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Saúde Mental

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Esquizofrenia e a realidade sobre ela

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12 de dezembro de 2025

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Renan Maia

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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi

A esquizofrenia é um daqueles diagnósticos que carregam mais medo do que compreensão. Na clínica, percebo que poucas palavras despertam tanta confusão, estigma e silêncio. Quando alguém recebe esse diagnóstico ou quando a família suspeita, o que surge primeiro não é a doença, é a angústia: “o que vai ser da vida dele agora?”.
Mas antes de qualquer rótulo, existe uma pessoa tentando sobreviver a um mundo que, muitas vezes, se desorganiza por dentro de um jeito difícil de explicar. Ou ainda, uma realidade externa que aquela “psique” não consegue suportar.


Ao contrário do que muitos imaginam, a esquizofrenia não é “dupla personalidade” nem “loucura sem retorno”. É um transtorno mental grave, de base neurobiológica, que altera a forma como a pessoa percebe a realidade, organiza o pensamento, expressa emoções e se relaciona com o mundo.
Na prática clínica, vemos três conjuntos de sintomas:
Sintomas positivos, aquilo que aparece “a mais”: delírios (ideias fixas que não se desfazem com argumento lógico); alucinações (especialmente auditivas, mas podem ser de qualquer sentido); pensamento desorganizado; fala desconexa; comportamentos bizarros ou descontextualizados.
Sintomas negativos, aquilo que falta: retraimento; apatia; dificuldade de sentir prazer; empobrecimento da fala; expressões afetivas reduzidas.
Comprometimentos cognitivos, que pouca gente comenta: dificuldade de memória operacional; lentificação de raciocínio; redução da capacidade de planejar; atenção instável.
Esses três blocos variam muito. Cada paciente tem seu “mapa” próprio. Não existe “uma esquizofrenia” existem pessoas vivendo com ela, cada uma do seu jeito.
O começo quase sempre é confuso. A fase inicial costuma ser sutil: queda no rendimento escolar, isolamento inesperado, mudanças bruscas no sono, ideias estranhas, irritabilidade, piora da higiene ou do autocuidado. É o chamado período prodrômico, que muitas vezes passa despercebido. Pais acham que é rebeldia. Professores acham que é preguiça. A pessoa acha que “algo está errado”, mas não encontra nome. E aqui começa o risco: quanto mais cedo cuidamos, melhores são os resultados. 


Em especial, a dificuldade se dá devido o período da vida onde esses primeiros sintomas se desenvolvem, justamente na adolescência... Período já marcado por uma série de mudanças e comportamentos característicos que podem se confundir com os sintomas. Por isso também o diagnóstico só pode ser fechado posteriormente, entre o final da adolescência e início da vida adulta (em raros casos pode acontecer a esquizofrenia de inicio precoce, antes dos 18 anos).
Seja pela dificuldade, seja pelo estigma a esquizofrenia é um diagnóstico que muitas famílias escondem. Há medo de julgamento, de rejeição, de rótulos. A sociedade ainda associa o transtorno à violência, o que é muito injusto. Na imensa maioria dos casos, a pessoa com esquizofrenia é mais vulnerável à violência do que responsável por ela.
Esse estigma mata mais do que a doença. Mata oportunidade, mata autoestima, mata vínculo. No consultório já ouvi frases como: “não quero que ninguém saiba.”; “Será que é melhor não contar para ele o diagnóstico?”; “Tenho vergonha… queria saber onde errei.” Mas ninguém falha por adoecer. O que falha é a sociedade quando abandona quem mais precisa.


