sábado, 25 de julho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Há um padrão que aparece com frequência no consultório — tão frequente que quase passa despercebido. Homens que chegam dizendo que “não sabem exatamente o que está acontecendo”. Não chamam de tristeza. Não chamam de ansiedade. Dizem apenas: “tô estranho”, “tô ficando diferente”, “não sei mais quem eu sou”. Quando começam a falar, uma frase se repete: Eu nunca falei sobre isso com ninguém.
Falar sobre saúde mental dos homens é falar sobre um silêncio que atravessa gerações. Não é sobre culpar a criação, mas entender o que ela produz. Muitos homens cresceram ouvindo versões diferentes da mesma ideia: “engole o choro”, “seja forte”, “homem não vacila”, “não demonstre fraqueza”. A consequência disso não é um homem mais forte, é um homem mais só. A herança emocional de quem precisou aprender a suportar tudo.
Homens, em geral, foram treinados para lidar com sofrimento pela via do fazer e não do sentir. Quando a vida aperta, produzem mais, bebem mais, se calam mais, se isolam mais. Enquanto isso, os sintomas se reorganizam para caber nesse silêncio: irritabilidade, explosões de raiva, insônia, dores no corpo, perda de interesse, problemas de concentração, vícios, compulsões.
É depressão se manifestando como hostilidade ou raiva; a ansiedade se apresentando como agitação ou necessidade de atividades constantes; É medo aparecendo disfarçado de indiferença ou distanciamento.
E o mais cruel: muitos só pedem ajuda quando o corpo para, quando o casamento já ruiu, quando já não consegue mais ir ao trabalho, quando a vida perdeu qualquer sentido. Não por falta de sensibilidade, mas porque passaram a vida inteira acreditando que sentir, ou melhor falar sobre o que sente, era sinal de fraqueza.
A pressão social é que muitas vezes molda e adoece cada um de nós. A saúde mental dos homens não se esgota nas histórias individuais. Ela é atravessada por expectativas sociais rígidas: performance, sucesso, sustentar financeiramente, liderar sem falhar, não demonstrar dúvidas... Homens são cobrados de ser porto seguro enquanto raramente têm onde se segurar ou sem ter sido ensinados como ser.
E quando falamos desse assunto, é preciso lembrar que existe um índice doloroso por trás do silêncio: a taxa de suicídio entre homens é significativamente maior que entre mulheres. E isso nunca pode ser analisado sem considerar o quanto eles evitam pedir ajuda ou expressar sofrimento. Não à toa, são o recorte da população que menos procuram os serviços de saúde de modo geral.
E se os homens já carregam expectativas sociais antigas, as redes sociais adicionam outra camada: comparações silenciosas. Carreiras, corpos, estilo de vida, relacionamentos perfeitos. É como se a régua estivesse sempre um pouco acima e ninguém admite que não está conseguindo alcançar.
Da clínica vejo quando o silêncio finalmente encontra voz. Quando um homem se permite falar, o que aparece quase sempre é algo como: medo de não ser suficiente, culpa por não corresponder às expectativas, cansaço de sustentar uma mascara, dificuldade ou confusão para conseguir nomear emoções básicas, vontade de descansar mas sem saber do que.
Infelizmente homens não costumam procuram terapia para “se conhecer melhor”, eles procuram para sobreviver. E quando encontram um espaço onde podem tirar a armadura e baixar a guarda algo importante acontece: aquilo que incomodava sem sentido, começa a ser compreendido. E a angustia de sofrer sem ter por quê, dá lugar a esperança da melhora através do tratamento.
Não há solução mágica, mas há movimentos reais que ajudam:
1. Aprender a nomear o que sente
Ninguém regula o que não reconhece. Se eu não sei sequer identificar o que me adoece, como vou conseguir curar?
2. Pedir ajuda antes do colapso
Ajuda não é prêmio de consolação; é estratégia de vida. Sábio é aquele que sabe mobilizar as ferramentas e pessoas que tem a sua volta.
3. Construir relações onde seja possível ser imperfeito
Muitos homens não precisam de mais conselhos e sim de espaços onde possam existir sem o peso de não poder errar (ou não conseguir assumir os erros).
4. Revisar as expectativas internas
É obrigação ser honesto consigo mesmo. Fazer aquilo que está ao alcance, dentro das condições atuais e não o que fulano ou cicrano acha que você devia.
5. Terapia como ferramenta, não como emergência
Terapia não é último recurso. É lugar de reorganizar a vida antes que ela vire poeira.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.