quinta, 04 de junho, 2026
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Desde os primórdios da humanidade as substâncias psicoativas acompanham o ser humano: rituais, comemorações, anestésicos... Com o passar do tempo e a industrialização, trouxe o consumo em larga escala e o ritual deu lugar ao recreativo. Por fim chegamos à estimulação, a propaganda e a normalização do consumo excessivo, mas não do adoecimento.
Há um momento em que o uso da substância deixa de ser escolha — e passa a ser necessidade. Mas ele raramente é percebido de imediato. Começa com o cigarro “só pra relaxar”, a cerveja “só pra descontrair”, a droga “só pra experimentar”. Começa leve, às vezes até bem-vinda, dentro de uma cultura que normaliza o uso de substâncias como parte da celebração, do lazer e, paradoxalmente, da sobrevivência emocional.
O que poucos entendem é que a dependência química não começa no copo, no pó ou no comprimido. Começa antes: no silêncio de uma dor não nomeada. Começa quando a substância se torna um recurso para lidar com aquilo que parece insuportável: a ansiedade, a solidão, os traumas, a falta de sentido.
A dependência química, na maioria das vezes, se aproveita de uma mente que sofre, que se fecha, que busca uma fuga ou anestésico rápido para um adoecimento psicológico/emocional. Por isso, raramente se apresenta sozinha, em suma é uma comorbidade que precisa ser tratada em conjunto com outras doenças mentais e psicológicas.
A dependência química é um transtorno psíquico e físico, com raízes profundas e múltiplas: fatores genéticos, influências sociais, outros adoecimentos psicológicos... Não se trata de falta de caráter, como ainda insistem alguns discursos moralistas. É um adoecimento que compromete a autonomia, fragiliza vínculos, desequilibra o corpo, invade a mente e muitas vezes destrói projetos de vida.
Seus impactos são devastadores. No organismo, há consequências neurológicas, hepáticas, cardiovasculares e hormonais. Na vida emocional, vemos o colapso da autoestima, da autoimagem e da capacidade de enfrentar a realidade. E nos vínculos afetivos, instala-se a quebra da confiança, o afastamento, a impotência. O sofrimento atinge não só quem usa, mas todos ao redor.
E como se tudo isso não bastasse, há o peso cruel do estigma. O dependente químico é muitas vezes visto como um “fracassado”, alguém “sem força de vontade” ou “sem vergonha”. Esse olhar condenatório não apenas desumaniza, mas também atrasa e dificulta o acesso ao tratamento
Há quem prefira o silêncio ao julgamento. E o silêncio, nesse caso, pode custar a vida — sim, o uso e abuso de substâncias psicoativas é um dos maiores fatores de risco para o suicídio.
Precisamos urgentemente mudar essa narrativa. Precisamos lembrar que ninguém escolhe viver em sofrimento. Que ninguém acorda desejando perder a autonomia sobre o próprio corpo. Que por trás de cada dependência há uma história, uma dor, uma tentativa — ainda que disfuncional — de sobreviver.
O tratamento existe e é possível. Envolve psicoterapia, suporte psiquiátrico e medicamentoso, grupos terapêuticos, acolhimento familiar e, sobretudo, tempo e escuta qualificada. Não se trata apenas de “parar de usar”, mas de reconstruir uma vida onde o uso já não seja necessário. Isso exige compreender os gatilhos, elaborar os afetos reprimidos, restaurar vínculos e resgatar a dignidade.
Mais do que disciplinar, é preciso cuidar. Mais do que exigir abstinência, é preciso oferecer presença. Como disse Carl Jung: “Nenhuma árvore cresce até o céu sem que suas raízes toquem o inferno.” A superação da dependência não é linear nem rápida. Mas é possível. E ela começa no momento em que paramos de apontar o dedo — e estendemos a mão.
Como ajudar alguém em situação de dependência química?
1. Pratique a escuta e a empatia
Frases como “é só parar”, “falta vontade” ou “isso é fraqueza” não ajudam. Evite julgamentos. Pergunte como a pessoa se sente. Escute mais do que oriente. O vínculo é o começo do cuidado.
2. Incentive o cuidado profissional
Apoio psicológico, psiquiátrico e comunitário (como grupos de apoio) são essenciais para o tratamento eficaz.
3. Reconheça que recaídas podem acontecer
Recuperar-se não é um processo linear. Recaídas não invalidam o progresso — aliás, podem ensinar e fazer parte dele.
4. Informe-se antes de agir
Conhecer os aspectos clínicos e emocionais da dependência evita reforçar estigmas ou atitudes contraproducentes. É importante que a família faça parte do processo e aprenda junto.
5. Cuide de si também
Familiares e amigos próximos muitas vezes se exaurem tentando ajudar. Busque rede de apoio também para você.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.
Saúde
Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.
2 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).
Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.
De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã.
Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.
O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.
Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.
Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.
Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.
O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.