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Nobel de Medicina defende vacina de HPV também para meninos

Atualmente, meninas de 9 a 13 anos recebem a vacina pelo SUS no país. HPV está relacionado a cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero.

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29 de fevereiro de 2016

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G1

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Em visita ao Brasil na semana passada, o médico virologista alemão Harald zur Hausen - laureado com o prêmio Nobel de Medicina de 2008 por ter descoberto a relação entre o papilomavírus humano (HPV) e o câncer do colo do útero - defendeu que a vacinação contra HPV se estenda também aos meninos. Hoje, no Brasil, a vacina é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a meninas de 9 a 13 anos de idade, em três doses.

“Se vacinássemos somente os meninos, provavelmente preveniríamos mais casos de câncer do colo do útero do que vacinando somente meninas”, disse zur Hausen nesta sexta-feira (26) em entrevista a meios de comunicação no A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, onde participou de um evento científico.

O virologista contou ainda que ficou desapontado em saber que o Brasil só introduziu a vacina contra HPV no calendário nacional de vacinação em 2014 e considera que o atraso em relação a outros países pode significar que o país deixou de evitar muitos casos de câncer do colo do útero. Segundo o Instituo Nacional de Câncer (Inca), 70% dos casos desse tipo de câncer são provocados pelos dois tipos oncogênicos de HPV que estão incluídos na imunização.

Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista com o cientista:

Oposição contra a vacina por temor de efeitos colaterais

Descobri, com um pouco de decepção, que o Brasil só começou o programa nacional de vacinação contra HPV em 2014. A vacina foi licenciada em vários países em 2006  e, olhando para as altas taxas de câncer do colo do útero no Brasil, acho uma pena porque ela poderia prevenir um grande número de casos. Quem não recebeu a vacina neste período está mais sujeito à doença e é possível até calcular quantos morreram devido a esse atraso.

Hoje temos dados muito bons disponíveis e publicados sobre a quantidade de efeitos colaterais dessa vacinação, particularmente na Austrália onde estudos conduzidos de forma muito cuidadosa mostram que - além dos efeitos que aparecem nas primeiras 24 horas da vacinação, como vermelhidão no local da vacinação e um pouco de dor, o que é comum na maioria das vacinas - há um efeito em cada 100 mil doses aplicadas. Neste caso, é uma alergia contra a proteína presente na vacina, a proteína do HPV. É uma taxa muito menor do que os efeitos colaterais de muitas outras vacinas que damos a crianças pequenas. [A segurança da vacina já foi questionada no Brasil por grupos temendo efeitos colaterais.]

É uma das vacinas mais efetivas, porque a conversão da formação dos anticorpos depois da vacinação é quase de 100% nas crianças vacinadas. Se pegar a vacina de hepatite B, que é também muito eficiente, 5% das pessoas não desenvolvem anticorpos contra o vírus.

É muito segura, é altamente eficaz e há evidências que previne as lesões precursoras de câncer, ao menos dos tipos de HPV que estão na vacina.

Meninos deveriam ser vacinados contra HPV
Tem um aspecto que, na minha opinião, precisa ser fortemente enfatizado, que é a vacinação de meninos. Primeiro, em todas as sociedades, globalmente, os homens entre 15 e 40 anos de idade têm mais parceiros sexuais do que as mulheres da mesma idade. Eles são os maiores transmissores de HPV devido ao maior número de parceiros sexuais.

Outras razões pelas quais eles deveriam ser vacinados é o câncer de faringe, que está acontecendo em um número muito maior em grandes cidades em comparação a áreas rurais. Também o câncer na região anal, que ocorre, em muitos países, muito mais frequentemente em homens do que em mulheres. Há evidências de que - como o mesmo vírus foi encontrado nessas lesões, geralmente o HPV 16 e o HPV 18 -  essas doenças também seriam prevenidas pela vacinação.

Verrugas genitais, por exemplo,  são um problema desagradável para os dois gêneros e a vacinação também está prevenindo, contra elas. Até o fato de que estarão protegendo suas parceiras é uma razão importante para difundir a vacinação para meninos.

Eu já disse de modo provocativo, em muitas ocasiões, que se vacinássemos somente os meninos, provavelmente preveniríamos mais casos de câncer do colo do útero do que se vacinássemos somente meninas.

Descoberta da relação entre HPV e câncer do colo do útero
No final dos anos 1960, começamos investigando se vírus herpes simplex tipo 2 estava provocando câncer, mas não encontramos material genético de herpes simplex nas células de câncer de colo do útero.

Já tinha visto partículas do HPV no microscópio eletrônico. Suspeitei que este vírus poderia ser mais maligno no colo do útero e levar a câncer. Demorou um tempo até isolar e caracterizar o vírus da verruga genital, que era o HPV 6 e subsequentemente pudemos identificar HPV 11. houve uma decepção inicial porque não encontramos HPV 6 em câncer de colo do útero,

Quando descobrimos que o HPV 16 e HPV 18 estavam ligados ao câncer, distribuímos pelo mundo essa informação.

Obstáculos no desenvolvimento da vacina contra HPV
Minha única decepção nesta fase precoce foi que eu contatei muitas empresas na Alemanha e Suíça pedindo financiamento para um programa para desenvolver a vacina de HPV e, quase todas, com uma exceção se recusou. Houve uma empresa na Alemanha que tinha muita experiencia em vacinas ficou interessada.

Eles começaram a patrocinar um programa, mas ela pertencia a uma gigante farmacêutica na Alemanha e um dos diretores fez uma análise de marketing. A analise foi muito negativa, eles disseram que não havia mercado para a vacina e que todas as pessoas, incluindo crianças pequenas, já estariam infectadas pelo vírus e teriam já anticorpos, por isso a vacinação não faria sentido. Isso é totalmente errado. O programa foi fechado e isso nos deixou muito frustrados por muito anos. Até que uma empresa americana se interessou e até hoje produz a vacina.

Outras infecções ligadas ao câncer
21% dos cânceres estão ligados a infecções, e não são apenas por vírus: dois terços são por vírus, mas um terço são bactérias  e 1% por infecções parasitas.

Considero a descoberta de novos cânceres ligados a infecções como uma questão muito importante.

É algo em que trabalhamos há algum tempo em câncer de mama e câncer de cólon. Ao menos  estudando cuidadosamente a epidemiologia desses dois tipos de câncer, parece que há ligações potenciais com eventos de infecção e parece, de acordo com nossa hipótese inicial, que há uma ligação com o consumo de alimentos específicos como carne e leite.

Particularmente, de acordo com os estudos, a carne é provavelmente o fator principal ara o câncer de cólon e o leite parece ser um fator em câncer de mama.

Concentramos esforços em isolar agentes no gado, no leite do supermercado e em laticínios como iogurte e creme de leite. Há razões para suspeitar que os vírus de gado podem ter um papel 

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.

 

Saúde

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

2 de junho de 2026

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

 

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Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).

Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.

Óbitos foram registrados em sete municípios

De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do SulDouradinaGuia Lopes da Laguna e Itaporã.

Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.

O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.

Dengue soma mais de 5 mil casos prováveis

Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.

Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.

Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.

Mais de 223 mil doses contra dengue foram aplicadas

O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.

Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.

Vacinação é destinada a crianças e adolescentes

A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.

A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.