sábado, 25 de julho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Escrevo este texto após mais uma sessão onde as lágrimas falaram mais do que as palavras. O luto é assim: não segue roteiro, não respeita prazos e não se cura com frases prontas. É uma travessia dolorosa, mas também profundamente humana, que nos convida a reconstruir significados quando a vida nos apresenta uma ausência.
No entanto, muitas vezes sentimos a pressão de “superar logo” ou de “voltar à rotina” sem demonstrar a dor, principalmente hoje onde o tempo é o tempo do relógio e onde a vida é a vida “postada”. Esse cenário faz com que o luto seja, não raro, silenciado ou até patologizado, como se sentir tristeza, chorar ou se recolher fossem sinais de fraqueza ou doença. Mas o luto, em sua essência, é saudável: é a forma que nossa mente encontra de se reorganizar diante da ausência, de ressignificar vínculos e seguir adiante, mesmo carregando marcas que antes não estavam ali.
A psicologia já descreveu diferentes fases ou processos do luto como: negação (dificuldade de reconhecer a realidade da perda), raiva (culpar os outros ou a si mesmo), negociação (procurar justificativas para o que aconteceu), depressão (admitir impotência e se resignar) e aceitação (quando se reconhece a perda e consegue dar sentido a vida com o que se tem). No entanto, essas etapas não devem ser vistas como uma sequência rígida ou estática, cada pessoa lida de maneira única, podendo avançar e retroceder entre elas. O mais importante é compreender que sentir dor, estranhamento ou vazio faz parte do processo, apesar de todo o sofrimento ele não durará para sempre, pelo menos, não da mesma forma.
Se permitir expressar as emoções que o luto trás é permitir também que elas passem. Tentar frear ou represar os sentimentos para parecer “forte” tende apenas a adiar um processo que é natural e potencializa o desenvolvimento do luto prolongado ou patológico (esse sim adoecido e não natural). Nesses casos, o luto pode se estender por mais de dois anos e de forma incapacitante, tornando necessário o tratamento psicológico e em alguns casos psiquiátricos, para que a medicação auxilie no controle dos sintomas.
E como lidar com o luto de forma saudável? Alguns caminhos podem ajudar: permitir-se viver a dor, sem pressa de “melhorar”, enquanto volta a rotina de nossa vida; falar sobre quem partiu ou sobre o que sente, até sentir que esgotou o assunto; buscar apoio no circulo social e familiar (assim como rir, chorar junto também é melhor); participar dos rituais simbólicos de despedida como velório, eventos religiosos e visitas ao túmulo; e quando necessário, procurar ajuda profissional para elaborar essa experiência (não como tratamento, mas como suporte).
Nesse processo, familiares e amigos têm um papel fundamental. Mais do que frases prontas de consolo, a presença silenciosa, a escuta empática e o respeito ao tempo de cada um podem ser gestos de cuidado muito mais valiosos. Às vezes, não é sobre “dizer algo certo”, mas simplesmente sobre estar junto, reconhecendo a dor do outro como legítima.
O luto nos ensina que a vida é também feita de perdas, e que atravessá-las não significa esquecer, mas aprender a conviver com a ausência. É um exercício de humanidade, que revela a profundidade de nossos vínculos e a capacidade de reconstruir a vida, ainda que o luto faça parte dela.
5 práticas para atravessar o luto com mais cuidado
1. Permita-se sentir: Não esconda ou reprima suas emoções; chorar, se entristecer ou se calar também são formas de viver o processo.
2. Fale sobre quem partiu: Compartilhar lembranças abre espaço para resignificar certas memórias.
3. Busque apoio: Estar próximo de amigos, familiares ou grupos de apoio fortalece o processo de elaboração.
4. Crie rituais de despedida: Uma carta, uma oração, terminar algo que ficou por fazer... Pequenos gestos podem ajudar desbloquear sentimentos que estavam presos.
5. Respeite o tempo: Cada pessoa tem seu ritmo. Não se compare com os outros e procure ajuda profissional se sentir necessidade.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.