sábado, 25 de julho, 2026
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Tudo começa com um clique. Um bônus de boas-vindas, um giro da roleta virtual, a emoção de acertar um placar. É rápido, fácil, e parece inofensivo. Mas, para muitos, esse clique marca o início de uma queda silenciosa um mergulho num vício que arrasta vidas, destrói famílias e deixa cicatrizes invisíveis.
O Lado Oculto da Tela
As apostas esportivas e jogos online cresceram vertiginosamente nos últimos anos, especialmente com a popularização dos smartphones e da internet de alta velocidade. Com isso, o vício em bets se tornou uma epidemia moderna, muitas vezes invisível, porque acontece entre quatro paredes, atrás de telas, em silêncio.
Fui conversar com algumas pessoas que usaram essas plataformas, não iremos divulgar os sobrenomes e usaremos nomes fictícios.
Bruno, 26 anos, começou apostando em jogos de futebol. “Era só para me divertir. Apostava R$ 10, R$ 20, só nos finais de semana. Depois veio o primeiro ganho grande, e tudo mudou.”
O que Bruno não sabia é que o cérebro humano reage às apostas como reage a uma droga: a dopamina liberada com a expectativa do ganho é viciante, e a necessidade de repetir aquela sensação leva ao aumento das apostas e da frequência.
Em pouco tempo, ele passou a apostar todos os dias. Sacava dinheiro do cartão de crédito, pegava empréstimos em apps, mentia para os pais. “Quando vi, estava devendo R$ 18 mil. Dormia mal, vivia ansioso. Minha cabeça girava em odds e palpites. E ainda achava que ia recuperar tudo na próxima aposta.”
A Ansiedade, a Depressão e o Vazio
Casos como o de Bruno são cada vez mais comuns. O que começa como diversão se transforma em compulsão, ansiedade crônica e depressão profunda. Os jogadores se tornam reféns de algoritmos projetados para mantê-los presos no ciclo da perda e da promessa de recuperação.
Juliana, 33 anos, gerente de vendas e mãe de dois filhos, começou a jogar poker online durante a pandemia. “Era um escape do estresse. Mas comecei a jogar escondido. Gastava horas em partidas até de madrugada. Quando perdi R$ 40 mil de uma reserva que era da faculdade dos meus filhos, eu entrei em colapso. Pensei em tirar minha própria vida.”
Juliana foi internada após uma tentativa de suicídio. “Eu só queria parar de sentir vergonha, culpa, desespero. Você não controla sua mente. Você se odeia por jogar, mas joga para fugir desse ódio.”
Famílias Arruinadas
Além do impacto na saúde mental, o vício em jogos online destrói estruturas familiares e financeiras. Há relatos de pais que venderam carros, refinanciaram imóveis e perderam economias de uma vida inteira.
Carlos, 52 anos, conta que seu filho de 19 anos acumulou uma dívida de R$ 75 mil em apostas de e-sports. “Perdemos o carro para pagar o banco. Eu e minha esposa nos separamos por causa disso. Meu filho chorava, dizia que queria parar, mas não conseguia. É como assistir alguém se afogar e não ter corda nenhuma por perto.”
O Sistema é Feito Para Você Perder
O que muitos não sabem é que as plataformas de apostas são projetadas para manipular o comportamento do jogador. Elas usam recompensas intermitentes, gatilhos visuais, e até inteligência artificial para manter o usuário engajado.
“Você acha que tem controle, mas não tem. É tudo feito para te manter jogando. Eles sabem quanto você perdeu, há quanto tempo está online, quanto ainda tem na conta. E ajustam as odds, os bônus, o marketing, tudo para você continuar.” diz um ex-funcionário anônimo de uma plataforma de apostas que hoje mora em Coxim.
Quando o Fundo do Poço Chega
A pior parte é que o vício é progressivo. No começo, o jogador ainda se sente no controle. Com o tempo, a vergonha o impede de pedir ajuda, e o ciclo de perdas o empurra para decisões cada vez mais perigosas. André está há um ano em recuperação, após internação e terapia intensiva. “A maior luta é aceitar que isso é um vício real, como o álcool, como qualquer droga. E que eu não sou fraco sou doente. Mas posso me tratar.”
A Urgência de Falar Sobre Isso
Apesar do número crescente de casos, o vício em apostas ainda é subestimado no Brasil. Falta regulação mais rígida, campanhas de conscientização, e acesso gratuito a tratamento psicológico e psiquiátrico especializado.
Enquanto isso, influenciadores digitais promovem plataformas de apostas para milhões de seguidores muitos deles menores de idade sem mencionar os riscos, os colapsos, os suicídios que acontecem no silêncio.
Precisamos Quebrar o Silêncio
Esse texto não é só um alerta. É um pedido. Para quem joga e sente que perdeu o controle. Para quem tem alguém próximo afundado nesse ciclo. Para pais, professores, médicos, comunicadores.
É hora de olhar para o vício em apostas como uma questão de saúde pública. De entender que não é fraqueza, mas um problema real, complexo, que precisa ser tratado com seriedade.
Se você se identificou com alguma dessas histórias, saiba: você não está sozinho. Existe ajuda. Existe saída.
E, às vezes, o primeiro passo para sair do buraco… é parar de cavar.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.