitamento de situações, revisão mental de eventos para “ter certeza” de que nada ruim aconteceu. E há formas ainda mais ocultas: reorganizar e reescrever textos até “soarem certo”, revisar mentalmente conversas, cancelar e refazer ações na cabeça (comportamentos que consomem horas, mas não deixam marcas externas fáceis de notar).


Ou seja, trata-se de um mecanismo complexo, onde pensamentos ou imagens mentais automáticas (tal como a crença de que alguém pode entrar em casa), faz com que desencadeie o comportamento de checar se as portas e janelas estão todas fechadas. Ou a crença de ser grosso com alguém e essa pessoa não gostar de mim, faça com que revise todos os diálogos do dia, procurando onde possa ter sido ríspido ou dito algo que desagradou.
Esses exemplos mostram que o TOC pode se manifestar por meio de rituais mentais e verificações invisíveis e é justamente isso que confunde familiares, colegas e até profissionais pouco familiarizados com o quadro.


Sem tratamento adequado, o TOC tende a cronificar e prejudicar áreas essenciais da vida. Pessoas perdem empregos, abandonam cursos, evitam relacionamentos íntimos, sofrem isolamento social. A sobrecarga de rituais resulta em fadiga crônica, sono prejudicado e agravamento de ansiedade e depressão. Em casos severos, aumenta o risco de ideação suicida, não por presumível desejo de “fugir do transtorno”, mas pelo cansaço de conviver com ele.
Além disso, a família frequentemente se “acomoda” nos rituais ou se acostuma com aquilo (faz junto os rituais ou responde os pensamentos repetitivos) o que alivia momentaneamente a angústia do portador, mas reforça o ciclo e retarda a melhora. Para muitas pessoas, a vergonha impede falar sobre o problema ou mesmo o medo do julgamento (superar os preconceitos é sempre o primeiro passo).


A boa notícia é que há tratamento eficaz. A psicoterapia além de suporte e psicoeducação sobre o tema, pode expor a pessoa de modo gradual e controlado às situações que provocam a obsessão e aprende a resistir às compulsões e adotar outras estratégias para lidar com o impulso, diminuindo a ansiedade ao longo do tempo. Além da psicoterapia, medicamentos podem ser necessários, principalmente em casos resistentes ou com os sintomas mais agudos.
O tratamento exige tempo e dedicação, mas os ganhos costumam ser substanciais: menos horas ocupadas com rituais, retomada de trabalho e vínculos, redução da vergonha e crescimento da autonomia.


Se você está vivendo isso, algumas orientações práticas ajudam enquanto busca tratamento: reconhecer que os pensamentos obsessivos são intrusivos e não definem sua moralidade (não se culpe por ter); nomear o comportamento (é TOC, não “frescura”); evitar pedir ou receber confirmações que alimentam o ritual; e buscar um profissional com os conhecimentos necessários para conduzir o tratamento (psicólogo ou psiquiatra).
Para familiares e amigos, o convite é duplo: acolher o sofrimento sem reforçar os rituais. A compaixão coerente envolve limites firmes: a ajuda que sustenta também é a ajuda que não alimenta o transtorno.

5 Sinais de Alerta do TOC

1. Pensamentos intrusivos e angustiantes — ideias repetitivas que a pessoa rejeita, mas não consegue expulsar definitivamente.

2. Rituais comportamentais ou mentais — ações (lavar, checar, organizar) ou rituais mentais (contar, repetir, revisar) que aliviam a ansiedade apenas temporariamente.

3. Consciência do exagero, mas sensação de incapacidade — “sei que é irracional, mas não consigo parar”.

4. Comprometimento funcional — rituais consomem tempo e prejudicam trabalho, estudos ou relações.

5. Sofrimento intenso — vergonha, isolamento, humor deprimido ou ansiedade elevada associada às obsessões/compulsões.

Saúde/Coxim

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

25 de julho de 2026

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

 

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Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.

A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.

Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.

O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.

As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.

Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.

A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.

A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.

Saúde

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

24 de julho de 2026

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

 

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A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.

A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.

Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.

Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.

Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.

Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.

Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.

O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.

Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.

A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.

Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.

Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.

O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.

Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.

A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.