sábado, 25 de julho, 2026
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Desde os primórdios da humanidade as substâncias psicoativas acompanham o ser humano: rituais, comemorações, anestésicos... Com o passar do tempo e a industrialização, trouxe o consumo em larga escala e o ritual deu lugar ao recreativo. Por fim chegamos à estimulação, a propaganda e a normalização do consumo excessivo, mas não do adoecimento.
Há um momento em que o uso da substância deixa de ser escolha — e passa a ser necessidade. Mas ele raramente é percebido de imediato. Começa com o cigarro “só pra relaxar”, a cerveja “só pra descontrair”, a droga “só pra experimentar”. Começa leve, às vezes até bem-vinda, dentro de uma cultura que normaliza o uso de substâncias como parte da celebração, do lazer e, paradoxalmente, da sobrevivência emocional.
O que poucos entendem é que a dependência química não começa no copo, no pó ou no comprimido. Começa antes: no silêncio de uma dor não nomeada. Começa quando a substância se torna um recurso para lidar com aquilo que parece insuportável: a ansiedade, a solidão, os traumas, a falta de sentido.
A dependência química, na maioria das vezes, se aproveita de uma mente que sofre, que se fecha, que busca uma fuga ou anestésico rápido para um adoecimento psicológico/emocional. Por isso, raramente se apresenta sozinha, em suma é uma comorbidade que precisa ser tratada em conjunto com outras doenças mentais e psicológicas.
A dependência química é um transtorno psíquico e físico, com raízes profundas e múltiplas: fatores genéticos, influências sociais, outros adoecimentos psicológicos... Não se trata de falta de caráter, como ainda insistem alguns discursos moralistas. É um adoecimento que compromete a autonomia, fragiliza vínculos, desequilibra o corpo, invade a mente e muitas vezes destrói projetos de vida.
Seus impactos são devastadores. No organismo, há consequências neurológicas, hepáticas, cardiovasculares e hormonais. Na vida emocional, vemos o colapso da autoestima, da autoimagem e da capacidade de enfrentar a realidade. E nos vínculos afetivos, instala-se a quebra da confiança, o afastamento, a impotência. O sofrimento atinge não só quem usa, mas todos ao redor.
E como se tudo isso não bastasse, há o peso cruel do estigma. O dependente químico é muitas vezes visto como um “fracassado”, alguém “sem força de vontade” ou “sem vergonha”. Esse olhar condenatório não apenas desumaniza, mas também atrasa e dificulta o acesso ao tratamento
Há quem prefira o silêncio ao julgamento. E o silêncio, nesse caso, pode custar a vida — sim, o uso e abuso de substâncias psicoativas é um dos maiores fatores de risco para o suicídio.
Precisamos urgentemente mudar essa narrativa. Precisamos lembrar que ninguém escolhe viver em sofrimento. Que ninguém acorda desejando perder a autonomia sobre o próprio corpo. Que por trás de cada dependência há uma história, uma dor, uma tentativa — ainda que disfuncional — de sobreviver.
O tratamento existe e é possível. Envolve psicoterapia, suporte psiquiátrico e medicamentoso, grupos terapêuticos, acolhimento familiar e, sobretudo, tempo e escuta qualificada. Não se trata apenas de “parar de usar”, mas de reconstruir uma vida onde o uso já não seja necessário. Isso exige compreender os gatilhos, elaborar os afetos reprimidos, restaurar vínculos e resgatar a dignidade.
Mais do que disciplinar, é preciso cuidar. Mais do que exigir abstinência, é preciso oferecer presença. Como disse Carl Jung: “Nenhuma árvore cresce até o céu sem que suas raízes toquem o inferno.” A superação da dependência não é linear nem rápida. Mas é possível. E ela começa no momento em que paramos de apontar o dedo — e estendemos a mão.
Como ajudar alguém em situação de dependência química?
1. Pratique a escuta e a empatia
Frases como “é só parar”, “falta vontade” ou “isso é fraqueza” não ajudam. Evite julgamentos. Pergunte como a pessoa se sente. Escute mais do que oriente. O vínculo é o começo do cuidado.
2. Incentive o cuidado profissional
Apoio psicológico, psiquiátrico e comunitário (como grupos de apoio) são essenciais para o tratamento eficaz.
3. Reconheça que recaídas podem acontecer
Recuperar-se não é um processo linear. Recaídas não invalidam o progresso — aliás, podem ensinar e fazer parte dele.
4. Informe-se antes de agir
Conhecer os aspectos clínicos e emocionais da dependência evita reforçar estigmas ou atitudes contraproducentes. É importante que a família faça parte do processo e aprenda junto.
5. Cuide de si também
Familiares e amigos próximos muitas vezes se exaurem tentando ajudar. Busque rede de apoio também para você.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.