sábado, 25 de julho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
De tempos em tempos, um novo “boom” psicológico ocupa as redes, os consultórios e até as conversas nas rodas de amigos. Já foi o TDAH, o Transtorno de Ansiedade, o TEA e agora, parece ser a vez da superdotação.
Tenho visto um número crescente de pessoas se identificando com o termo, pais buscando avaliações para os filhos e vídeos determinando que se você tem “tal” comportamento ou “X” característica, você é superdotado. Mas a pergunta é, será que é assim mesmo?
E, embora o tema seja legítimo e mereça visibilidade, o modo como ele vem sendo tratado levanta um alerta importante: a superdotação não é um rótulo de prestígio ou uma dádiva, mas um fenômeno complexo, que requer seriedade para ser compreendido.
O conceito de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) descreve pessoas com desempenho significativamente acima da média em uma ou mais áreas: intelectuais, artísticas, criativas ou psicomotoras. Em muitos casos aparece a chamada assincronia do desenvolvimento: a cabeça corre em velocidade adulta enquanto o afeto, o corpo e as habilidades sociais ainda estão em fases anteriores. É a criança que debate ética como gente grande e chora feito criança (porque é criança). Em adultos, isso se traduz em pensamento acelerado, hiperfoco, sensibilidade ampliada (sensorial e emocional), intolerância a tarefas do cotidiano...No entanto, esse brilho cognitivo costuma vir acompanhado de desafios emocionais, sociais e por vezes, psíquicos.
Muitos superdotados enfrentam hipersensibilidade (luz, sons, cores...), perfeccionismo, dificuldade de adaptação em grupos e uma sensação constante de deslocamento. É comum ouvirmos: “penso demais, não consigo parar”, “nada parece me satisfazer”, “me sinto cansado”. Ou seja, o potencial elevado não imuniza contra o sofrimento; às vezes, até o intensifica. Além disso, não é raro que casos de altas habilidades sejam acompanhados de outros diagnósticos, complexificando ainda mais o quadro e dificultando o diagnóstico.
Com a ampliação do termo neurodivergência, que abarca condições como o TDAH, o TEA e a própria AH/SD, o debate ganhou força e também simplificações perigosas. Nas redes, é comum ver a superdotação sendo romantizada, tratada como uma espécie de “dom” ou superpoder. Vídeos com listas de sinais “incompreendidos” que indicam superdotação, postagens dizendo “se você consegue fazer determinada coisa, talvez seja superdotado” e até cursos prometendo “descobrir seu potencial oculto” têm se multiplicado. Mas é preciso dizer com clareza: superdotação é diagnóstico clínico e educacional, não autodeclaração.
Assim como qualquer outra condição neuropsicológica, o diagnóstico de AH/SD demanda avaliação multiprofissional que envolve psicólogos, neuropsicólogos, pedagogos e em alguns casos, neurologistas e psiquiatras. Testes padronizados, observações comportamentais, entrevistas e análise do contexto escolar e familiar são partes indispensáveis desse processo. A pressa em rotular uma criança (ou a si mesmo) pode ser tão danosa quanto o silêncio sobre o tema.
E é aqui que mora o perigo: diagnósticos mal conduzidos geram expectativas e frustrações que podem marcar uma vida inteira. Crianças rotuladas como superdotadas sem realmente serem podem carregar um fardo pesado, a ideia de “ter que ser brilhante sempre” ou se exigir mais do que realmente pode entregar. Já as que realmente têm altas habilidades, mas não recebem o suporte adequado, acabam perdendo o engajamento, adoecendo emocionalmente e muitas vezes, desenvolvendo quadros de ansiedade, depressão ou baixa autoestima. Entre o excesso e a completa omissão, há sempre o prejuízo.
Na clínica, tenho percebido o quanto as redes sociais influenciam nesse fenômeno e na forma como as pessoas se percebem. É claro que elas ajudam a informar, mas também a distorcer. Quando conceitos complexos são traduzidos em linguagem “instagramável” corremos o risco de transformar sofrimento em engajamento e diagnósticos em tendências. E o que deveria promover acolhimento acaba gerando confusão, comparações e novas formas de exclusão.
O trabalho da psicologia é oferecer compreensão e ajudar as pessoas a viverem melhor dentro de suas condições. Diagnosticar não é nomear por moda, mas reconhecer com responsabilidade o que está acontecendo na mente e na vida de alguém. A superdotação, como qualquer outra condição humana, exige responsabilidade ao ser tocada.
Saúde/Coxim
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...
25 de julho de 2026
Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.
A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.
Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.
O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.
Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.
Saúde
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...
24 de julho de 2026
A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.
A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.
Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.
Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.
Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.
Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.
Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.
O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.
Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.
Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.
Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.