quinta, 04 de junho, 2026
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A esteatose Hepática ou Fígado Gorduroso (como é mais conhecido), é a deposição de gordura dentro das células hepáticas, que pode levar à lesão difusa destas células(Hepatite), e a destruição progressiva do órgão com cicatrização residual, processo conhecido como cirrose.
A causa de Esteatose Hepática (EH) mais conhecida até bem pouco era o consumo excessivo de álcool. A relação entre alcoolismo e Fígado Gorduroso era tão estreita no universo do conhecimento médico, que o fato do paciente entregar uma Ultrassonografia com o referido achado suscitava a imediata pergunta do doutor: Você tem o costume de beber? A negativa do paciente gerava, de regra, a desconfiança do clínico.
A principal causa
Ainda que hepatites crônicas, tais como Hepatite B ou C, álcool e outros hepatotóxicos sejam causas comuns de Esteatose Hepática (EH), são mecanismos exclusivamente metabólicos que patrocinam a maior parte dos casos de infiltração gordurosa do fígado. Para esta situação, em que a EH é resultado de (des)acordos metabólicos é dado o nome de Esteatose Não Alcoólica (ENA), diagnóstico de cunho eminentemente clínico (história clínica), já que a avaliação microscópica da ENA pouco difere da esteatose causada pelo consumo excessivo de álcool, assim como, nem sempre é possível diferenciar o processo por parâmetros laboratoriais.
Obesidade e Esteatose Não Alcoólica (ENA)
Não por coincidência o crescimento estatístico da ENA é consonante ao aumento vertiginoso da obesidade global. A prevalência desse processo entre obesos e portadores de sobrepeso ( IMC maior que 25) pode variar entre 25 e 60 por cento dependendo dos métodos de pesquisa e da população estudada.
Por caminhos comuns àqueles que geram a obesidade e também a partir das mudanças geradas pelo ganho ponderal sistêmico, as células hepáticas podem encher-se de gorduras e o fígado evoluir para ENA. Pior que isso, a evolução do processo pode destinar o fígado à cirrose, da mesma forma que o fazem o consumo excessivo de álcool, hepatites crônicas e outros hepatotóxicos.
Estudos americanos recentes demonstram que nas últimas duas décadas a prevalência de ENA mais que dobrou em crianças e adolescentes, de modo que atualmente 10 por cento desse grupo e 20 a 30 por cento dos adultos apresentam esta condição.
Sintomatologia
Ainda que a ENA seja um forte fator de risco para desenvolvimento de doença cardiovascular e Diabetes tipo 2, a maior parte dos pacientes com este quadro apresenta formas não severas da doença, com pouca ou nenhuma sintomatologia. Daí o diagnóstico ocorrer na maioria das vezes em um exame de Ultrassonografia de rotina.
Queixas de peso do lado direito do abdome logo abaixo das costelas e sensação de plenitude gástrica (estômago cheio) são as queixas mais frequentes. Fortes dores nessas regiões podem ocorrer em evoluções mais graves. Em 10 a 20 por cento dos pacientes com ENA ocorre um quadro mais severo de comprometimento hepático, a Esteato Hepatite Não Alcoólica (EHNA), com inflamação e cicatrizes esparsas no fígado, a cirrose é o ponto final de 20 por cento deste grupo com EHNA.
Aspectos atuais e futuros
Estudos demonstram que 2%a 3% dos americanos adultos, o que significa quantificarmos aproximadamente 5 milhões de indivíduos, apresentam a EHNA. Tais dados expõe o potencial de um milhão de novos cirróticos nos EUA em um espaço variável de tempo. De fato, espera-se que a cirrose decorrente desse processo supere a Hepatite C como a principal causa de transplantes de fígado até 2020 nos Estados Unidos, em parte, pela eficácia dos novos antivirais, mas, muito pela alta prevalência de obesidade com seus desdobramentos metabólicos.
Os hispânicos são particularmente suscetíveis à evolução para ENA , em boa parte decorrente de predisposições genéticas. Em Los Angeles, Califórnia, onde a população hispânica é virtualmente majoritária, essa prevalência é expressa no percentual de transplantes feitos no Centro de Transplantes de Fígado da Universidade da Califórnia. Atualmente nesta Instituição, aproximadamente 25 % desses procedimentos são realizados em pacientes com evolução errática da EHNA para Cirrose. Em 2003 correspondia a apenas 3 % do total.
O que fazer?
As causas determinantes da ENA estão na intimidade metabólica do universo obesogênico, todos os fatores que conduzam à obesidade são potencialmente capazes de induzir à ENA. Por outro lado, todos os equívocos encarnados no metabolismo após a obesidade instalada são indutores desta ocorrência. Fácil entender que tratar a obesidade estabelecida ou evitá-la é a conduta óbvia.
Por outro lado, distúrbios metabólicos isolados, mesmo que sem obesidade concomitante, tais quais Diabetes e Dislipidemias (hipercolesterolemia e/ou hipertrigliceridemia) geram o mesmo quadro e no caso, tratar estas patologias é o recurso notório.
O uso de antivirais estará indicado quando a Esteatose tiver a Hepatite B ou C como causas, enquanto que a abstinência alcoólica ou de outros agentes tóxicos é imperativo quando um destes for a fonte causal. No caso de Esteatose relacionada a doença auto-imune (bem mais raro) a terapia envolverá tratamento específico de abordagem imunológica.
Revisando
Fica sumariado que a Esteatose Hepática é a consequência de uma série de transtornos já citados e o tratamento se estabelece sobre estas causas. Houvesse uma terapia específica para o infiltrado gorduroso hepático sem tratar sua origem e estaríamos adotando a tática do “enxugar do gêlo”, técnica esta já utilizada por nós ao aceitarmos os fármacos para o Diabetes tipo 2, questionando o uso emagrecedores (cabe aqui a leitura neste blog: “o obeso não tem culpa, tem desejos).
Anotemos ainda que a principal causa de Fígado Gorduroso é metabólica (ENA-Esteatose Não Alcoólica), envolvendo sobremaneira a Obesidade e/ou Dislipidemias e/ou Diabetes, o que destina a ENA como principal causa de Cirrose e transplantes hepáticos em futuro próximo.
Então, nem desespero, tão pouco “malemolência”: Procure seu médico.
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.