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Suicídio, quando ecoa o pedido de socorro

É triste e esgotador lutar contra isso, mas é uma realidade social que não podemos ignorar. Assim, apesar dos avanços da ciência, o inconsciente moderno que envolve nossa sociedade ainda pensa que os problemas emocionais e psicológicos são sinônimos de fragilidade e vulnerabilidade.

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10 de maio de 2017

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Danielle da Silva

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Os problemas emocionais não são uma escolha, e ninguém deseja atravessar uma depressão nem passar por momentos de ansiedade. Eles simplesmente podem surgir, após um período de acúmulo de situações e circunstâncias complicadas em nossas vidas.

Existe uma falsa crença de que ansiedade e depressão são sinais de fraqueza e da incapacidade diante da vida. Mas não, uma pessoa com ansiedade, depressão ou sintomas mistos NÃO está louca e nem tem uma personalidade fraca ou inferior aos outros. Tampouco são consequências de escolhas pessoais. Não podemos decidir se queremos ou não que essas condições nos acompanhem.

É triste e esgotador lutar contra isso, mas é uma realidade social que não podemos ignorar. Assim, apesar dos avanços da ciência, o inconsciente moderno que envolve nossa sociedade ainda pensa que os problemas emocionais e psicológicos são sinônimos de fragilidade e vulnerabilidade.

Por isso dado que a depressão e ansiedade não são contempladas como feridas que precisam de atenção, é comum ouvir discursos circulares com argumentos do tipo “relaxe”, “não é para tanto”, “comece a se mexer, a vida não é isso”, “você não tem razão para chorar”, “comece a amadurecer”, “é vida que segue”, “levanta a cabeça”, etc.

São comuns, não é verdade? De fato, é provável que em algum momento tenhamos sido vítimas ou até proferido este tipo de discurso.

Por isso é fundamental realizar um exercício de conscientização e dar à dor emocional a importância que ela tem e merece. Assim, da mesma forma que não iríamos ignorar a dor causada por fortes pontadas no estômago ou por uma enxaqueca terrível, não deveríamos ignorar a dor emocional.

Não podemos esperar que estas feridas emocionais se curem sozinhas, devemos trabalhar para extrair delas o significado presente em seus sintomas. Ou seja, devemos consultar um psicólogo que nos ajude e nos proporcione estratégias para fazer frente a esta grande dor emocional causada pela ansiedade e pela depressão.

A jornalista Danielle Santos conversou com a psicóloga Rosangela Garcia, especialista em Terapia Cognitiva, para que pudéssemos entender um pouco sobre a depressão, muitas vezes desencadeada pela ansiedade. A especialista classifica a ansiedade como o mal do século, e é o que leva a depressão. Segundo Rosângela, existem dois tipos de depressão: A endógena – quando falta uma substância chamada ‘Serotonina’ no organismo, sendo preciso ingerir medicamento que vai fazer a produção dessa substância. Não precisa ter acontecido nada exteriormente pra que a pessoa fique deprimida. E a depressão exógena – que desencadeia quando acontece alguma coisa ruim, e as pessoas vão selecionando esses acontecimentos ruins que acontecem com elas, e as coisas neutras, as coisas boas, elas acabam não prestando atenção.

“O indivíduo vai formando crenças negativas em relação a vida dele, o que vai fazendo com que cada vez mais ele fique com a autoestima baixa, cada vez mais inseguro, cada vez mais improdutivo, e algumas coisas negativas que acontece no cotidiano dessa pessoa, se confirma por conta do comportamento, o que chamamos de profecia auto-realizante”.

Outra pontuação feita pela psicóloga é que, a pessoa precisa ‘se conhecer’, entender como ela pensa, como ela interpreta, não é o que acontece com a gente que nos faz ficar triste, é como a gente entende isso. E quando falta a serotonina no organismo, a pessoa fica muito mais vulnerável. 

Sobre o que leva ao suicídio
Rosangela Garcia explica que o que mais leva a pessoa a atentar contra sua vida, não é a doença depressão, é o problema, o sintoma de um transtorno. Nesse caso o médico psiquiatra é indispensável, nenhum outro médico o substitui. É esse especialista que tem todo o conhecimento sobre tipo de transtorno de personalidade, quais comportamentos que a pessoa tem, que se enquadra em qual tipo de transtorno. Porque a depressão passa a ser um sintoma e não uma doença.

