sábado, 25 de julho, 2026
(67) 99983-4015
Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
“Amor” e “abuso” são palavras que não deveriam jamais se encontrar na mesma frase. No entanto, para muitas pessoas, essa é uma realidade cotidiana: relações em que o afeto se mistura com dor, em que a promessa de cuidado convive com controle e em que a liberdade vai sendo lentamente substituída pela dependência.
Um relacionamento abusivo é aquele no qual há desequilíbrio de poder e uma das partes exerce dominação ou controle sobre a outra, seja de forma explícita ou sutil. O abuso pode ser emocional, psicológico, físico, financeiro ou até digital. O denominador comum é sempre o mesmo: a manipulação e a restrição da liberdade do outro, minando sua autoestima, autonomia e capacidade de decisão.
No entanto, nos últimos anos, com a popularização de termos psicológicos nas redes sociais, alguns conceitos passaram a ser usados de forma equivocada, o que gera distorções perigosas. Um exemplo comum é chamar todo comportamento controlador ou egocêntrico de “narcisista”. Embora existam pessoas com traços de personalidade narcísicos, o Transtorno de Personalidade Narcisista é uma condição clínica, que apesar de poder ter traços em comum, é em si muito diferente. O mesmo acontece com termos como “bipolar” ou “psicopata”, que muitas vezes são aplicadas sem critério e ao invés de ajudar, acabam confundindo e estigmatizando as pessoas que de fato sofrem com esses transtornos. É importante entender: não precisamos de diagnósticos para nomear o abuso. Basta reconhecer quando há desrespeito, manipulação e violência emocional.
Conviver em uma relação abusiva é uma experiência que deixa marcas profundas. Muitas vítimas desenvolvem sintomas de ansiedade, depressão, estresse pós-traumático, fobias sociais e até comportamentos de automutilação. É comum a diminuição da autoestima, a dificuldade em confiar novamente em outras pessoas e a sensação de “culpa” por não ter conseguido “fazer dar certo”.
Além disso, a dinâmica de abuso frequentemente prende a pessoa em um ciclo de esperança e frustração: promessas de mudança seguidas por novas decepções, o que gera dependência emocional e medo de rompimento. Esse ciclo contribui para que a vítima permaneça na relação, mesmo quando já percebe o sofrimento que ela traz.
Reconhecer sinais precoces é uma das formas mais eficazes de prevenção. Ciúme excessivo, tentativas de isolar a pessoa da família e amigos, desvalorização constante e chantagens emocionais não são gestos de amor, mas alertas de perigo.
Para quem já se encontra em um relacionamento abusivo, é importante buscar apoio. Terapia psicológica, grupos de suporte e redes de acolhimento são fundamentais para reconstruir a autoestima e desenvolver estratégias de enfrentamento. Em casos de violência física ou ameaça, é imprescindível recorrer a canais de proteção legal e denunciar.
No âmbito coletivo, é necessário repensar como falamos sobre amor e relacionamentos. A romantização de ciúmes, do “sofrimento por amor” e da ideia de que “é normal” se anular pelo outro, perpetua a cultura do abuso. Educar para relações saudáveis significa ensinar limites, respeito e responsabilidade afetiva desde cedo.
Relacionamentos abusivos não são apenas histórias individuais de dor, mas um problema de saúde coletivo e social que precisa ser falado com seriedade. Cuidar desse tema é romper o silêncio que sustenta muitas violências e afirmar que amor de verdade não aprisiona: ele liberta, fortalece e constrói.
5 sinais de alerta em relacionamentos abusivos
1. Isolamento social
O parceiro tenta afastar você de amigos, família ou colegas, sob o pretexto de “cuidar” ou “proteger”. Aos poucos, você passa a viver em um círculo cada vez mais restrito, onde a voz predominante é apenas a dele.
2. Desvalorização constante
Críticas frequentes, comparações, piadas depreciativas ou a sensação de nunca ser “bom o suficiente” são formas sutis de corroer sua autoestima e minar sua autoconfiança.
3. Controle disfarçado de cuidado
Decisões sobre como se vestir, onde ir, com quem falar ou até como se expressar são tomadas pelo outro. Muitas vezes, isso vem mascarado de preocupação: “É para o seu bem”, “Só quero te proteger”.
4. Ciclo de desculpas e promessas
Após um episódio de agressividade, explosão de raiva ou manipulação, o parceiro(a) pede desculpas, promete mudar e mostra gestos de carinho, até que o padrão de abuso se repete. Esse ciclo aprisiona e cria dependência emocional.
5. Medo e insegurança constantes
Se você sente que precisa “pisar em ovos” para evitar reações negativas, ou vive em alerta para não desagradar, esse é um forte indicativo de que a relação deixou de ser espaço de afeto e passou a ser território de medo.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.