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Saúde Mental

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Quando a memória vai embora, mas o amor fica: a dor de quem cuida

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8 de agosto de 2025

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Renan Maia

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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
 

Dias atrás, recebi de uma amiga uma reportagem compartilhada nas redes sociais devido uma temática que chamou sua atenção e também a minha. Na matéria era o depoimento de Cláudia, de 63 anos, relatando o momento em que sua mãe recebeu o diagnóstico de Alzheimer. Um texto breve, mas carregado de afeto, dor e entrega. Ao lê-lo, percebi que, mais do que uma história sobre a doença, era um retrato fiel de algo que muitas vezes passa despercebido: o sofrimento silencioso de quem cuida.
O Alzheimer, assim como outras doenças neurodegenerativas e crônicas, impõe perdas graduais. Mas o diagnóstico precoce pode fazer uma enorme diferença — tanto para quem vive a condição quanto para quem a acompanha. Identificar os primeiros sinais, como esquecimentos persistentes, confusão com datas e nomes, mudanças de humor e comportamentos incomuns é essencial para buscar ajuda especializada, estruturar rotinas e principalmente, garantir mais dignidade e qualidade de vida no processo.
Mas há uma pergunta que pouco se ouve nos consultórios ou nas reportagens: "E como está quem cuida?". O foco está quase sempre na pessoa diagnosticada, que merece justa atenção, mas dedicá-la somente aí é incompleto... Quem cuida também adoece. Não necessariamente do corpo (que pode acontecer também, pelos esforços repetitivos) ou da memória, mas emocional e psicológico.


É um luto que acontece em vida, esse processo silencioso e dilacerante em que, aos poucos, vamos nos despedindo de quem ainda está aqui. Não é um adeus repentino, mas uma série de pequenas perdas diárias: o nome esquecido, a data apagada, a conversa que não se sustenta, a personalidade que muda. E junto com essas perdas vem a sensação de impotência, a frustração, a exaustão física e emocional. É também um luto por si: pela sensação tempo perdido, pelos planos adiados, pelo cansaço que se acumula sem descanso.
Cuidar de alguém com Alzheimer ou qualquer doença crônica progressiva é viver uma sequência de pequenas despedidas. Uma rotina de renúncias que nem sempre é visível aos outros. Há quem abra mão da carreira, da vida social e da própria saúde.
Há quem se isole, por culpa, por vergonha ou por não saber onde encontrar apoio.
E é nesse ponto que a reflexão precisa ganhar corpo: o sofrimento de quem cuida não pode mais ser invisível. É preciso falar sobre os lutos antecipados, que machucam como cortes lentos. Sobre as restrições impostas — físicas, emocionais e financeiras. E sobre a culpa que tantas vezes ronda, mesmo quando se faz o melhor possível.
Mas isso também nos lembra do que pode ser feito. Existem formas de amenizar essa dor. Cuidadores precisam de espaços seguros para se expressar, descansar e se reconhecer. Isso pode vir através da psicoterapia, de grupos de apoio presenciais ou online, de práticas que tragam reconexão consigo: arte, espiritualidade, redes comunitárias, pausas breves. É necessário também partilhar a responsabilidade, cuidar não pode ser um fardo, nem uma responsabilidade individual, deve ser sempre que possível, uma tarefa distribuída.
O cuidado com o outro começa pelo cuidado com quem cuida. Se você está nessa posição, lembre-se: você tem o direito de sentir, de chorar, de cansar. Mas também tem o direito de receber apoio, de ser escutado, de buscar alívio. Seu sofrimento é legítimo e seu amor, ainda que exausto, é uma forma nobre de resistência
Porque mesmo quando a memória vai embora… o amor pode e deve continuar por perto. Mas para isso, ele precisa estar bem cuidado também.

 

5 Dicas Práticas de Autocuidado para Quem Cuida

1. Não negligencie suas pausas
Momentos de descanso não são luxo, são necessidade. Planeje intervalos durante o dia, nem que seja para respirar no quintal, ouvir uma música ou tomar um café em silêncio.


2. Procure grupos de apoio
Conversar com quem vive experiências semelhantes reduz o peso do isolamento. Trocar vivências e estratégias pode trazer conforto e pertencimento.


3. Aceite ajuda e peça sem culpa
Você não precisa dar conta de tudo. Permita-se ser ajudado. Delegar tarefas é uma forma de cuidar melhor, não de desistir.


4. Cuide da sua saúde física e emocional
Realize exames periódicos, mantenha consultas com profissionais de saúde mental e sempre que possível, pratique alguma atividade física leve.


5. Mantenha vínculos afetivos além do cuidado
Preserve, ainda que em pequenas doses, seus vínculos com amigos, hobbies, espiritualidade ou grupos sociais. Você continua sendo uma pessoa com identidade própria, para além do papel de cuidador(a).

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.

 

Saúde

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

2 de junho de 2026

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

 

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Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).

Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.

Óbitos foram registrados em sete municípios

De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do SulDouradinaGuia Lopes da Laguna e Itaporã.

Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.

O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.

Dengue soma mais de 5 mil casos prováveis

Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.

Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.

Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.

Mais de 223 mil doses contra dengue foram aplicadas

O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.

Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.

Vacinação é destinada a crianças e adolescentes

A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.

A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.