quinta, 04 de junho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Escrevo este texto após mais uma sessão onde as lágrimas falaram mais do que as palavras. O luto é assim: não segue roteiro, não respeita prazos e não se cura com frases prontas. É uma travessia dolorosa, mas também profundamente humana, que nos convida a reconstruir significados quando a vida nos apresenta uma ausência.
No entanto, muitas vezes sentimos a pressão de “superar logo” ou de “voltar à rotina” sem demonstrar a dor, principalmente hoje onde o tempo é o tempo do relógio e onde a vida é a vida “postada”. Esse cenário faz com que o luto seja, não raro, silenciado ou até patologizado, como se sentir tristeza, chorar ou se recolher fossem sinais de fraqueza ou doença. Mas o luto, em sua essência, é saudável: é a forma que nossa mente encontra de se reorganizar diante da ausência, de ressignificar vínculos e seguir adiante, mesmo carregando marcas que antes não estavam ali.
A psicologia já descreveu diferentes fases ou processos do luto como: negação (dificuldade de reconhecer a realidade da perda), raiva (culpar os outros ou a si mesmo), negociação (procurar justificativas para o que aconteceu), depressão (admitir impotência e se resignar) e aceitação (quando se reconhece a perda e consegue dar sentido a vida com o que se tem). No entanto, essas etapas não devem ser vistas como uma sequência rígida ou estática, cada pessoa lida de maneira única, podendo avançar e retroceder entre elas. O mais importante é compreender que sentir dor, estranhamento ou vazio faz parte do processo, apesar de todo o sofrimento ele não durará para sempre, pelo menos, não da mesma forma.
Se permitir expressar as emoções que o luto trás é permitir também que elas passem. Tentar frear ou represar os sentimentos para parecer “forte” tende apenas a adiar um processo que é natural e potencializa o desenvolvimento do luto prolongado ou patológico (esse sim adoecido e não natural). Nesses casos, o luto pode se estender por mais de dois anos e de forma incapacitante, tornando necessário o tratamento psicológico e em alguns casos psiquiátricos, para que a medicação auxilie no controle dos sintomas.
E como lidar com o luto de forma saudável? Alguns caminhos podem ajudar: permitir-se viver a dor, sem pressa de “melhorar”, enquanto volta a rotina de nossa vida; falar sobre quem partiu ou sobre o que sente, até sentir que esgotou o assunto; buscar apoio no circulo social e familiar (assim como rir, chorar junto também é melhor); participar dos rituais simbólicos de despedida como velório, eventos religiosos e visitas ao túmulo; e quando necessário, procurar ajuda profissional para elaborar essa experiência (não como tratamento, mas como suporte).
Nesse processo, familiares e amigos têm um papel fundamental. Mais do que frases prontas de consolo, a presença silenciosa, a escuta empática e o respeito ao tempo de cada um podem ser gestos de cuidado muito mais valiosos. Às vezes, não é sobre “dizer algo certo”, mas simplesmente sobre estar junto, reconhecendo a dor do outro como legítima.
O luto nos ensina que a vida é também feita de perdas, e que atravessá-las não significa esquecer, mas aprender a conviver com a ausência. É um exercício de humanidade, que revela a profundidade de nossos vínculos e a capacidade de reconstruir a vida, ainda que o luto faça parte dela.
5 práticas para atravessar o luto com mais cuidado
1. Permita-se sentir: Não esconda ou reprima suas emoções; chorar, se entristecer ou se calar também são formas de viver o processo.
2. Fale sobre quem partiu: Compartilhar lembranças abre espaço para resignificar certas memórias.
3. Busque apoio: Estar próximo de amigos, familiares ou grupos de apoio fortalece o processo de elaboração.
4. Crie rituais de despedida: Uma carta, uma oração, terminar algo que ficou por fazer... Pequenos gestos podem ajudar desbloquear sentimentos que estavam presos.
5. Respeite o tempo: Cada pessoa tem seu ritmo. Não se compare com os outros e procure ajuda profissional se sentir necessidade.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.
Saúde
Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.
2 de junho de 2026
Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).
Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.
De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã.
Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.
O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.
Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.
Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.
Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.
O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.
Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.
A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.
A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.