quinta, 04 de junho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Peço licença aqui para falar de um assunto que talvez não esteja relacionado diretamente à saúde mental, apesar de fazer parte do tema. Escrevo este texto no dia 27 de agosto, data em que se comemora o Dia do Psicólogo e como já devem imaginar, é sobre essa profissão que quero refletir hoje. Enquanto profissional da área, acredito ser necessário ir além das felicitações formais e pensar com seriedade sobre o papel, os desafios e a relevância do psicólogo no mundo atual.
Vivemos um tempo em que a atenção às dores psíquicas aumentaram, bem como as fontes e fatores de sofrimento psicológico se multiplicam: ansiedade, depressão, síndrome de burnout, adoecimento infantil e sofrimentos sociais atravessam a vida cotidiana em uma intensidade nunca antes tão exposta. Nesse cenário, o psicólogo é chamado a ser mais do que um “reizinho” dentro de seu consultório, ele se torna um agente de escuta, de acolhimento, de crítica social e de promoção de saúde. Nosso trabalho não se restringe à clínica individual: está presente nas escolas, nos hospitais, nas empresas, nos projetos sociais, nas políticas públicas e até nas redes sociais. É um fazer que acompanha a vida em seus múltiplos contextos.
No entanto, falar sobre psicologia hoje também implica enfrentar um fenômeno preocupante: a proliferação de pseudociências e práticas sem embasamento científico que se aproveitam da vulnerabilidade emocional da sociedade. Em tempos de redes sociais, qualquer encenação pode ser nomeada de “terapia” e qualquer frase motivacional pode ser vendida como verdade. Nomes pomposos e difíceis, somados a promessas de curas rápidas são os ingredientes mais comuns dessas práticas duvidosas. Não se trata aqui de uma briga de egos, mas de uma real preocupação com os resultados que uma intervenção psicológica mal feita pode ter, seja pela ineficiência ou pela desestabilização que pode causar. Nesse sentido, cabe uma valorização a psicologia, pautada em um código de ética, em métodos científicos e com um conselho fiscalizador. Quem não tem isso para se preocupar, também não tem isso para oferecer.
Psicologia não é magia, nem slogan motivacional: é método, ética, supervisão, compromisso com evidências e com a singularidade de cada sujeito. Valorizar a profissão é recusar atalhos que colocam vidas em risco e ao mesmo tempo, traduzir o conhecimento para que ele seja útil, sem jargões, sem mistério, sem prometer o que a própria ciência não sustenta.
A psicologia séria não descola a pessoa do seu contexto. Sofrimentos psíquicos não são apenas “processos internos”, eles acontecem no decorrer da vida, na travessia entre sujeito e mundo: na precarização do trabalho, na violência, no racismo, no machismo, na pobreza, na hiperexposição digital, na solidão urbana. Por isso, defender a psicologia él também defender políticas públicas que sustentem a vida.
E aqui entra um ponto incontornável: o acesso. A psicoterapia privada é inviável para muitas famílias e a rede pública, embora potente, ainda é insuficiente. O caminho, portanto passa inevitavelmente pelo INVESTIMENTO, por ampliar psicólogos na Atenção Primária, fortalecer CAPS e ambulatórios, articular matriciamento com equipes de saúde da família, em grupos psicoeducativos, em teleatendimento regulado para ampliar alcance e em letramento em saúde mental nas escolas e comunidade. Quando o cuidado chega cedo e perto, ele é mais barato e mais eficaz sobretudo para quem sempre ficou à margem.
Se me permitem uma síntese do que aprendo no cotidiano ser psicólogo hoje é manter um duplo compromisso. Por um lado, o compromisso íntimo com cada sujeito que nos procura, com sua história, seus limites, seus recursos. Por outro, o compromisso público com a ciência, com a ética e com a defesa do direito de todos a um cuidado digno. Isso implica dizer “não” a práticas sedutoras, mas sem base; implica estudar continuamente; implica supervisionar; implica saber encaminhar; implica reconhecer quando a psicologia não dá conta sozinha e trabalhar junto (psiquiatria, serviço social, terapia ocupacional, pedagogia, enfermagem, justiça, cultura).
No Dia do Psicólogo, a homenagem que me interessa não é o aplauso fácil, mas sim o pacto: cuidar da profissão para cuidar melhor das pessoas. Lutar por políticas que ampliem acesso. Denunciar charlatanismo com firmeza e respeito. Oferecer linguagem e presença a quem só encontrou silêncio. Sustentar a esperança sem prometer milagres. E seguir lembrando que, num mundo que adoece em tantas frentes tão rapidamente, parar para escutar ainda é um ato radical de coragem.
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.