quinta, 04 de junho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Na correria do dia a dia, é comum priorizarmos o trabalho, os compromissos e as demandas externas, deixando a atividade física para “quando sobrar tempo”. Mas e se eu disser que mover o corpo é um dos investimentos mais poderosos que podemos fazer pela nossa saúde mental? Mais do que estética, trata-se de um ato profundo de autocuidado. Uma medicação natural, sem contraindicações e repleta de benefícios.
A ciência já nos revelou os mecanismos por trás dessa transformação. Quando nos exercitamos, nosso corpo entra em um estado de bioquímica positiva: liberamos endorfinas, os famosos “hormônios do prazer”, que atuam como analgésicos naturais. Somam-se a elas a dopamina e a serotonina, neurotransmissores fundamentais para regular humor, sono, apetite e motivação. É como se o exercício fosse uma faxina interna, ajudando a reduzir os níveis de cortisol e adrenalina, hormônios ligados ao estresse. Literalmente, “suamos” parte do peso mental que carregamos, estresse e ansiedade.
Os efeitos vão além. Estudos apontam que a prática regular de atividade física estimula a neurogênese (a criação de novos neurônios) especialmente em áreas do cérebro como o hipocampo, ligadas à memória e às emoções. Isso fortalece a resiliência emocional, tornando-nos mais preparados para lidar com os desafios da vida.
Na clínica, já acompanhei inúmeros relatos de pacientes que encontraram na atividade física uma verdadeira âncora. Alguns, ao iniciarem a musculação, relataram uma significativa redução nos sintomas de ansiedade, descobrindo na disciplina dos treinos um antídoto para a ruminação mental. Em quadros depressivos, o simples ato de completar um treino (por menor que seja) trouxe a sensação de conquista, ajudando a restaurar gradualmente a sensação de produtividade e autoeficácia.
Os benefícios também se estendem a outras condições. Pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), por exemplo, relatam melhora no foco e no controle de impulsos graças ao aumento de dopamina. O exercício físico fortalece ainda a autoestima, pois superar pequenos desafios corporais transforma a forma como nos percebemos. E, como consequência natural, a regulação hormonal e o cansaço saudável favorecem um sono mais profundo e reparador.
É importante destacar: a atividade física não substitui psicoterapia nem tratamento medicamentoso quando estes são necessários. Ela atua como uma aliada valiosa, uma peça essencial no conjunto de cuidados com a saúde mental.
E afinal, qual atividade escolher? A resposta é simples: a que você consegue praticar com prazer e consistência. Exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, natação e ciclismo, são potentes no combate à ansiedade e na elevação rápida do humor (não por acaso, muitos pacientes me contam que suas melhores ideias surgem em meio a uma corrida na praça ou no parque). Já os treinos de força, como a musculação, trabalham disciplina e superação, além de reforçarem a autoestima ao tornar visível a relação entre esforço e resultado. E práticas como yoga, pilates ou tai chi chuan promovem equilíbrio entre corpo e mente, ensinam a desacelerar e cultivam a atenção plena.
Mover o corpo é, acima de tudo, um gesto de amor-próprio. É uma conversa gentil entre você e o seu organismo. É reencontrar-se no suor, nos pequenos avanços, no sorriso que surge ao final de uma prática. É lembrar-se de que você é capaz.
5 Dicas para Começar (e não Desistir)
1. Comece pequeno: Não é preciso correr 10 km no primeiro dia. Uma caminhada de 20-30 minutos, três vezes na semana, já é uma grande vitória. Celebre cada passo.
2. Escolha algo prazeroso: Se você gosta de dançar, caminhar ao ar livre ou jogar futebol, abrace isso. O prazer sustenta a constância.
3. Encaixe na sua rotina: Mais importante que a intensidade é a regularidade. Ajuste o exercício ao seu dia, seja de manhã, na hora do almoço ou à noite.
4. Busque companhia: Ter um amigo ou familiar ao lado torna a prática mais leve e cria uma rede de apoio. Já vi duplas de treino fortalecerem tanto a saúde quanto a amizade.
5. Foque na sensação depois: Lembre-se da leveza e da clareza mental que vêm após o exercício. Essa lembrança pode ser sua melhor motivação para o próximo treino.
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.