quinta, 04 de junho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Tenho percebido, no consultório e fora dele, que dormir bem tem se tornado quase um luxo. As pessoas dormem pouco, dormem mal e ainda se orgulham de “render com quatro horas de sono”. A rotina acelerada, o excesso de estímulos e a cultura da produtividade transformaram o descanso em algo secundário, como se fosse tempo perdido. Mas o sono, na verdade, é um dos maiores investimentos que podemos fazer em nossa saúde mental.
Que dormir é bom, todos nós sabemos. Mas será que realmente compreendemos a dimensão que o sono tem sobre nossa saúde, especialmente sobre nossa saúde mental?
Durante o sono, nosso organismo realiza uma verdadeira manutenção interna: regula hormônios, fortalece o sistema imunológico e processa memórias. No campo psicológico, o sono é essencial para o manejo das emoções e para a consolidação das experiências diárias. Quando dormimos, o cérebro realiza uma espécie de “limpeza emocional”, filtrando o que deve ser guardado e o que pode ser deixado para trás.
Não é à toa que, quando dormimos mal, tudo parece mais difícil: a paciência encurta, o humor oscila e a concentração se torna um desafio. O sono insuficiente está diretamente relacionado ao aumento da ansiedade, da irritabilidade e até de sintomas depressivos.
Mas há um grupo que vive uma realidade ainda mais desafiadora... as pessoas que trabalham em regime de plantão: profissionais de saúde, seguranças, motoristas, vigilantes, entre tantos outros. Para muitos deles, a privação do sono não é uma escolha, mas uma necessidade imposta pelo trabalho. Ao longo do tempo, essa privação pode afetar de forma significativa a saúde mental: há maior risco de depressão, prejuízo cognitivo e alterações emocionais importantes. O corpo até se adapta a dormir em horários alternativos, mas o cérebro não. O ritmo circadiano (nosso relógio biológico) continua tentando encontrar o dia no meio da noite e isso cobra um preço alto.
Também é importante lembrar que não é apenas a falta de sono que preocupa, mas o seu excesso também. Dormir demais, especialmente de forma recorrente, pode ser um sintoma de sofrimento psíquico, como: depressão, Burnout, TOC, entre outros. Em alguns quadros clínicos, o sono se torna um refúgio, um modo inconsciente de escapar do sofrimento ou incomodo de situações e pensamentos. Por isso, tanto a privação quanto o excesso precisam ser observados com atenção e cuidado. O corpo fala e o sono é uma de suas linguagens mais claras.
Em cada fase da vida, o sono cumpre papéis fundamentais: na infância, ele estrutura o desenvolvimento cerebral; na adolescência, consolida aprendizagens e regula emoções; na vida adulta, ajuda a manter o foco e a estabilidade emocional; e na velhice, preserva a memória e a vitalidade.
No consultório, vejo com frequência o impacto da privação de sono. Pessoas que chegam exaustas, emocionalmente frágeis, ansiosas, e que muitas vezes buscam uma explicação complexa para algo que começa de forma simples: o corpo não tem mais tempo para se recompor. A mente cansada perde sua capacidade de regular as emoções, o raciocínio se torna confuso e a sensibilidade aumenta. Uma noite mal dormida não causa um transtorno mental, mas a privação crônica pode agravar ou até precipitar quadros de depressão, ansiedade, irritabilidade e crises de pânico. Negligenciar o sono é, em outras palavras, negligenciar a própria saúde mental.
Também é preciso atenção aos sinais de alerta: sonolência excessiva durante o dia, lapsos frequentes de memória, irritabilidade persistente, mudanças no apetite ou no peso e a sensação de não se recuperar após o sono. Quando aparecem, convém investigar: distúrbios do sono (apneia, insônia crônica, síndrome das pernas inquietas), transtornos do humor ou efeitos de medicações podem estar em jogo. Diagnosticar e tratar essas condições melhora não só a noite, mas a vida inteira.
Cuidar do sono é também um ato de autocuidado. Práticas simples podem fazer diferença: manter horários regulares, reduzir o uso de telas antes de dormir, evitar cafeína à noite e criar um ambiente silencioso e acolhedor. Para quem trabalha à noite, a criação de rituais de descanso durante o dia como escurecer o ambiente e evitar interrupções é essencial para garantir a recuperação do organismo.
Além disso, alguns casos podem precisar de assistência médica especializada, uso de medicações para auxiliar no sono (não precisa ter medo de remédio, contanto que acompanhe com um bom profissional) e em casos que os distúrbios do sono estejam ligados a fatores emocionais, o acompanhamento psicológico se torna uma ferramenta poderosa e fundamental.
Em um tempo em que todos parecem querer estar “sempre ligados”, talvez o maior gesto de resistência seja simplesmente desligar-se. Dormir bem não é preguiça, é consciência.
5 passos para um sono mais saudável
1. Estabeleça uma rotina regular:
Tente dormir e acordar nos mesmos horários, mesmo nos fins de semana. O cérebro funciona melhor com previsibilidade, o hábito cria um “relógio biológico” estável.
2. Desconecte-se das telas antes de dormir:
A luz azul dos dispositivos inibe a melatonina, hormônio do sono. Dê ao cérebro pelo menos 30 minutos de silêncio digital antes de deitar. Você também pode optar por trocar as telas pelos livros antes de dormir.
3. Crie um ambiente favorável:
Quarto escuro, silencioso e fresco. Evite associar o espaço do sono a outras atividades, como trabalho ou alimentação.
4. Cuide do corpo para cuidar da mente:
Exercícios físicos regulares ajudam a melhorar a qualidade do sono — mas evite treinar muito próximo da hora de deitar.
5. Reavalie sua relação com o descanso:
Dormir não é fraqueza, é necessidade fisiológica. Respeitar seus limites é um ato de inteligência emocional e também uma forma de amor-próprio.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.
Saúde
Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.
2 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).
Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.
De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã.
Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.
O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.
Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.
Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.
Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.
O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.