quinta, 04 de junho, 2026
(67) 99983-4015

Psicólogo Clínico || CRP 14/07127-2 || @renanmaia.psi
Você já olhou no espelho e sentiu que havia algo “errado” com seu corpo — mesmo sem uma razão concreta? Já insistiu em dietas, treinos ou procedimentos porque nada parecia suficiente? Já pensou que, se mudasse “aquela parte”, finalmente estaria bem consigo? Para muitas pessoas, isso não é um pensamento passageiro, mas uma realidade angustiante que se repete todos os dias. Essa realidade tem nome: dismorfia corporal.
Há corpos que pesam. Não pelo número na balança, mas pelo peso do olhar sobre si mesmo. Pela dor de se enxergar no espelho e não reconhecer o que está ali refletido. Para quem vive com dismorfia corporal, a autoimagem se torna um território distorcido, angustiante e, muitas vezes, insuportável.
Dismorfia corporal não é vaidade em excesso, nem insegurança passageira. É um transtorno psicológico em que a pessoa desenvolve uma percepção distorcida e negativa sobre seu corpo — mesmo quando, objetivamente, não há nenhuma alteração significativa. O nariz sempre parece grande demais. A barriga, nunca está suficientemente reta. O rosto, sempre fora de simetria. O corpo vira alvo de uma autocrítica implacável e nenhuma mudança parece ser suficiente.
Nesses casos, os olhos já não enxergam o corpo real. Enxergam um reflexo adoecido pelo sofrimento psíquico. E quando a mente adoece, o corpo acompanha: surgem comportamentos compulsivos (provocar vômito, pesar frequentemente, jejuns...), dietas extremas, cirurgias em série, uso indiscriminado de medicamentos e substâncias para “modelar” o físico. A busca por um ideal impossível vira prisão.
A sociedade em que vivemos potencializa esse adoecimento. O padrão de beleza atual é, muitas vezes, filtrado, editado, inatingível. Redes sociais que vendem corpos esculpidos por edições e cirurgias criam a ilusão de que o “normal” é ser escultural. Perfis editados, filtros sutis que afinam, esticam, corrigem. As redes sociais, ao invés de espelhos, tornaram-se vitrines de corpos idealizados — e, muitas vezes, irreais. A comparação constante, o culto ao desempenho estético e a cobrança silenciosa para “se cuidar” — muitas vezes camuflando exigência estética — tornam-se gatilhos para um sofrimento que, por vezes, é vivido em silêncio.
Como sempre nos lembra o psicanalista Jacques Lacan: “o corpo é o primeiro espelho do eu”. E quando esse espelho se fragmenta, a identidade também se fere. Por isso, tratar a dismorfia corporal é mais do que ajudar alguém a aceitar sua aparência — é resgatar a relação dessa pessoa com sua própria existência.
O tratamento deve ser acolhedor e multidisciplinar: psicoterapia é fundamental, preferencialmente com um profissional que compreenda os aspectos subjetivos da imagem corporal. Além disso, em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico também pode ser necessário; assim como acompanhamento nutricional e suporte familiar. E mais do que tudo: é preciso criar redes de apoio, ambientes que promovam o cuidado integral e não apenas a estética. O corpo não é um inimigo a ser vencido, é morada. Cuidar da saúde mental é também reaprender a habitá-lo com respeito.
Dicas práticas para cultivar uma relação mais saudável com o próprio corpo:
1. Filtre o que você vê nas redes sociais
Siga pessoas que compartilham vivências reais, não apenas corpos “perfeitos”. Questione padrões irreais ou perfeitinhos demais: busque experiências mais humanas e próximas do que vivenciamos no dia-a-dia.
2. Evite comentários sobre o corpo alheio (e o seu)
Comentários aparentemente inofensivos sobre aparência podem ferir mais do que se imagina. Além disso, Aquilo que cobramos do outro em algum momento alimentará nossa autocobrança.
3. Cuide-se por amor, não por punição
Pratique atividade física e alimente-se bem porque seu corpo merece cuidado — não castigo. Trabalhe com metas focadas na regularidade, no prazer e na saúde — evite metas estéticas.
4. Fale sobre o que sente
Conversar com alguém de confiança ou buscar ajuda profissional é o passo mais importante.
5. Lembre-se: seu valor não está no espelho
A aparência é só uma das muitas dimensões que compõem quem você é.
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.