sábado, 25 de julho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Peço licença aqui para falar de um assunto que talvez não esteja relacionado diretamente à saúde mental, apesar de fazer parte do tema. Escrevo este texto no dia 27 de agosto, data em que se comemora o Dia do Psicólogo e como já devem imaginar, é sobre essa profissão que quero refletir hoje. Enquanto profissional da área, acredito ser necessário ir além das felicitações formais e pensar com seriedade sobre o papel, os desafios e a relevância do psicólogo no mundo atual.
Vivemos um tempo em que a atenção às dores psíquicas aumentaram, bem como as fontes e fatores de sofrimento psicológico se multiplicam: ansiedade, depressão, síndrome de burnout, adoecimento infantil e sofrimentos sociais atravessam a vida cotidiana em uma intensidade nunca antes tão exposta. Nesse cenário, o psicólogo é chamado a ser mais do que um “reizinho” dentro de seu consultório, ele se torna um agente de escuta, de acolhimento, de crítica social e de promoção de saúde. Nosso trabalho não se restringe à clínica individual: está presente nas escolas, nos hospitais, nas empresas, nos projetos sociais, nas políticas públicas e até nas redes sociais. É um fazer que acompanha a vida em seus múltiplos contextos.
No entanto, falar sobre psicologia hoje também implica enfrentar um fenômeno preocupante: a proliferação de pseudociências e práticas sem embasamento científico que se aproveitam da vulnerabilidade emocional da sociedade. Em tempos de redes sociais, qualquer encenação pode ser nomeada de “terapia” e qualquer frase motivacional pode ser vendida como verdade. Nomes pomposos e difíceis, somados a promessas de curas rápidas são os ingredientes mais comuns dessas práticas duvidosas. Não se trata aqui de uma briga de egos, mas de uma real preocupação com os resultados que uma intervenção psicológica mal feita pode ter, seja pela ineficiência ou pela desestabilização que pode causar. Nesse sentido, cabe uma valorização a psicologia, pautada em um código de ética, em métodos científicos e com um conselho fiscalizador. Quem não tem isso para se preocupar, também não tem isso para oferecer.
Psicologia não é magia, nem slogan motivacional: é método, ética, supervisão, compromisso com evidências e com a singularidade de cada sujeito. Valorizar a profissão é recusar atalhos que colocam vidas em risco e ao mesmo tempo, traduzir o conhecimento para que ele seja útil, sem jargões, sem mistério, sem prometer o que a própria ciência não sustenta.
A psicologia séria não descola a pessoa do seu contexto. Sofrimentos psíquicos não são apenas “processos internos”, eles acontecem no decorrer da vida, na travessia entre sujeito e mundo: na precarização do trabalho, na violência, no racismo, no machismo, na pobreza, na hiperexposição digital, na solidão urbana. Por isso, defender a psicologia él também defender políticas públicas que sustentem a vida.
E aqui entra um ponto incontornável: o acesso. A psicoterapia privada é inviável para muitas famílias e a rede pública, embora potente, ainda é insuficiente. O caminho, portanto passa inevitavelmente pelo INVESTIMENTO, por ampliar psicólogos na Atenção Primária, fortalecer CAPS e ambulatórios, articular matriciamento com equipes de saúde da família, em grupos psicoeducativos, em teleatendimento regulado para ampliar alcance e em letramento em saúde mental nas escolas e comunidade. Quando o cuidado chega cedo e perto, ele é mais barato e mais eficaz sobretudo para quem sempre ficou à margem.
Se me permitem uma síntese do que aprendo no cotidiano ser psicólogo hoje é manter um duplo compromisso. Por um lado, o compromisso íntimo com cada sujeito que nos procura, com sua história, seus limites, seus recursos. Por outro, o compromisso público com a ciência, com a ética e com a defesa do direito de todos a um cuidado digno. Isso implica dizer “não” a práticas sedutoras, mas sem base; implica estudar continuamente; implica supervisionar; implica saber encaminhar; implica reconhecer quando a psicologia não dá conta sozinha e trabalhar junto (psiquiatria, serviço social, terapia ocupacional, pedagogia, enfermagem, justiça, cultura).
No Dia do Psicólogo, a homenagem que me interessa não é o aplauso fácil, mas sim o pacto: cuidar da profissão para cuidar melhor das pessoas. Lutar por políticas que ampliem acesso. Denunciar charlatanismo com firmeza e respeito. Oferecer linguagem e presença a quem só encontrou silêncio. Sustentar a esperança sem prometer milagres. E seguir lembrando que, num mundo que adoece em tantas frentes tão rapidamente, parar para escutar ainda é um ato radical de coragem.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.