“Existe a depressão doença, a depressão que vem da ansiedade. Nós estamos em um mundo, onde tudo acontece muito rápido, a globalização, a internet, tudo acontece ao mesmo tempo, onde nós temos a obrigação de sermos vencedores, e muitas vezes acabamos passando isso para nossos filhos, de sermos destaque e a concorrência é muito grande. Então a ansiedade em cima disso, da sobrevivência, do destaque, do sucesso, e a expectativa que se cria sobre si mesmo, ela é tão real, que a pessoa começa a ser mais do que ela pode, mais do que você tem pra dar. Aí vem as comparações com pessoas que estão mais preparadas, e a pessoa não percebe que está fazendo uma comparação injusta. Aí vem uma série de erros, de pensamentos cognitivos, que vão comprovando que você é um fracasso, que você não consegue. Ela não enxerga que ela tem o limite dela, que teve a cultura dela, que a educação que ela teve foi diferente, mas ela quer concorrer, ela quer se destacar, aí se frustra, criando expectativas de si e muitas vezes expectativa dos outros”.

A ansiedade é quando você quer prever o futuro, e aquilo que a pessoa espera, não acontece. Aí vem uma frustração, outra frustração, que vai levando ela acreditar que é incapaz, ou inadequada, “não são tão bom quanto”, “não pertenço a esse meio”, ou que ela não seja amada, acha que não consegue ter um relacionamento porque não merece o amor de ninguém e assim vai. A pessoa começa a se martirizar sobre esses problemas, achando que a vida dela não tem solução… E o motivo que leva ao suicídio é a falta de esperança…
“Se eu não vejo uma luz no fim do túnel, como é que eu vou resolver. Mas a pessoa que atenta ou quer atentar contra a vida, ela não quer morrer, ela quer acabar com o problema, aí na cabeça dela, a saída é a morte”.

Quem comete suicídio dá sinais o tempo todo
A especialista explica que os principais sinais estão no comportamento, como por exemplo, sair com os amigos, fazer um simples programa familiar, coisas que dão prazer, a pessoa começa a deixar de fazer isso. Outros sinais que temos que nos atentar são para os verbais.

“Nós que estamos de fora, vemos os sinais como desabafos: ‘eu não aguento mais’, ‘estou de saco cheio’, ‘eu vou sumir’, ‘quero desaparecer’, ‘a vida não tem mais sentido pra mim’, ‘quero dormir e não acordar nunca mais’, ‘quero tomar um remédio e ficar meses dormindo e quando eu acordar, tudo ter passado’. Temos que estar atentos e não levar como um simples desabafo”.
A pessoa antes de cometer suicídio ela deprime, porque nada dá certo, e isso toma conta dela, que ela nem percebe o que deu certo, e o que acaba dando errado ‘ela confirma’. E isso vai deixando a pessoa cada vez mais frustrada, se sentindo incapaz e acaba cometendo o suicídio, para dar uma ‘solução’ para o problema.É uma situação de desespero, muitas vezes relacionadas a um transtorno mental…
“Precisamos entender que o transtorno mental não é frescura, não é bobagem e que o suicídio realmente pode ser evitado, que existem medicações que podem ajudar na depressão e outros fatores que aumentam a chance de uma pessoa se suicidar”.

A importância da ajuda profissional
Rosangela reforça que casos de pessoas que passam pelo problema e procuram ajuda profissional, tem índice relativamente baixo de suicídio, apesar de todo o sofrimento que envolve os pacientes.

“Entender que a vontade de se matar é uma questão de saúde, é importante para que a pessoas busquem ajuda. Se elas estão bem informadas em relação ao que é o suicídio, elas conseguem entender e aí se informar sobre como buscar ajuda”.

Diante disso, a psicóloga menciona que os profissionais de saúde conseguem fazer uso de diversos dispositivos que praticamente impedem a pessoa de cometer o suicídio. Outra ajuda importante é a espiritual. Não importa sua religião, mas as igrejas de Aquidauana e Anastácio oferecem ajuda para quem está disposto a vencer a depressão. Em Aquidauana, a Igreja Avivamento de Deus tem grupos de ajuda e cultos motivadores, é só chegar, participar e não ter vergonha de procurar a Pastora Márcia e relatar seu problema, ela e os fiéis da Avivamento estão pronto a dar uma palavra de fé, uma palavra amiga e junto com você, vencer essa depressão. A Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, conhecida como Igreja Matriz também tem uma equipe jovem, liderada pelo Padre Sérgio, cheios de boa vontade e com muitas atividades e encontros de encher os olhos de esperança. 

(A psicóloga Rosangela Garcia, entrevistada é formada pela Universidade Católica Dom Bosco, com especialização em Terapia Cognitiva para adolescentes e adultos, pelo ITC de São Paulo e atende às segundas e sextas-feiras em Aquidauana. Para maiores informações, pode entrar em contato com a profissional pelo telefone (67) 9983-3779.)

Saúde

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

  As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

4 de junho de 2026

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

 

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As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.

A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.

De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.

Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.

A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.

A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.

Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.