quinta, 04 de junho, 2026
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A solidão pode aumentar em 40% o risco de um indivíduo desenvolver demência, alerta estudo publicado no periódico The Journals of Gerontology: Série B. Segundo pesquisadores, pessoas solitárias têm maior probabilidade de apresentar outros fatores de risco para doenças neurodegenerativas, como depressão, hipertensão e diabetes, além de estarem mais propensos a fumar e serem adeptas ao sedentarismo. Os resultados mostraram que o risco é semelhante para diversos grupos – independente de gênero, educação, raça e etnia. A pesquisa ainda destacou que o sentimento de solidão – muito mais do que o isolamento social – é o que de fato contribui para o declínio cognitivo.
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a demência é uma “síndrome na qual acontece deterioração da memória, do pensamento, do comportamento e da capacidade de realizar atividades cotidianas”, sendo uma das principais causas de incapacidade e perda de independência entre idosos. Números recentes indicam que cerca de 50 milhões de pessoas em todo mundo convivem com a doença; os novos diagnósticos atingem a casa dos 10 milhões por ano. De acordo com o Daily Mail, existem diversos tipos da doença, dos quais o Alzheimer é o mais comum. Apesar de algumas pessoas apresentarem uma combinação de tipos, cada uma experimentará o problema de maneira única.
O estudo, realizado pela Universidade Estadual da Flórida (FSU), nos Estados Unidos, analisou dados de 12.030 pessoas com 50 anos ou mais ao longo de dez anos. As informações foram coletadas através do Estudo sobre Saúde e Aposentadoria, uma pesquisa longitudinal patrocinada pelo governo americano. Por meio de entrevistas por telefone (feitas a cada dois anos ao longo da pesquisa), os participantes realizaram avaliações de capacidade cognitiva (nas quais baixas pontuações são indicativo de demência): do total geral avaliado, 1.104 pessoas desenvolveram o problema. A análise ainda considerou medidas de solidão, isolamento social e uma série de fatores de risco, incluindo comportamentais, clínicos e genéticos.
Isolamento social x solidãoO isolamento social está relacionado a quantidade de contato social que temos com outros indivíduos. Já a solidão diz respeito a como nos sentimos, independente de estarmos sozinhos ou acompanhados. “[A solidão] é um sentimento de que você não se encaixa ou não pertence às pessoas ao seu redor”, explicou. De acordo com a especialista, uma pessoa que vive sozinha e tem poucos contatos pode se sentir menos solitária (ou sequer se sentir assim) do que alguns indivíduos mais socialmente engajados.
Isso acontece porque existe uma diferença na necessidade interna de socialização: no primeiro caso, existe a sensação de pertencimento, mesmo com pouca interação social, o que não ocorre no segundo, uma clara demonstração de baixo nível de isolamento, mas alto na solidão. Para a equipe, essa separação semântica é importante, pois uma falha em diferenciar o isolamento social e os sentimentos de solidão pode não detectar o impacto na saúde física e mental em idosos.
Fator de risco modificávelSegundo o Medical News Today, depois de determinar que a solidão independe do isolamento social e excluir todos os outros fatores de risco para demência, os pesquisadores descobriram que os participantes que se sentiam mais solitários tinham 40% maior probabilidade de apresentar a doença nos dez anos seguintes. O motivo para este resultado poderia estar nas inflamações causadas pelo sentimento negativo. Segundo estudo publicado no ano passado na revista Neurology, indivíduos que apresentam inflamação na meia idade estão mais propensas a sofrer de retração cerebral, considerado um precursor do problema neurodegenerativo.
Além disso, a equipe considera outras duas hipóteses: comportamentos danosos, como beber, fumar e ser sedentário – provocados pela solidão – como fator de risco para a doença; e menor função cognitiva como consequência da pouca interação social.
Qualquer que seja a causa da elevação dos riscos, Angelina destaca que o principal fator pode ser modificado. “A solidão é um sinal de que nossas necessidades não estão sendo atendidas, e isso é algo que podemos mudar”, destacou no relatório.
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.