quinta, 04 de junho, 2026
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Uma mudança significativa na abordagem da saúde cardiovascular acaba de ser oficializada no Brasil. Pela primeira vez, a pressão arterial de 12 por 8, antes considerada o "padrão ouro" da normalidade passa a ser enquadrada como pré-hipertensão. A nova classificação, parte de uma diretriz conjunta de sociedades médicas brasileiras, representa uma virada de chave na forma como se pensa prevenção e controle da pressão arterial no país.
Tradicionalmente encarada como ideal, a pressão de 120/80 mmHg agora será vista com mais cautela. A nova faixa de pré-hipertensão inclui leituras entre 120 a 139 mmHg (sistólica) e/ou 80 a 89 mmHg (diastólica). Na prática, significa que milhões de brasileiros que antes estavam “na média” passarão a ser monitorados de perto.
Por telefone o Dr Fernando Fontoura de Coxim nos disse o seguinte: “O objetivo é identificar precocemente indivíduos com risco cardiovascular elevado, antes mesmo da instalação da hipertensão crônica. Mudanças no estilo de vida como alimentação equilibrada, redução do sal, prática de exercícios e controle do estresse passam a ser recomendadas já nessa fase intermediária. Outro ponto de impacto é a nova meta de controle da pressão arterial em pacientes hipertensos. O valor-alvo, que antes era de 140/90 mmHg, foi reduzido para abaixo de 130/80 mmHg. A mudança vale para todos os pacientes independentemente da idade, sexo ou comorbidades. Essa decisão reflete uma tendência internacional de endurecer critérios com base em evidências recentes que apontam para benefícios clínicos em manter níveis pressóricos mais baixos. A expectativa é que a medida contribua para reduzir eventos graves como infartos, AVCs e lesões renais ao longo do tempo. A nova diretriz não se limita a classificar números. Ela também incorpora um sistema de escore que estima o risco cardiovascular do paciente nos próximos 10 anos. Fatores como tabagismo, histórico familiar, colesterol, diabetes e sedentarismo serão levados em consideração, permitindo um plano de cuidado mais individualizado, finaliza Dr Fernando”
Além disso, a publicação traz capítulos inéditos voltados para contextos específicos como o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e as particularidades da saúde cardiovascular da mulher tradicionalmente negligenciada em diretrizes anteriores.
Na prática, a mudança exige adaptação tanto de profissionais de saúde quanto da população. Médicos deverão estar atentos a pacientes que antes passavam despercebidos em triagens e consultas de rotina. Já a população terá o desafio de compreender que “estar dentro da média” nem sempre significa estar saudável.
Apesar do novo enquadramento, os especialistas deixam claro: a reclassificação não significa que todos com pressão 12x8 precisarão de medicamentos. O tratamento continuará sendo individualizado, mas com vigilância e intervenções mais precoces.
Com a nova diretriz, o Brasil se alinha a movimentos internacionais que vêm redefinindo os limites da saúde cardiovascular. Mais do que mudar números, a proposta é ampliar a consciência coletiva de que cuidar do coração começa muito antes do diagnóstico formal de hipertensão.
Essa atualização deve provocar transformações importantes na educação em saúde, no acompanhamento clínico e até mesmo nas políticas públicas de prevenção.
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.