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Exposição a inseticida na gravidez aumenta risco de autismo em bebês

O DDT foi banido na década de 1970, mas resíduos desta substância podem ter permanecido no solo e na água que consumimos

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17 de agosto de 2018

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O DDT – conhecido como o primeiro pesticida da era moderna – pode ser capaz de atravessar a placenta e aumentar os riscos de um bebê desenvolver Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), sugere estudo publicado no American Journal of Psychiatry. A substância, usada durante a Segunda Guerra Mundial para controlar o tifo e a malária na Europa e no Pacífico Sul, já é conhecida por causar tremores, convulsões, náusea e câncer, especialmente em casos de exposição a altas concentrações. Agora, a nova pesquisa estabelece uma ligação concreta entre o DDT e o autismo.

Segundo os pesquisadores, quanto mais alto for o nível de pesticida no sangue das grávidas, maior é a probabilidade de seu filho apresentar o transtorno, que atinge cerca de 150.000 pessoas por ano no Brasil. A equipe explicou ainda que esse aumento é uma combinação da exposição pré-natal à toxina do DDT e fatores genéticos e ambientais.

A pesquisa

Estudos realizados anteriormente ligaram o DDT e os bifenilos policlorados (PCBs) ao câncer e sugeriram que esses produtos químicos podem afetar o desenvolvimento do cérebro e a cognição no início da infância. Entretanto, a maioria dessas pesquisas levou em conta apenas a exposição com base na proximidade dos participantes a um local contaminado; não mediu diretamente os níveis das substâncias no sangue das mulheres grávidas no período de gestação.

Adotando esta nova estratégia de investigação, a equipe da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, recorreu a um banco de dados biológicos na Finlândia, que coletou e armazenou, desde 1983, amostras de soro do sangue de mulheres grávidas. As amostras pertenciam a  mais de um milhão de mulheres que deram à luz entre 1987 e 2005. Os registros de saúde das crianças que nasceram com autismo também foram utilizados. Outros dados coletados pertenciam a 778 mulheres cujos filhos não haviam sido diagnosticados com o transtorno de forma a considerar uma combinação cuidadosa de local e data de nascimento, sexo e residência para fins de comparação.

Perigo do inseticida

A equipe se baseou no subproduto de DDT e PCBs – produzidos depois que o corpo processa esses químicos – para chegar aos resultados. No caso do subproduto do PCBs não foram encontrados evidências de correlação com o autismo. No entanto, os pesquisadores descobriram que as mães com altas concentrações de diclorodifenildicloroetileno (DDE) – subproduto do DDT – no sangue tinham 32% mais risco de ter um filho que poderia desenvolver autismo. Eles revelaram ainda que a probabilidade de uma criança autista apresentar deficiência intelectual também foi maior (duas vezes mais) em mães com níveis elevados de DDT.

O estudo chegou a esta conclusão depois de encontrar aproximadamente 1.300 crianças diagnosticadas com autismo dentre os filhos cujas mães participaram do estudo; 778 pares de mães e filhos foram comparados à mesma quantidade de crianças (e mães) sem o diagnóstico. “Nas mulheres grávidas, as substâncias químicas são repassadas para o feto em desenvolvimento. Juntamente com fatores genéticos e ambientais, nossas descobertas sugerem que a exposição pré-natal à toxina do DDT pode ser um gatilho para o autismo”, explicou Alan S. Brown, principal autor do estudo, ao Daily Mail Online.

Embora a análise tenha se mostrado significativa, Brown alerta que a associação não é uma confirmação de causa.

DDT

Segundo o Medical News Today, o DDT foi sintetizado pela primeira vez em 1874 para combater uma ampla gama de vetores de doenças, tendo sido utilizado durante a Segunda Guerra Mundial para controlar o tifo e a malária na Europa e no Pacífico Sul. Por ser um inseticida muito eficaz, o DDT quase conseguiu erradicar o tifo em algumas partes da Europa. Nos Estados Unidos, ele era amplamente utilizado em residências particulares e empresas agrícolas. Apesar da eficácia, na década de 1970, essa substância foi banida em muitos países devido a preocupações de segurança.

No entanto, o DDT ainda é usado na África para controlar as populações de mosquitos. Como o químico permanece no solo e na água por décadas, ele pode se acumular em plantas e na carne de animais consumidos pelas pessoas. Por isso, foi possível encontrar concentrações altas de DDT no sangue de algumas mães que participaram da pesquisa. “O estudo é realmente incrível. Isso apenas confirma que a proibição de utilizar esse produto foi uma boa ideia”, disse Tracey Woodruff, pesquisadora da Universidade da Califórnia (UCLA), ao Scientific American.

Brown explica que os químicos não podem ser removidos do meio ambiente, portanto, a melhor forma de limitar a exposição é optando por uma alimentação com mais frutas e verduras orgânicas e evitar residir perto de locais com concentrações de resíduos tóxicos.

Autismo

Os pesquisadores disseram que ainda não está claro como o DDT está associado ao risco de autismo, mas uma das hipóteses está relacionada ao fato de que a presença do DDT pode provocar parto prematuro e baixo peso ao nascer, fatores de risco para o transtorno.

A outra explicação é referente ao DDT se ligar a proteínas do corpo conhecidas como receptores androgênicos, que permitem às células responderem à testosterona e a outros hormônios. Estudos anteriores realizados em camundongos mostraram que algumas substâncias químicas que se ligam a receptores androgênicos podem atrapalhar o desenvolvimento do cérebro do feto, particularmente em meninos, gênero cinco vezes mais propenso ao diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

O autismo é um transtorno de desenvolvimento grave que prejudica a capacidade de se comunicar. Ele também é caracterizado por padrões de comportamentos repetitivos e dificuldade na interação social. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas convivem com o autismo ao redor do mundo; 2 milhões somente no Brasil.

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.

 

Saúde

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

2 de junho de 2026

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

 

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Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).

Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.

Óbitos foram registrados em sete municípios

De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do SulDouradinaGuia Lopes da Laguna e Itaporã.

Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.

O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.

Dengue soma mais de 5 mil casos prováveis

Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.

Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.

Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.

Mais de 223 mil doses contra dengue foram aplicadas

O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.

Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.

Vacinação é destinada a crianças e adolescentes

A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.

A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.