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Saúde Mental

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O Silêncio que Resta: Acolhendo a dor dos sobreviventes do suicídio

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19 de setembro de 2025

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Renan Maia

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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi


O Setembro Amarelo chega a cada ano com uma missão crucial: iluminar um tema que muitos preferem manter nas sombras. Falamos e é preciso falar, sobre prevenção, sobre sinais, sobre a dor que leva alguém a considerar o suicídio. Mas hoje, nesta coluna, queremos girar o foco com todo o cuidado possível para um lugar muitas vezes negligenciado pela mesma conversa: o daqueles que ficam. Os sobreviventes do suicídio.

Perder alguém por suicídio é uma experiência de luto como nenhuma outra. É um abalo nos alicerces da nossa própria existência, deixando para trás não apenas a saudade, mas um turbilhão de sentimentos complexos e muitas vezes contraditórios. A tristeza profunda da perda se entrelaça com dúvidas paralisantes, a raiva pode surgir direcionada a quem partiu, a si mesmo ou a terceiros, e a culpa (ainda que sem fundamento) pode ecoar com perguntas sem resposta: “O que eu poderia ter feito diferente?”.

Este é um luto de “traição e de segredo”, como bem descreveu a pesquisadora sobre luto Beverly Raphael. É comum que famílias e amigos sintam-se constrangidos em compartilhar a causa da morte, o que os isola ainda mais em sua dor. Tal como se tivesse algo de errado e vale destacar que não, não tem... O sofrimento é genuíno e não há o que desaprove compartilhar e poder receber apoio.

No entanto, a  sociedade, sem saber o que dizer, muitas vezes opta pelo silêncio ou por frases bem-intencionadas, mas que podem ferir: “quem errou foi ele” “agora é tarde, já foi”. Para quem fica, essas palavras podem soar como reforçadoras de que há um erro ou algo que deva ser reparado, mas quando falamos sobre prevenção ao suicídio devemos compreender que só há um sofrimento que precisa ser acolhido e cuidado... por todos e de forma compartilhada. Sem apontar dedos, apenas acolhendo.

Como é a dor de quem fica? É uma ferida que sangra a cada pergunta. É um luto marcado pelo “e se” e pelo “por quê?”. É a sensação de ter sido abandonado e a dificuldade de encontrar significado no que aconteceu. O trauma da perda súbita e violenta pode levar a sintomas de estresse pós-traumático, dificultando ainda mais o processo de elaboração.

Para tratar uma dor tão complexa não existe manuais, mas existem caminhos. O primeiro e mais crucial passo é permitir-se sentir tudo, sem julgamento. Acolher a raiva, a tristeza e a confusão como etapas válidas e compreensíveis dessa experiência. O segundo passo, talvez o mais importante, é buscar apoio especializado. A psicoterapia é um porto seguro onde essa dor complexa pode ser elaborada. Abordagens podem ajudar a reestruturar pensamentos autodestrutivos de culpa, enquanto terapias de base fenomenológica-existencial, inspiradas no pensamento de Viktor Frankl, podem ajudar na busca por um significado possível mesmo diante da dor da perda.

Além disso, é possível todos nós ajudarmos, primeiramente quebrando o tabu. Substituindo o julgamento pela escuta empática e o silêncio pela presença. Em vez de evitar o assunto, podemos simplesmente perguntar: “Como você está realmente se sentindo hoje?” e demonstrar interesse verdadeiro pela resposta. Oferecer uma escuta sem julgamento é um gesto mais poderoso do que qualquer conselho. Além disso, se fazer presente/acompanhar ainda que em silêncio pode ser mais reconfortante do que mil palavras. Respeitar o tempo do luto de cada um, que não é linear e não tem prazo de validade, é fundamental. Incentivar e normalizar a busca por grupos de apoio para sobreviventes de suicídio ou por terapia é uma forma prática de demonstrar cuidado.

Aos sobreviventes que possam estar lendo esta coluna: a sua dor é válida e sua história ainda não terminou. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, ao contrário, pode ser a maior demonstração de coragem e contagiar os que ficaram. Vocês não estão sozinhos.

 

4 Formas de Apoiar um Sobrevivente do Suicídio

1. Ouça mais, fale menos: Esteja presente e disponível para escutar a mesma história quantas vezes for necessário, sem interromper ou oferecer soluções. Às vezes, o silêncio compassivo vale mais que mil palavras.

2. Evite julgamentos e clichês: Frases como “foi uma escolha” ou “o tempo cura tudo” invalidam a dor. Prefira dizer “Não tenho palavras para te confortar, mas estou aqui com você”.

3. Pratique a paciência: O luto por suicídio é um processo longo e não linear. Respeite os altos e baixos sem pressionar por uma “superação” forçada.

4. Incentive (e facilite) a busca por ajuda: Pesquise por conta própria profissionais (psicólogos, psiquiatras) ou grupos de apoio especializados em luto por suicídio e ofereça-se para acompanhar a pessoa na primeira consulta, se for o caso.

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.

 

Saúde

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

2 de junho de 2026

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

 

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Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).

Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.

Óbitos foram registrados em sete municípios

De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do SulDouradinaGuia Lopes da Laguna e Itaporã.

Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.

O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.

Dengue soma mais de 5 mil casos prováveis

Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.

Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.

Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.

Mais de 223 mil doses contra dengue foram aplicadas

O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.

Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.

Vacinação é destinada a crianças e adolescentes

A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.

A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.