sábado, 25 de julho, 2026

WhatsApp

(67) 99983-4015

Saúde Mental

A+ A-

Laços que sustentam: A verdadeira "rede social"

Icone Calendário

14 de novembro de 2025

Icone Autor

Renan Maia

Continue Lendo...

Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi


Há um padrão silencioso que aparece no consultório, independentemente da idade, classe social ou história de vida: quase sempre, quando alguém adoece emocionalmente, há uma história de solidão ou isolamento por perto. Às vezes é a solidão explícita, aquela de quem não tem com quem conversar. Outras vezes é a solidão disfarçada, a de quem está sempre rodeado, mas nunca verdadeiramente em vínculo.

E quanto mais aprofundo no tema, mais me convenço de que a saúde mental não é só um assunto individual: é também uma obra coletiva. Somos, por natureza, seres relacionais. Desde o nascimento, nosso cérebro se organiza a partir do olhar do outro. Os vínculos não são apenas afeto: são estrutura, referência, bússola. São eles que nos ensinam a regular nossas emoções, modulam nossos medos e ampliam nossos sentidos.

O modo como aprendemos a nos relacionar começa cedo. A rotina familiar, a disponibilidade afetiva dos cuidadores, as respostas aos choros, aos medos e às pequenas frustrações moldam a capacidade de regular emoções. Crianças que crescem em lares imprevisíveis, onde há alternância entre calor e rejeição, violência ou negligência, tendem a desenvolver padrões de relacionamentos inseguros. Esses padrões não ficam confinados à infância: afetam a forma como escolhemos parceiros, reagimos a críticas, elaboramos perdas e buscamos ajuda.

É no colo da família, no riso dos amigos, na conversa com colegas de trabalho que a vida vai ganhando contorno e nós, equilíbrio. Ambientes comunitários também contam. Viver em bairros com pouca vida social, sem espaços de convivência e em contextos de insegurança aumenta o estresse crônico. O risco não é apenas subjetivo: questões socioeconômicas como desemprego, dívida e moradia precária impactam diretamente o estado psíquico. Saúde mental e condições sociais andam juntas; tratá-las separadamente é um erro na prática clínica e nas políticas públicas.

No entanto, mesmo sabendo da importância das relações sociais e dos laços comunitários, temos vivido um tempo estranho: hiperconectado e paradoxalmente, profundamente solitário. As redes sociais, que prometiam aproximar, muitas vezes só ampliam buracos internos. Elas conectam pessoas geograficamente distantes, servem como suporte em tempos de crise e podem abrigar comunidades importantes. Ao mesmo tempo, transformaram parte da vida social em espetáculo: contato rápido, interação superficial, comparação permanente. Dois problemas práticos emergem: Quantidade ou invés de qualidade, muitos “amigos” online não substituem alguém que te conhece pela cara que faz, que entenda seus olhares, que dá suporte prático e emocional; Bolhas e polarização, os algoritmos criam ambientes onde discordância vira ataque e onde a validação rápida reforça comportamentos extremos, diminuindo a tolerância à complexidade humana.

Na clínica, o uso abusivo das redes aparece como fonte de ansiedade, de sono ruim e de autoestima frágil — especialmente entre jovens. Isso não significa demonizar a tecnologia, mas reconhecer seus limites como substituto de laços reais.

Portanto, pensemos no isolamento social de forma mais ampla do que simplesmente a falta de companhia. A exposição prolongada a um estado de privação social altera o corpo e a mente. Estudos epidemiológicos mostram que solidão e isolamento aumentam risco de depressão, demência e até morte precoce. O efeito é comparável a fatores como tabagismo pesado. Do ponto de vista biológico, a ausência de suporte social altera respostas inflamatórias, aumenta os hormônios ligados ao estresse e reduz mecanismos de reparo emocional. Em linguagem clínica: a pessoa isolada fica com menor capacidade de tolerar estresse, maior reatividade emocional e pior recuperação após eventos adversos.

Laços sociais escassos têm impacto perceptível: menor desempenho no trabalho, maior absenteísmo, maior risco de doenças cardiovasculares e pior adesão a tratamentos. Para pais e cuidadores, a falta de rede complica a criação, sem apoio aumenta a chance de estresse parental, de respostas mais rígidas às crianças e de transmissão intergeracional de sofrimento. Em outra direção, crianças com vínculos seguros tendem a ser mais resilientes frente a adversidades; é uma diferença que se vê ao longo de décadas.

Além disso, muitos chegam à vida adulta com vínculos frágeis ou fragmentados. Famílias que se distanciam, amizades que se perdem no ritmo da vida, rotinas de trabalho que consomem tempo e presença. E a verdade é simples, embora difícil de aceitar: ninguém se salva sozinho. Precisamos de quem nos sustente nos dias ruins e de quem celebre conosco os dias bons. Precisamos de vínculos que nos lembrem quem somos quando nos esquecemos de nós mesmos.

Isso não significa que todos precisamos de muitos amigos. Algumas pessoas florescem em círculos pequenos, outras em redes grandes. O tamanho não importa o que importa é a qualidade. Importa ter com quem contar. Importa ser encontrado quando se perde. Importa ser visto. E é essa coragem que, aos poucos, vai nos devolvendo uma espécie de saúde que nenhuma pílula compra: a saúde que nasce do pertencimento.


5 caminhos para laços sociais mais saudáveis

1. Cultive vínculos que respiram, não relações que te consomem: Laços saudáveis acolhem, mas também permitem limites. Dizer “não” preserva o vínculo; sufocar-se para manter o outro, destrói.

2. Diminua o “tempo de tela” e aumente o “tempo de presença”: Conversas digitais são boas pontes, mas não substituem o olhar, o tom, o silêncio compartilhado.

3. Aprenda a pedir ajuda: Embora pareça simples, pedir ajuda é profundamente terapêutico, para quem recebe e para quem oferece. 

4. Alimente relações com constância: Uma mensagem curta, um encontro rápido, um áudio sincero. Pequenos gestos sustentam grandes laços.

5. Invista em espaços de convivência: Grupos de interesse, projetos comunitários, aulas, clubes de leitura, esportes coletivos. Socializar também é prática e prática melhora com treino.
 

Saúde/Coxim

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

25 de julho de 2026

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

 

Continue Lendo...

Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.

A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.

Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.

O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.

As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.

Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.

A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.

A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.

Saúde

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

24 de julho de 2026

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

 

Continue Lendo...

A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.

A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.

Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.

Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.

Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.

Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.

Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.

O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.

Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.

A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.

Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.

Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.

O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.

Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.

A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.