sábado, 25 de julho, 2026
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Um estudo liderado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP alerta que a demência e outros comprometimentos cognitivos em idosos hospitalizados frequentemente não são reconhecidos pelas equipes de saúde, o que pode impactar negativamente o tratamento e a recuperação dos pacientes.
A pesquisa, publicada no Journal of the American Geriatrics Society, aponta que cerca de dois terços dos pacientes com 65 anos ou mais internados em hospitais apresentam algum grau de comprometimento cognitivo, como perda de memória. Um terço tem diagnóstico de demência.
Segundo o professor Márlon Aliberti, primeiro autor do estudo, a não identificação dessas condições ocorre porque o foco dos profissionais geralmente está na enfermidade aguda que levou à internação, como infecções ou problemas cardíacos.
“No entanto, a demência influencia diretamente a resposta a medicamentos, aumenta o risco de delírio, prolonga a internação e dificulta a reabilitação”, destaca Aliberti.
O estudo mostrou ainda que, entre os casos de demência identificados, cerca de metade nunca havia sido diagnosticada anteriormente — permanecendo desconhecida até o momento da internação, inclusive por médicos e familiares.
Essas alterações cognitivas já estavam presentes antes do episódio agudo, mas não haviam sido reconhecidas, o que prejudica o planejamento adequado dos cuidados durante e após o período hospitalar.
Para lidar com essa realidade, os pesquisadores propõem uma triagem simples: uma entrevista à beira do leito com um familiar ou cuidador próximo, realizada nos primeiros dias de internação.
A professora Claudia Suemoto, responsável pela supervisão do estudo, explica que a estratégia permite identificar déficits cognitivos mesmo em pacientes que não conseguem participar diretamente da avaliação. “Não se trata de um diagnóstico definitivo, mas de uma triagem eficiente que pode ajudar no melhor planejamento do cuidado hospitalar”, afirma.
Com a identificação precoce do comprometimento cognitivo, é possível orientar melhor os cuidados após a alta, como a necessidade de apoio familiar mais estruturado, especialmente em casos de pacientes que vivem sozinhos.
“Isso pode evitar complicações futuras e até novas internações”, explica Suemoto.
O novo método foi testado em cinco hospitais de São Paulo, Belo Horizonte e Recife, apresentando eficácia superior a 90%. Com os resultados positivos, a abordagem será implementada na rede do grupo de estudo Change, ligado à Faculdade de Medicina da USP.
Mais de 250 profissionais já foram treinados para aplicar a ferramenta em 43 hospitais do Brasil e de outros quatro países: Angola, Chile, Colômbia e Portugal.
O estudo foi conduzido pelo Laboratório de Investigação Médica em Envelhecimento, sob a supervisão da professora Claudia Suemoto, em parceria com a professora Monica Yassuda, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, e a médica Regina Magaldi, da Divisão de Geriatria do Hospital das Clínicas da USP.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.