sábado, 25 de julho, 2026
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O final de ano não chega de mansinho. Ele bate à porta trazendo uma mala pesada de lembranças, balanços, afetos e expectativas. É quase impossível atravessar dezembro ileso: somos convidados, às vezes obrigados, a olhar para trás, rever escolhas, medir perdas e conquistas, recalcular rotas. Natal e Ano Novo, mais do que datas no calendário, funcionam como verdadeiros ritos de passagem, marcadores simbólicos que organizam o tempo e sobretudo, a nossa vida psíquica.
Na psicologia, o tempo não é apenas cronológico; ele é vivido. Esses marcos coletivos nos ajudam a dar sentido à experiência humana, criando a sensação de fechamento e recomeço. Ao brindar a virada do ano, não celebramos apenas doze meses que se foram, celebramos a possibilidade simbólica de continuar, de mudar, de reescrever a própria história.
Natal e Ano Novo cumprem uma função essencial: organizam o tempo. Eles nos oferecem pausas ritualizadas para reflexão, reconexão e elaboração emocional. É como se a vida dissesse: “pare um pouco, olhe para si, para os seus, para o que ficou e para o que ainda pode vir”.
Não à toa, essas datas despertam sentimentos intensos: alegria, tristeza, saudade, culpa, esperança. Elas nos colocam diante das nossas relações familiares, das ausências que doem, das presenças que sustentam e também, daquilo que não fomos ou não conseguimos ser. Carl Jung já apontava que os rituais têm a função de dar forma ao invisível, ajudando o inconsciente a elaborar transições internas que, sem símbolos, ficariam à deriva.
Nossa sociedade sempre foi marcada por ritos: nascimento, batismo, formatura, casamento, chegada à vida adulta, aposentadoria, luto. Cada um deles sinaliza uma mudança de papel, de identidade, de lugar no mundo. São momentos em que o indivíduo deixa algo para trás para assumir algo novo.
O psicólogo Erik Erikson descreveu o desenvolvimento humano como uma sequência de “crises” psicossociais. Os ritos ajudam justamente nisso: orientam o fim de uma etapa e legitimam o início de outra. Sem eles, as transições ficam confusas, mal elaboradas, muitas vezes silenciosas e o silêncio, em saúde mental, costuma cobrar um preço alto.
Vivemos tempos acelerados, hiperprodutivos e cada vez mais individualizados. Muitos ritos foram esvaziados, terceirizados ou transformados em eventos rápidos, estéticos, quase performáticos. Outros simplesmente desapareceram. Crescer virou obrigação, envelhecer virou tabu, sofrer virou fraqueza.
A perda dos ritos empobrece a experiência emocional coletiva. Sem eles, faltam espaços simbólicos para o luto, para a celebração, para o reconhecimento das mudanças internas. Isso pode gerar sentimentos de desorientação, ansiedade, vazio existencial e dificuldade em lidar com perdas e transformações. Não é coincidência que vivamos uma epidemia de sofrimento psíquico justamente em uma sociedade que desaprendeu a parar, a marcar, a elaborar.
Os ritos de passagem nos ensinam algo essencial: toda mudança precisa ser atravessada, não ignorada. Eles nos convidam à presença, ao pertencimento e ao cuidado: consigo e com o outro. Mesmo quando os ritos tradicionais enfraquecem, podemos criar rituais pessoais e familiares: escrever uma carta de despedida para o ano que termina, reunir pessoas significativas, nomear perdas, celebrar pequenas conquistas, permitir-se sentir.
Como diria Viktor Frankl, o ser humano não busca apenas felicidade, mas sentido. Os ritos são pontes simbólicas que nos ajudam a encontrar esse sentido nas transições inevitáveis da vida.
Que o fim de ano não seja apenas uma virada no calendário, mas uma travessia consciente. Porque, no fundo, quando o ano vira, somos nós que estamos tentando (mais uma vez) virar outra coisa, outro eu.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.