quinta, 04 de junho, 2026
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A radioterapia estereotáxica corporal, popularmente conhecida como radiocirurgia, é uma opção eficaz para o tratamento de câncer de pulmão em fase inicial. A conclusão é de um estudo brasileiro, publicado recentemente no periódico científico Journal of Global Oncology. A terapia é indicada para pacientes que não podem se submeter ao tratamento mais eficaz nesses casos, que é a cirurgia, por ter outras complicações de saúde.
“A radiocirurgia veio adicionar uma expectativa de cura para pacientes que ficavam sem alternativa e não é uma proporção pequena. De 10% a 15% dos pacientes não podem receber a cirurgia por causa da fragilidade”, diz Ricardo Terra, cirurgião torácico.
Procedimento não invasivo
Segundo pesquisadores do Hospital Sírio-Libanês, onde o estudo foi desenvolvido, o procedimento, não invasivo, é capaz de destruir o tumor em 89% dos casos. Após dois anos de acompanhamento, 80% dos pacientes estavam vivos. “A radiocirurgia traz oportunidade de cura que se aproxima do resultado de uma cirurgia.”, diz Carlos Vita Abreu, radio-oncologista do Hospital Sírio-Libanês.
A pesquisa, que teve início em 2007 e durou até 2015, avaliou os resultados em 54 pacientes do hospital classificados como frágeis, geralmente idosos que já tiveram problemas de saúde, como doenças associadas ao cigarro ou cardíacas. A média de idade dos participantes era de 75 anos e todos deveriam estar com o tumor em fase inicial, com menos de 5 centímetros. Nenhum paciente morreu nem teve complicações graves após fazer o procedimento.
“A radiocirurgia é uma modalidade de radioterapia que, graças à precisão e à quantidade de dose de radiação utilizada, apresenta resultados semelhantes à cirurgia. Esta técnica consiste numa modalidade de tratamento não invasiva, sem necessidade de cortes na pele ou anestesia. Em virtude da grande potência deste tratamento, é indispensável a utilização de tecnologia de última geração para a sua realização e normalmente são realizadas de uma a cinco aplicações de radioterapia. Os pacientes submetidos a este tratamento não necessitam de internação”, explica Rafael Gadia, diretor de radioterapia na unidade de Brasília do hospital.
Esperança
A advogada aposentada Gasparina Fernandes, de 72 anos, e o engenheiro elétrico Jorge Marques, de 76 anos, são dois pacientes beneficiados pela técnica. Gasparina descobriu um nódulo no pulmão ao buscar tratamento para um resfriado. Era um câncer em fase inicial, mas ela não tinha o perfil para a cirurgia, por ter outras complicações de saúde. Porém, estava no grupo de pessoas que podem ser submetidas à radiocirurgia.
Jorge Marques fez o procedimento em janeiro, após descobrir um tumor no pulmão esquerdo. “A cirurgia ia ser agressiva, e três sessões liquidaram o câncer”, conta. O engenheiro mantém uma vida ativa e não deixou de fazer o que gosta depois do diagnóstico e do tratamento. “Continuo fazendo esteira para manter a capacidade respiratória e não paro de estudar. Quero fazer uma pós-graduação em psicologia. Tenho muitos amigos e canto em um coral.”
Mais uma arma na luta contra o câncer de pulmão
O câncer de pulmão atinge principalmente fumantes e, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), é o tipo mais comum entre os tumores malignos — e altamente letal. Para este ano, a estimativa de novos casos, de acordo com o instituto, é de 31.270. Segundo Abreu, a radiocirurgia cobre uma lacuna entre os pacientes frágeis com câncer de pulmão que, até os anos 1990, não tinham alternativas eficazes de tratamento. Uma parcela não recebia tratamento e os demais recebiam radioterapia convencional. “A chance de curar era na ordem de 30%. São pacientes que ainda produzem, que estão cuidando dos netos e são figuras importantes dentro do núcleo familiar. Com a técnica, a gente preserva essa pessoa.”, explica.
Na rede pública, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) tem o serviço de radiocirurgia desde 2011. Até agora, 264 pacientes já receberam o tratamento, dos quais 116 tinham câncer de pulmão. Os demais eram pacientes com câncer de fígado, nos ossos, sarcoma e no pâncreas. O Icesp afirma ter sido pioneiro nas técnicas de radiocirurgia intracraniana e radiocirurgia corpórea no Sistema Único de Saúde (SUS).a
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.
Saúde
Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.
2 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).
Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.
De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã.
Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.
O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.
Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.
Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.
Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.
O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.