sábado, 25 de julho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
O Setembro Amarelo chega a cada ano com uma missão crucial: iluminar um tema que muitos preferem manter nas sombras. Falamos e é preciso falar, sobre prevenção, sobre sinais, sobre a dor que leva alguém a considerar o suicídio. Mas hoje, nesta coluna, queremos girar o foco com todo o cuidado possível para um lugar muitas vezes negligenciado pela mesma conversa: o daqueles que ficam. Os sobreviventes do suicídio.
Perder alguém por suicídio é uma experiência de luto como nenhuma outra. É um abalo nos alicerces da nossa própria existência, deixando para trás não apenas a saudade, mas um turbilhão de sentimentos complexos e muitas vezes contraditórios. A tristeza profunda da perda se entrelaça com dúvidas paralisantes, a raiva pode surgir direcionada a quem partiu, a si mesmo ou a terceiros, e a culpa (ainda que sem fundamento) pode ecoar com perguntas sem resposta: “O que eu poderia ter feito diferente?”.
Este é um luto de “traição e de segredo”, como bem descreveu a pesquisadora sobre luto Beverly Raphael. É comum que famílias e amigos sintam-se constrangidos em compartilhar a causa da morte, o que os isola ainda mais em sua dor. Tal como se tivesse algo de errado e vale destacar que não, não tem... O sofrimento é genuíno e não há o que desaprove compartilhar e poder receber apoio.
No entanto, a sociedade, sem saber o que dizer, muitas vezes opta pelo silêncio ou por frases bem-intencionadas, mas que podem ferir: “quem errou foi ele” “agora é tarde, já foi”. Para quem fica, essas palavras podem soar como reforçadoras de que há um erro ou algo que deva ser reparado, mas quando falamos sobre prevenção ao suicídio devemos compreender que só há um sofrimento que precisa ser acolhido e cuidado... por todos e de forma compartilhada. Sem apontar dedos, apenas acolhendo.
Como é a dor de quem fica? É uma ferida que sangra a cada pergunta. É um luto marcado pelo “e se” e pelo “por quê?”. É a sensação de ter sido abandonado e a dificuldade de encontrar significado no que aconteceu. O trauma da perda súbita e violenta pode levar a sintomas de estresse pós-traumático, dificultando ainda mais o processo de elaboração.
Para tratar uma dor tão complexa não existe manuais, mas existem caminhos. O primeiro e mais crucial passo é permitir-se sentir tudo, sem julgamento. Acolher a raiva, a tristeza e a confusão como etapas válidas e compreensíveis dessa experiência. O segundo passo, talvez o mais importante, é buscar apoio especializado. A psicoterapia é um porto seguro onde essa dor complexa pode ser elaborada. Abordagens podem ajudar a reestruturar pensamentos autodestrutivos de culpa, enquanto terapias de base fenomenológica-existencial, inspiradas no pensamento de Viktor Frankl, podem ajudar na busca por um significado possível mesmo diante da dor da perda.
Além disso, é possível todos nós ajudarmos, primeiramente quebrando o tabu. Substituindo o julgamento pela escuta empática e o silêncio pela presença. Em vez de evitar o assunto, podemos simplesmente perguntar: “Como você está realmente se sentindo hoje?” e demonstrar interesse verdadeiro pela resposta. Oferecer uma escuta sem julgamento é um gesto mais poderoso do que qualquer conselho. Além disso, se fazer presente/acompanhar ainda que em silêncio pode ser mais reconfortante do que mil palavras. Respeitar o tempo do luto de cada um, que não é linear e não tem prazo de validade, é fundamental. Incentivar e normalizar a busca por grupos de apoio para sobreviventes de suicídio ou por terapia é uma forma prática de demonstrar cuidado.
Aos sobreviventes que possam estar lendo esta coluna: a sua dor é válida e sua história ainda não terminou. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, ao contrário, pode ser a maior demonstração de coragem e contagiar os que ficaram. Vocês não estão sozinhos.
4 Formas de Apoiar um Sobrevivente do Suicídio
1. Ouça mais, fale menos: Esteja presente e disponível para escutar a mesma história quantas vezes for necessário, sem interromper ou oferecer soluções. Às vezes, o silêncio compassivo vale mais que mil palavras.
2. Evite julgamentos e clichês: Frases como “foi uma escolha” ou “o tempo cura tudo” invalidam a dor. Prefira dizer “Não tenho palavras para te confortar, mas estou aqui com você”.
3. Pratique a paciência: O luto por suicídio é um processo longo e não linear. Respeite os altos e baixos sem pressionar por uma “superação” forçada.
4. Incentive (e facilite) a busca por ajuda: Pesquise por conta própria profissionais (psicólogos, psiquiatras) ou grupos de apoio especializados em luto por suicídio e ofereça-se para acompanhar a pessoa na primeira consulta, se for o caso.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.