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Mal que não se vê: estudo liga uso de agrotóxicos a tentativas de suicídio em MS

Causas são reconhecidas, mas não estudadas pelos setores da Saúde

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18 de setembro de 2018

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Midiamax

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Cansaço, tristeza, dores e choro fácil são apenas alguns dos sintomas da depressão que podem ser causados por momentos de mudança brusca na vida de uma pessoa, seja um trauma ou uma grande perda, por exemplo. Mas dois pesquisadores de Mato Grosso do Sul descobriram relação entre um mal que não se vê e a doença: o uso de agrotóxicos e as tentativas de suicídio nas regiões de pequenas lavouras temporárias no Estado.
“Diversas pesquisas nacionais e internacionais mostram a ligação do uso de organofosforados com a depressão e tentativas de suicídio. Como no Estado temos diversas lavouras, passamos a realizar um trabalho de campo que durou cerca de três anos, conversando com agentes comunitários de saúde e pessoas afetadas, coletando sangue e analisando”, explica o doutor em Ciência da Saúde e professor do Instituto de Química da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) Dario Xavier Pires.
Imperceptível, a depressão causada pelos agrotóxicos gerou uma série de casos de suicídio que, ao ver dos familiares, começou com uma tristeza e isolamento inexplicáveis dos seus parentes que trabalham na lavoura. 
Os pesquisadores descobriram que a produção de algodão consumiu 78% de todo o inseticida comercializado na primeira década de 2000. E apesar das regiões do Alto Taquari, Dourados e Iguatemi representarem, juntas, 72,8% da produção de lavouras temporárias no Estado, as regiões de Cassilândia e a macrorregião de Dourados (onde se encontra Fátima do Sul e outros 14 municípios) são as maiores produtoras de algodão.
Neste recorte, Fátima do Sul teve uma média de suicídios maior que a estadual no período de 1992 a 2002. O Civitox MS (Centro Integrado de Vigilância Toxicológica) registrou no mesmo período 1.355 notificações de intoxicação provocadas pelo manuseio e pelo uso de agrotóxicos utilizados na agricultura. Deste total, 501 notificações foram provenientes da ingestão voluntária desses produtos (tentativa de suicídio), com 139 óbitos.

 Gosto de Veneno
Percebendo que o próprio produto acaba sendo usado para as tentativas, a jornalista Marcelle Souza resolveu contar no seu livro-reportagem ‘Gosto de Veneno’, apresentado no TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), a pesquisa da UFMS e a aflição das famílias que são afetadas pelo problema e não sabem como barrá-lo.
O relato ganhou o 1º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, promovido pelo Instituto Vladimir Herzog. No livro, Marcelle relata o velório de uma das vítimas, que inalou grande quantidade de agrotóxico. Pelo cheiro forte de veneno que os corpos exalam, as famílias evitam estender o tempo antes do sepultamento.
“Pesquisei bastante sobre suicídio indígena em MS durante a graduação. Daí decidi que faria meu TCC sobre suicídio, mesmo sem saber se continuaria ou não tratando do problema entre indígenas. Eu queria falar sobre isso, porque suicídio era sempre visto como tabu, especialmente no jornalismo, mas já naquela época tinha manual da OMS (Organização Mundial de Saúde) falando que o problema não estava em noticiar o assunto (o que até poderia acontecer), mas em como isso era feito”.
Após muitas pesquisas, a jornalista encontrou a pesquisa de Dario Xavier e de Maria Celina Piazza Recena e decidiu focar na questão. “Eu percebi que existiam muitas histórias de suicídio, todo mundo sabia de uma e isso me impressionou. Eram casos mais antigos, em geral da década de 1980, quando o algodão teve seu auge na região”, conta.

Proximidade perigosa
Dados mais recentes do Ministério da Saúde, entre os anos de 2007 e 2013, do Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos 2016 mostram que Mato Grosso do Sul registrou 562 tentativas de suicídio por ingestão do agrotóxico e revelam o perigo da proximidade com o produto.
O Estado ocupou o 2ª lugar da região Centro-Oeste, responsável por 21% de tentativas de suicídio desse tipo na região. Outro dado que mostra o relatório é o perfil de quem tenta suicídio por ingestão de agrotóxicos: mulheres.
Nos anos observados, as mulheres foram responsáveis por 52,2% das tentativas. As donas de casa dessas regiões representaram 21,8% das tentativas, seguidas por estudantes (19,1%) e trabalhadoras agropecuárias (12,4%), mostrando que nem sempre é preciso lidar diretamente com o produto para ser afetado por ele.

Prevenções
Para o pesquisador, é preciso se aprofundar na questão para encontrar maneiras de prevenção da depressão causada pela exposição ao agrotóxico. “Há a necessidade de se iniciar um programa de vigilância epidemiológica na região, até agora inexistente, para melhor avaliar, comparar e quantificar estes eventos”, avalia.
O Ministério da Saúde reconhece as consequências da relação entre o uso de inseticidas e suicídios no Relatório Saúde Brasil 2007, mas não aponta nenhuma política de prevenção. “Alguns estudiosos apontam os agrotóxicos como elementos desencadeadores de quadros depressivos, em função de mecanismos neurológicos e endócrinos. Mas há que se investigar ainda, com mais profundidade, outras hipóteses, como a questão cultural”, mostra o relatório. 

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.

 

Saúde

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

2 de junho de 2026

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

 

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Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).

Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.

Óbitos foram registrados em sete municípios

De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do SulDouradinaGuia Lopes da Laguna e Itaporã.

Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.

O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.

Dengue soma mais de 5 mil casos prováveis

Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.

Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.

Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.

Mais de 223 mil doses contra dengue foram aplicadas

O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.

Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.

Vacinação é destinada a crianças e adolescentes

A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.

A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.