sábado, 25 de julho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Essa frase, tão repetida ao longo dos anos, costuma ser entendida apenas como um alerta nutricional. Mas, quando a observamos pela lente da psicologia, percebemos que ela vai muito além de calorias e nutrientes: fala de escolhas, afetos, rotinas, estados emocionais e de como a forma como nos alimentamos diz muito sobre a forma como existimos.
Estamos inseridos em um momento histórico onde a comida ocupa um espaço paradoxal. Ela está em todos os lugares: nas fotos que publicamos, nos encontros que marcamos, nas recompensas que criamos para suportar rotinas... Ainda assim, muitos de nós se alimentam sem realmente perceber o que estão fazendo. Comer, que deveria ser um ato fisiológico e afetivo, tornou-se também um termômetro emocional: revela o que sentimos, mesmo quando não temos palavras para isso.
No consultório, é comum que o sofrimento psíquico se manifeste antes no prato do que na fala. Depressão, por exemplo, pode aparecer como uma perda quase completa de apetite: a comida perde sabor, a fome desaparece, o ato de preparar algo parece esforço demais. Enquanto na ansiedade, podemos ver o contrário: comer demais, compulsivamente, como tentativa de acalmar o corpo e silenciar o pensamento. Essas mudanças não são frescura nem falta de disciplina. São sinais de que o organismo está tentando regular aquilo que a mente não está dando conta.
Existem quadros ainda mais severos, nos quais a alimentação deixa de ser sintoma e passa a ser o núcleo do adoecimento. A anorexia e a bulimia são exemplos contundentes de como emoções, identidade e corpo podem entrar em conflito profundo. Não falamos aqui de vaidade ou escolha: falamos de transtornos mentais graves, com risco real à vida.
A anorexia aparece quando a pessoa tenta controlar a comida como tentativa de controlar algo interno que parece incontrolável: o corpo vira palco da angústia. Na bulimia, o ciclo de compulsão seguido de culpa e purgação transforma o próprio corpo em agressor e vítima ao mesmo tempo.
Esses quadros não nascem de um espelho. Nascem de dores, pressões, traumas, ambientes familiares rígidos, padrões inalcançáveis de sucesso ou magreza e claro de uma sociedade obcecada por performance, inclusive a corporal.
Alimentar-se bem não é sobre caber em roupas nem cumprir metas nutricionais. É sobre fornecer ao cérebro os elementos que ele precisa para funcionar. Neurotransmissores ligados ao humor como serotonina, dopamina e GABA dependem de nutrientes específicos para serem produzidos. Sem eles, a emoção perde consistência; o humor oscila; a mente se desorganiza.
Dormir melhor, concentrar-se mais, regular o humor... Tudo isso tem base bioquímica e comida é parte fundamental dessa engrenagem. Não existe saúde mental sólida com um corpo exausto, inflamado ou privado do que precisa para operar.
Assim como não tratamos depressão apenas com palavras, também não tratamos sofrimento emocional apenas com dieta. Mas integrar alimentação, psicoterapia, psiquiatria e cuidado cotidiano é olhar para o ser humano de modo completo.
E, se por um lado a comida pode adoecer, por outro ela pode nos ajudar a reorganizar a vida.
1. Comer com regularidade
Comer demais ou de menos bagunça a química cerebral. Rotina alimentar dá previsibilidade ao corpo e isso acalma a mente.
2. Reduzir alimentos ultraprocessados
Eles inflamam o organismo, impactam o humor e prejudicam o sono.
3. Aumentar alimentos naturais e ricos em triptofano
Banana, ovos, grão-de-bico, castanhas e peixe auxiliam na produção de serotonina (hormônio da felicidade)
4. Observar o emocional antes do prato
O que está me fazendo comer: fome ou sentimento? Essa pergunta muda comportamentos.
5. Buscar ajuda quando o comer machuca
Nutricionistas, psicólogos e psiquiatras formam um trio importante em quadros relacionados à alimentação.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.