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O silêncio dos homens: enquanto o mundo cobra força o corpo pede socorro

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20 de novembro de 2025

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Renan Maia

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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi

Há um padrão que aparece com frequência no consultório — tão frequente que quase passa despercebido. Homens que chegam dizendo que “não sabem exatamente o que está acontecendo”. Não chamam de tristeza. Não chamam de ansiedade. Dizem apenas: “tô estranho”, “tô ficando diferente”, “não sei mais quem eu sou”. Quando começam a falar, uma frase se repete: Eu nunca falei sobre isso com ninguém.

Falar sobre saúde mental dos homens é falar sobre um silêncio que atravessa gerações. Não é sobre culpar a criação, mas entender o que ela produz. Muitos homens cresceram ouvindo versões diferentes da mesma ideia: “engole o choro”, “seja forte”, “homem não vacila”, “não demonstre fraqueza”. A consequência disso não é um homem mais forte, é um homem mais só. A herança emocional de quem precisou aprender a suportar tudo.

Homens, em geral, foram treinados para lidar com sofrimento pela via do fazer e não do sentir. Quando a vida aperta, produzem mais, bebem mais, se calam mais, se isolam mais. Enquanto isso, os sintomas se reorganizam para caber nesse silêncio: irritabilidade, explosões de raiva, insônia, dores no corpo, perda de interesse, problemas de concentração, vícios, compulsões.

É depressão se manifestando como hostilidade ou raiva; a  ansiedade se apresentando como agitação ou necessidade de atividades constantes; É medo aparecendo disfarçado de indiferença ou distanciamento.

E o mais cruel: muitos só pedem ajuda quando o corpo para, quando o casamento já ruiu, quando já não consegue mais ir ao trabalho, quando a vida perdeu qualquer sentido. Não por falta de sensibilidade, mas porque passaram a vida inteira acreditando que sentir, ou melhor falar sobre o que sente, era sinal de fraqueza.

A pressão social é que muitas vezes molda e adoece cada um de nós. A saúde mental dos homens não se esgota nas histórias individuais. Ela é atravessada por expectativas sociais rígidas: performance, sucesso, sustentar financeiramente, liderar sem falhar, não demonstrar dúvidas... Homens são cobrados de ser porto seguro enquanto raramente têm onde se segurar ou sem ter sido ensinados como ser.

E quando falamos desse assunto, é preciso lembrar que existe um índice doloroso por trás do silêncio: a taxa de suicídio entre homens é significativamente maior que entre mulheres. E isso nunca pode ser analisado sem considerar o quanto eles evitam pedir ajuda ou expressar sofrimento. Não à toa, são o recorte da população que menos procuram os serviços de saúde de modo geral.

E se os homens já carregam expectativas sociais antigas, as redes sociais adicionam outra camada: comparações silenciosas. Carreiras, corpos, estilo de vida, relacionamentos perfeitos. É como se a régua estivesse sempre um pouco acima e ninguém admite que não está conseguindo alcançar.

Da clínica vejo quando o silêncio finalmente encontra voz. Quando um homem se permite falar, o que aparece quase sempre é algo como: medo de não ser suficiente, culpa por não corresponder às expectativas, cansaço de sustentar uma mascara, dificuldade ou confusão para conseguir nomear emoções básicas, vontade de descansar mas sem saber do que.

Infelizmente homens não costumam procuram terapia para “se conhecer melhor”, eles procuram para sobreviver. E quando encontram um espaço onde podem tirar a armadura e baixar a guarda algo importante acontece: aquilo que incomodava sem sentido, começa a ser compreendido. E a angustia de sofrer sem ter por  quê, dá lugar a esperança da melhora através do tratamento.

Não há solução mágica, mas há movimentos reais que ajudam:

1. Aprender a nomear o que sente
Ninguém regula o que não reconhece. Se eu não sei sequer identificar o que me adoece, como vou conseguir curar?

2. Pedir ajuda antes do colapso
Ajuda não é prêmio de consolação; é estratégia de vida. Sábio é aquele que sabe mobilizar as ferramentas e pessoas que tem a sua volta.

3. Construir relações onde seja possível ser imperfeito
Muitos homens não precisam de mais conselhos e sim de espaços onde possam existir sem o peso de não poder errar (ou não conseguir assumir os erros).

4. Revisar as expectativas internas
É obrigação ser honesto consigo mesmo. Fazer aquilo que está ao alcance, dentro das condições atuais e não o que fulano ou cicrano acha que você devia.

5. Terapia como ferramenta, não como emergência
Terapia não é último recurso. É lugar de reorganizar a vida antes que ela vire poeira.

 

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.

 

Saúde

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

2 de junho de 2026

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

 

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Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).

Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.

Óbitos foram registrados em sete municípios

De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do SulDouradinaGuia Lopes da Laguna e Itaporã.

Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.

O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.

Dengue soma mais de 5 mil casos prováveis

Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.

Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.

Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.

Mais de 223 mil doses contra dengue foram aplicadas

O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.

Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.

Vacinação é destinada a crianças e adolescentes

A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.

A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.