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Microcefalia ocorre em 1% dos casos de grávidas com zika, segundo estudo

Análise retrospectiva avaliou dados do surto de zika na Polinésia Francesa. Risco de 1% refere-se a mulheres infectadas no 1º trimestre da gravidez.

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16 de março de 2016

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Bem Estar

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Nos casos de infecção pelo vírus da zika no primeiro trimestre da gravidez, o risco da ocorrência de microcefalia é de aproximadamente 1%, segundo um novo estudo publicado nesta terça-feira (15) na revista médica "The Lancet". A conclusão resultou da análise de dados do surto de zika que atingiu a Polinésia Francesa entre 2013 e 2014.

"Estimamos que o risco de microcefalia foi de 1 a cada 100 mulheres infectadas com o vírus da zika durante o pimeiro trimestre da gravidez. Os achados são da epidemia de 2013 e 2014 na Polinésia Francesa e ainda será preciso observar se nossas descobertas se aplicam da mesma forma a outros países", disse Simon Cauchemez, pesquisador do Instituto Pasteur de Paris e um dos autores do estudo.

Para chegar ao resultado, sua equipe usou modelos matemáticos para estimar o risco estatístico de uma grávida que tenha sido infectada pelo vírus ter um bebê com microcefalia. Para isso, os pesquisadores tomaram como base o número de nascimentos durante o surto, o número de bebês diagnosticados com microcefalia, o número de testes positivos para o vírus da zika e o número de casos suspeitos da infecção.

O surto de microcefalia da Polinésia Francesa território francês que fica que fica no Pacífico Sul começou em outubro de 2013 e terminou em abril de 2014. Ao todo, mais de 31 mil pessoas tiveram casos suspeitos de zika e houve oito diagnósticos de microcefalia, dos quais cinco bebês sofreram abortos e três nasceram.

"As informações da Polinésia Francesa são particularmente importantes, já que o surto já acabou. Isso nos dá um conjunto de dados pequeno, mas muito mais completo do que aquele disponível em uma epidemia em curso. Muitas outras pesquisas são necessárias para entender como o vírus da zika pode causar microcefalia. Nossos achados apoiam as recomendações da OMS para mulheres grávidas se protegerem das picadas dos mosquitos", disse Arnaud Fontanet, professor do Instituto Pasteur de Paris que também participou do estudo.

Risco menor em comparação a outras infecções
De acordo com os resultados obtidos, o risco de microcefalia associada ao vírus da zika é menor do que o risco de malformações associadas a outras infecções. A infecção da grávida por citomegalovírus, por exemplo, resulta em 13% de risco de malformações no bebê. A síndrome da rubéola congênita afeta de 38% a 100% dos bebês cujas mães foram infectadas pelo vírus durante o primeiro trimestre da gravidez.

A diferença é que o vírus da zika tem um potencial muito maior de se propagar durante um surto do que outros vírus capazes de levar a malformações de bebês, por isso seu impacto fio muito maior do que outras infecções.

"Nossa análise apoia fortemente a hipótese de que a infecção pelo vírus da zika no primeiro trimestre da gravidez está associada com um risco aumentado de microcefalia", diz Cauchemez.

Em um comentário sobre o estudo divulgado pela "The Lancet", a pesquisadora brasileira Laura Rodrigues, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, no Reino Unido, afirma que mais pesquisas são necessárias para se chegar a uma conclusão sobre a relação entre microcefalia e o vírus da zika.

"Mais dados estarão disponíveis em breve de Pernambuco, Colômbia, Rio de Janeiro e talvez outros locais. A produção rápida de conhecimento durante essa epidemia é uma oportunidade de observar a ciência em desenvovlimento: da formulação de novas hipóteses e produção de novos resultados que trarão confirmações e contradições até o refinamento de métodos e a construção gradual de um consenso", afirma Laura, que não participou do estudo.

Saúde

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

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SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

4 de junho de 2026

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

 

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As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.

A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.

De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.

Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.

A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.

A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.

Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.