quinta, 04 de junho, 2026

WhatsApp

(67) 99983-4015

conscientização

A+ A-

No Limite da Aposta: O Abismo por Trás dos Jogos Online

Icone Calendário

16 de maio de 2025

Icone Autor

(Glenda Melo - Diário do Estado)

Continue Lendo...

Tudo começa com um clique. Um bônus de boas-vindas, um giro da roleta virtual, a emoção de acertar um placar. É rápido, fácil, e parece inofensivo. Mas, para muitos, esse clique marca o início de uma queda silenciosa um mergulho num vício que arrasta vidas, destrói famílias e deixa cicatrizes invisíveis.
O Lado Oculto da Tela
As apostas esportivas e jogos online cresceram vertiginosamente nos últimos anos, especialmente com a popularização dos smartphones e da internet de alta velocidade. Com isso, o vício em bets se tornou uma epidemia moderna, muitas vezes invisível, porque acontece entre quatro paredes, atrás de telas, em silêncio.
Fui conversar com algumas pessoas que usaram essas plataformas, não iremos divulgar os sobrenomes e usaremos nomes fictícios.
Bruno, 26 anos, começou apostando em jogos de futebol. “Era só para me divertir. Apostava R$ 10, R$ 20, só nos finais de semana. Depois veio o primeiro ganho grande, e tudo mudou.”
O que Bruno não sabia é que o cérebro humano reage às apostas como reage a uma droga: a dopamina liberada com a expectativa do ganho é viciante, e a necessidade de repetir aquela sensação leva ao aumento das apostas e da frequência.
Em pouco tempo, ele passou a apostar todos os dias. Sacava dinheiro do cartão de crédito, pegava empréstimos em apps, mentia para os pais. “Quando vi, estava devendo R$ 18 mil. Dormia mal, vivia ansioso. Minha cabeça girava em odds e palpites. E ainda achava que ia recuperar tudo na próxima aposta.”
A Ansiedade, a Depressão e o Vazio
Casos como o de Bruno são cada vez mais comuns. O que começa como diversão se transforma em compulsão, ansiedade crônica e depressão profunda. Os jogadores se tornam reféns de algoritmos projetados para mantê-los presos no ciclo da perda e da promessa de recuperação.
Juliana, 33 anos, gerente de vendas e mãe de dois filhos, começou a jogar poker online durante a pandemia. “Era um escape do estresse. Mas comecei a jogar escondido. Gastava horas em partidas até de madrugada. Quando perdi R$ 40 mil de uma reserva que era da faculdade dos meus filhos, eu entrei em colapso. Pensei em tirar minha própria vida.”
Juliana foi internada após uma tentativa de suicídio. “Eu só queria parar de sentir vergonha, culpa, desespero. Você não controla sua mente. Você se odeia por jogar, mas joga para fugir desse ódio.”


Famílias Arruinadas
Além do impacto na saúde mental, o vício em jogos online destrói estruturas familiares e financeiras. Há relatos de pais que venderam carros, refinanciaram imóveis e perderam economias de uma vida inteira.
Carlos, 52 anos, conta que seu filho de 19 anos acumulou uma dívida de R$ 75 mil em apostas de e-sports. “Perdemos o carro para pagar o banco. Eu e minha esposa nos separamos por causa disso. Meu filho chorava, dizia que queria parar, mas não conseguia. É como assistir alguém se afogar e não ter corda nenhuma por perto.”
 

O Sistema é Feito Para Você Perder
O que muitos não sabem é que as plataformas de apostas são projetadas para manipular o comportamento do jogador. Elas usam recompensas intermitentes, gatilhos visuais, e até inteligência artificial para manter o usuário engajado.
“Você acha que tem controle, mas não tem. É tudo feito para te manter jogando. Eles sabem quanto você perdeu, há quanto tempo está online, quanto ainda tem na conta. E ajustam as odds, os bônus, o marketing, tudo para você continuar.” diz um ex-funcionário anônimo de uma plataforma de apostas que hoje mora em Coxim.
 

Quando o Fundo do Poço Chega
A pior parte é que o vício é progressivo. No começo, o jogador ainda se sente no controle. Com o tempo, a vergonha o impede de pedir ajuda, e o ciclo de perdas o empurra para decisões cada vez mais perigosas. André está há um ano em recuperação, após internação e terapia intensiva. “A maior luta é aceitar que isso é um vício real, como o álcool, como qualquer droga. E que eu não sou fraco sou doente. Mas posso me tratar.”
 

A Urgência de Falar Sobre Isso
Apesar do número crescente de casos, o vício em apostas ainda é subestimado no Brasil. Falta regulação mais rígida, campanhas de conscientização, e acesso gratuito a tratamento psicológico e psiquiátrico especializado.
Enquanto isso, influenciadores digitais promovem plataformas de apostas para milhões de seguidores muitos deles menores de idade sem mencionar os riscos, os colapsos, os suicídios que acontecem no silêncio.
 

Precisamos Quebrar o Silêncio
Esse texto não é só um alerta. É um pedido. Para quem joga e sente que perdeu o controle. Para quem tem alguém próximo afundado nesse ciclo. Para pais, professores, médicos, comunicadores.
É hora de olhar para o vício em apostas como uma questão de saúde pública. De entender que não é fraqueza, mas um problema real, complexo, que precisa ser tratado com seriedade.
Se você se identificou com alguma dessas histórias, saiba: você não está sozinho. Existe ajuda. Existe saída.

E, às vezes, o primeiro passo para sair do buraco… é parar de cavar.
 

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

Continue Lendo...

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.

 

Saúde

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

2 de junho de 2026

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

 

Continue Lendo...

Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).

Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.

Óbitos foram registrados em sete municípios

De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do SulDouradinaGuia Lopes da Laguna e Itaporã.

Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.

O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.

Dengue soma mais de 5 mil casos prováveis

Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.

Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.

Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.

Mais de 223 mil doses contra dengue foram aplicadas

O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.

Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.

Vacinação é destinada a crianças e adolescentes

A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.

A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.