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Saúde Mental

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O que nos alimenta e o que nos consome

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28 de novembro de 2025

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Renan Maia

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“Somos o que comemos.”

Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi

Essa frase, tão repetida ao longo dos anos, costuma ser entendida apenas como um alerta nutricional. Mas, quando a observamos pela lente da psicologia, percebemos que ela vai muito além de calorias e nutrientes: fala de escolhas, afetos, rotinas, estados emocionais e de como a forma como nos alimentamos diz muito sobre a forma como existimos.

Estamos inseridos em um momento histórico onde a comida ocupa um espaço paradoxal. Ela está em todos os lugares: nas fotos que publicamos, nos encontros que marcamos, nas recompensas que criamos para suportar rotinas... Ainda assim, muitos de nós se alimentam sem realmente perceber o que estão fazendo. Comer, que deveria ser um ato fisiológico e afetivo, tornou-se também um termômetro emocional: revela o que sentimos, mesmo quando não temos palavras para isso.

No consultório, é comum que o sofrimento psíquico se manifeste antes no prato do que na fala. Depressão, por exemplo, pode aparecer como uma perda quase completa de apetite: a comida perde sabor, a fome desaparece, o ato de preparar algo parece esforço demais. Enquanto na ansiedade, podemos ver o contrário: comer demais, compulsivamente, como tentativa de acalmar o corpo e silenciar o pensamento. Essas mudanças não são frescura nem falta de disciplina. São sinais de que o organismo está tentando regular aquilo que a mente não está dando conta. 

Existem quadros ainda mais severos, nos quais a alimentação deixa de ser sintoma e passa a ser o núcleo do adoecimento. A anorexia e a bulimia são exemplos contundentes de como emoções, identidade e corpo podem entrar em conflito profundo. Não falamos aqui de vaidade ou escolha: falamos de transtornos mentais graves, com risco real à vida.

A anorexia aparece quando a pessoa tenta controlar a comida como tentativa de controlar algo interno que parece incontrolável: o corpo vira palco da angústia. Na bulimia, o ciclo de compulsão seguido de culpa e purgação transforma o próprio corpo em agressor e vítima ao mesmo tempo.

Esses quadros não nascem de um espelho. Nascem de dores, pressões, traumas, ambientes familiares rígidos, padrões inalcançáveis de sucesso ou magreza e claro de uma sociedade obcecada por performance, inclusive a corporal.

Alimentar-se bem não é sobre caber em roupas nem cumprir metas nutricionais. É sobre fornecer ao cérebro os elementos que ele precisa para funcionar. Neurotransmissores ligados ao humor como serotonina, dopamina e GABA dependem de nutrientes específicos para serem produzidos. Sem eles, a emoção perde consistência; o humor oscila; a mente se desorganiza.

Dormir melhor, concentrar-se mais, regular o humor... Tudo isso tem base bioquímica e comida é parte fundamental dessa engrenagem. Não existe saúde mental sólida com um corpo exausto, inflamado ou privado do que precisa para operar.
Assim como não tratamos depressão apenas com palavras, também não tratamos sofrimento emocional apenas com dieta. Mas integrar alimentação, psicoterapia, psiquiatria e cuidado cotidiano é olhar para o ser humano de modo completo.

E, se por um lado a comida pode adoecer, por outro ela pode nos ajudar a reorganizar a vida.
 

5 caminhos para uma alimentação que favorece a saúde mental

1. Comer com regularidade
Comer demais ou de menos bagunça a química cerebral. Rotina alimentar dá previsibilidade ao corpo e isso acalma a mente.

2. Reduzir alimentos ultraprocessados
Eles inflamam o organismo, impactam o humor e prejudicam o sono.

3. Aumentar alimentos naturais e ricos em triptofano
Banana, ovos, grão-de-bico, castanhas e peixe auxiliam na produção de serotonina (hormônio da felicidade)

4. Observar o emocional antes do prato
O que está me fazendo comer: fome ou sentimento? Essa pergunta muda comportamentos.

5. Buscar ajuda quando o comer machuca
Nutricionistas, psicólogos e psiquiatras formam um trio importante em quadros relacionados à alimentação.

Saúde

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

  As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

4 de junho de 2026

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

 

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As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.

A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.

De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.

Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.

A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.

A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.

Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.