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Saúde
Especialista contabiliza cerca de mil pessoas atendidas desde que a doença chegou em MS, há um ano. Ele também ressalta a importância em tratar a síndrome pós-Covid
16 de março de 2021
G1 MS
Fôlego curto, tosse, falta de ar, mudança no paladar e até esquecimento. Na parte comportamental e neurológica, estão a perda de concentração, depressão e até casos de síndrome do pânico. Após a cura da Covid, estas são as queixas de alguns pacientes, algo que os especialistas buscam respostas e não chamam de sequelas, mas sim de síndrome pós-Covid.
"No início, aparecem sintomas muito chatos e que desaparecem ao longo do tempo ou até mesmo com ajuda profissional. O Covid provoca
uma grande inflamação onde os pulmões são os receptores e a doença tem uma relação muito direta com ele, provocando em alguns casos dor de cabeça, diarreia, onde inflama se manifesta e, quando maior for a inflamação pulmonar, maior é a doença", afirmou ao G1 o pneumologista Ronaldo Perches Queiroz.
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pulmão de paciente em três momentos; comprometido e com muitas manchas brancas e depois recuperado — Foto: Reprodução
É o caso do contabilista Pedro Joamir de Matos Rodrigues, de 59 anos, infectado pela Covid em 2020. “Eu sempre me cuidei, fiz esportes, então, nunca imaginei que fosse pegar Covid. Mas fiquei internado por 3 dias e depois continuei o tratamento durante 60 dias, tomando remédio, mantendo alimentação correta e sem sair de casa. Fiquei muito tempo no sofá, sem ânimo”, relembrou.
Na época, Pedro conta que até tentou fazer outras atividades, porém logo sentia tontura e cansaço. “Foi necessária a fisioterapia pulmonar e aí fui progredindo aos poucos. De início, o comprometimento do pulmão estava em 55, depois caiu pra 30, depois 15 e, na última consulta, tinha zerado. Devo isso aos cuidados da minha esposa, que dava o remédio na hora certa”, falou.
No entanto, ainda conforme Pedro, existem “resquícios da doença”. “Sinto dores no peito às vezes. Não estou sentindo nada e, de repente, sinto e quando amanhece está no outro lado. O médico me disse que, de 4 a 6 meses, é pra checar o pulmão e vou estar fazendo isso sempre agora”, comentou.
Tempestade inflamatória
De acordo com o pneumologista, Pedro fez o tratamento inicial, depois
passou pela fase inflamatório e, no meio disso, teve o que os médicos chamam de “tempestade inflamatória ou tempestade de citocinas”.
“É quando o vírus dá um arrancão, toma todo o pulmão, então ele teve que ser internado. Após saída do hospital, foi pra casa e teve todos os sintomas do pós-Covid. Fez um tratamento multidisciplinar e a superação está sendo exemplar”, ressaltou.
O jornalista Paulo Yafusso, de 56 anos, confundiu uma simples gripe com a Covid, em maio de 2020. “Os médicos me explicaram que tudo depende muito da carga viral que a pessoa recebe. Cheguei a ir ao serviço um dia, mas, tive mais de um sintoma e fui embora pra casa. Fiz o teste, saiu o resultado três dias depois e já comecei o tratamento”, falou.
Quando terminou a medicação, Paulo conta que recebeu uma ligação da Secretaria Municipal de Saúde [Sesau]. “Falei com o médico e ele pediu uma avaliação pós-tratamento. No hospital, fiz a tomografia e depois vi o médico conversando sobre refazer um exame, só que não achei que
fosse o meu caso”, relembrou.
Em seguida, o profissional pediu a ele para refazer. “Ele comentou que achou que estivesse errado, mas, o nível de saturação no sangue estava 83 e ele não estava entendendo nem como eu estava bem, sem tosse, sem febre, conversando normal. Foi aí que pediram a minha internação e eu mesmo assinei a permissão para o CTI [Centro de Terapia Intensiva], já com os pulmões bem comprometidos”, argumentou.
Com a alta médica, Paulo conta que a ligação do médico, pedindo a ele para avaliar o pós-Covid, fez “toda a diferença”. “Foi essencial porque nem precisei de tomografia e depois de três semanas voltei a trabalhar. Mas os reflexos da Covid continuaram e tenho dores nas articulações e cansaço, algo que só sentia quando fazia algo bem puxado”, disse.