Esquizofrenia não é apenas cérebro: é também ambiente, história, cultura. O transtorno tem base genética e neuroquímica, mas ele se manifesta dentro de um contexto. Isso inclui: vulnerabilidade social; falta de rede de apoio; violências vividas na infância; rupturas familiares; pobreza extrema; uso abusivo de substâncias; preconceito religioso; falta de acesso a tratamento; estressores ambientais intensos.
Na clínica, vejo que uma pessoa com boa rede familiar, tratamento adequado e rotina estruturada consegue levar uma vida funcional: estudar, trabalhar, construir relações. Já quem não tem esse suporte enfrenta uma escalada de dificuldades que não tem nada a ver com “força de vontade”. É a necessidade de construir uma rede de suporte e uma estabilidade emocional, onde não se tem, sem saber como fazer, com a mente já psicologicamente desorganizada... Saúde mental não é mérito individual.
O tratamento: paciência, vínculo e continuidade. O cuidado eficaz é sempre multiprofissional, não existe milagre isolado: medicação (antipsicóticos nas doses certas, com acompanhamento contínuo); psicoterapia (não para “curar”, mas para organizar, orientar, fortalecer, treinar habilidades sociais e enfrentar o estigma); psicoeducação familiar; acompanhamento comunitário (RAPS, CAPS); evitar uso de álcool e drogas; estabelecer rotina de sono; atividades que resgatem sentido, vinculo e produtividade.
E talvez o ponto mais negligenciado: continuidade. Esquizofrenia é doença crônica. Não basta melhorar uma crise, é preciso manter o cuidado quando tudo parece estável. É nos intervalos que prevenimos novos surtos psicóticos ou  a piora dos sintomas negativos..


A esquizofrenia não acontece em uma pessoa só, ela afeta a casa inteira. Famílias oscilam entre hiperproteção e exaustão. Sentem medo, vergonha, impotência... Precisam ser orientadas, não para controlar o paciente, mas para entender limites, sinais de alerta, manejo de crises e principalmente para não se culpar.
Se quisermos evitar histórias como tantas que vemos nas ruas, nos abrigos, no sistema prisional e nas tragédias anunciadas, pwrecisamos: investir em CAPS estruturados e fortalecer a RAPS para que todos os pontos da rede atuem em saúde mental; fortalecer políticas de moradia assistida; integrar saúde mental com assistência social, educação e justiça; treinar profissionais para reconhecer sinais precoces; combater o estigma na mídia e nas escolas; garantir acesso contínuo a medicação e acompanhamento.
A esquizofrenia não é um fenômeno individual. É um desafio social, clínico e ético.

5 Orientações para Quem Convive com Alguém com Esquizofrenia

1. Aprenda a diferenciar pessoa e sintoma
Nem tudo o que ela diz ou faz é voluntário. Delírios, retraimento, irritabilidade e desorganização não são “falta de caráter”: são parte da doença. Personalizar o sintoma aumenta sofrimento e conflitos (compreender alivia).

2. Evite confrontar diretamente delírios ou alucinações
Discutir “o que é real” raramente funciona. O foco deve ser validar o sentimento (“deve ser angustiante sentir isso”) e redirecionar para segurança (dentro do discurso delirante, criar uma narrativa que volte a aproximar do real).

3. Crie um ambiente previsível e claro
Rotina, regras simples, horários e organização reduzem estresse e ajudam a estabilizar o quadro. Mudanças bruscas, excesso de estímulos ou conflitos constantes podem precipitar crises.

4. Participe do tratamento, não apenas observe
Acompanhar consultas, entender a medicação, reconhecer sinais de recaída e conhecer a rede de cuidados (CAPS, urgência, equipes de território) faz enorme diferença. Tratamento eficaz é sempre uma construção compartilhada.

5. Cuide-se para continuar cuidando
Cuidadores adoecem quando não têm rede. Terapia, grupos de apoio, divisão de responsabilidades e pausas reais são tão necessários quanto o tratamento do próprio paciente. Ninguém sustenta sozinho uma tarefa tão complexa.
 

Saúde

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

  As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

4 de junho de 2026

SUS amplia proteção infantil com nova vacina contra pneumonia e meningite

 

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As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.

A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.

De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.

Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.

A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.

A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.

Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.