Ainda falando dos casos mais graves, quando é necessária a intubação e ventilação mecânica, por exemplo, o médico fala que o paciente fica com o pulmão extremamente comprometido após cura da doença, sendo necessário o acompanhamento para que ele não tenha uma fibrose pulmonar, por exemplo.
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Mesmo exame feito por contabilista durante tratamento da Covid; no primeiro estava com 50% do pulmão comprometido — Foto: Montagem/G1 MS
"Houve recentemente um fórum na Suíça, em que especialistas demonstram preocupação com os sintomas que ficaram após a doença. Isso tem incomodado, principalmente porque a discussão maior fica em torno do tratamento e vacinas. Mas, a pessoa que teve alta e não sente mais o cheiro, aquela que não consegue subir mais uma escada, ela quer realmente saber o que está acontecendo", comentou Queiroz.
Cheiros ficaram estranhos, fala dona de casa
A dona de casa Fernanda Soares, de 30 anos, também pegou Covid no ano anterior. Quando passou o período de isolamento e ela retomou a vida, voltando a sair para atividades essenciais, fala que sentiu alterações no olfato.
"Eu não sentia cheiro de perfume. A comida também, no início não estava sentindo o cheiro ao cozinhar e depois voltou, só que mais forte, aguçado mesmo. Agora, odores, como fezes, também não sinto mais, é
algo estranho. Parece que ficou tudo muito parecido", lamentou.
Fernanda, até o momento, não procurou um profissional da saúde para entender as alterações. No entanto, segundo o Ronaldo, que atende pacientes na clínica dele e também em hospitais, cerca de mil pacientes pós-Covid foram atendidos por ele e o colega neste período.
"Nós temos contabilizados este grande número de pacientes pós-Covid. Para chegar na minha sala, tem uma escadinha e muitos deles já chegam falando que estão cansados só de subir ali. E quando vou examinar, a gente vê que a pessoa tem um comprometimento pulmonar. Mas temos medicação para evitar uma fibrose pulmonar. Temos anti-fibróticos e fisioterapia multidisciplinar, que vão garantir sucesso no tratamento", comentou.
Sinto uma tristeza profunda, diz esteticista
Uma esteticista, de 24 anos, que não quer ser identificada, fala que ela e o namorado foram infectados pela doença. No entanto, passado um tempo, ela passou a sentir “uma tristeza profunda”.
“Ela fala muito dos cheiros, mas, recentemente fala que já voltou ao normal. Eu tive todos os sintomas e me curei. Na minha cabeça, estava tudo certo, só que voltei a trabalhar e passei a sentir medos, é algo bem ruim. Fico triste, acho que vou morrer, não sei explicar. Meu próximo passo é procurar ajuda de algum psicólogo agora”, disse.
Ciclo da Covid
Quando a pessoa tem contato com o vírus, 14 dias são suficientes para ter o desfecho dele no organismo. Ainda conforme o especialista, são 3 fases. No caso dos primeiros cinco dias, ocorre a fase de duplicação viral, com sintomas mais leves.
Já no caso do sexto ao décimo ou décimo segundo dia, é a vez da “fase inflamatória”. “Aí é um divisor de águas, já que na maioria dos casos a pulmão cura em casa, não precisa de oxigênio e é o caso da maioria graças a Deus. Só que temos casos da fase 2 A, com queda de saturação do oxigênio, máscara e a VNI [Ventilação Não Invasiva], algo que dura de 4 a 5 dias”, afirmou.
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Médico diz que contabiliza mil pacientes atendidos pós-Covid neste um ano em MS — Foto: Ronaldo Queiroz/Arquivo Pessoal
Na fase 3, ainda segundo Ronaldo, é quando “nem máscara e nem oxigênio resolveu”, sendo esta considerada uma fase muito grave da doença. “O percentual que chega a esses casos varia de 1,5% a 5% e aí é feita a intubação orotraqueal, então, indiscutivelmente, o que mata é o pulmão. É o órgão mais afetado pela doença”, lamentou. Desde o início, com o avança da medicina, os profissionais sabem os protocolos de tratamento. No entanto, o que ocorre depois no organismo é que ainda é um mistério. “O vírus é vencido e aí fica o rastro, essa falta de ar que muitos se queixam, tosse, fôlego curto, perda do paladar, então a população precisa ser orientada. Temos ainda os casos neurológicos e por isso estamos trabalhando em conjunto com psiquiatras e psicólogos”, finalizou.
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.