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Saúde Mental

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Entre o brilho e o equívoco: o que (quase) ninguém fala sobre a superdotação

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7 de novembro de 2025

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Renan Maia

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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi

De tempos em tempos, um novo “boom” psicológico ocupa as redes, os consultórios e até as conversas nas rodas de amigos. Já foi o TDAH, o Transtorno de Ansiedade, o TEA e agora, parece ser a vez da superdotação.

Tenho visto um número crescente de pessoas se identificando com o termo, pais buscando avaliações para os filhos e vídeos determinando que se você tem “tal” comportamento ou “X” característica, você é superdotado. Mas a pergunta é, será que é assim mesmo?

E, embora o tema seja legítimo e mereça visibilidade, o modo como ele vem sendo tratado levanta um alerta importante: a superdotação não é um rótulo de prestígio ou uma dádiva, mas um fenômeno complexo, que requer seriedade para ser compreendido.

O conceito de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) descreve pessoas com desempenho significativamente acima da média em uma ou mais áreas: intelectuais, artísticas, criativas ou psicomotoras. Em muitos casos aparece a chamada assincronia do desenvolvimento: a cabeça corre em velocidade adulta enquanto o afeto, o corpo e as habilidades sociais ainda estão em fases anteriores. É a criança que debate ética como gente grande e chora feito criança (porque é criança). Em adultos, isso se traduz em pensamento acelerado, hiperfoco, sensibilidade ampliada (sensorial e emocional), intolerância a tarefas do cotidiano...No entanto, esse brilho cognitivo costuma vir acompanhado de desafios emocionais, sociais e por vezes, psíquicos.

Muitos superdotados enfrentam hipersensibilidade (luz, sons, cores...), perfeccionismo, dificuldade de adaptação em grupos e uma sensação constante de deslocamento. É comum ouvirmos: “penso demais, não consigo parar”, “nada parece me satisfazer”, “me sinto cansado”. Ou seja, o potencial elevado não imuniza contra o sofrimento; às vezes, até o intensifica. Além disso, não é raro que casos de altas habilidades sejam acompanhados de outros diagnósticos, complexificando ainda mais o quadro e dificultando o diagnóstico. 

Com a ampliação do termo neurodivergência, que abarca condições como o TDAH, o TEA e a própria AH/SD, o debate ganhou força e também simplificações perigosas. Nas redes, é comum ver a superdotação sendo romantizada, tratada como uma espécie de “dom” ou superpoder. Vídeos com listas de sinais “incompreendidos” que indicam superdotação, postagens dizendo “se você consegue fazer determinada coisa, talvez seja superdotado” e até cursos prometendo “descobrir seu potencial oculto” têm se multiplicado. Mas é preciso dizer com clareza: superdotação é diagnóstico clínico e educacional, não autodeclaração.

Assim como qualquer outra condição neuropsicológica, o diagnóstico de AH/SD demanda avaliação multiprofissional que envolve psicólogos, neuropsicólogos, pedagogos e em alguns casos, neurologistas e psiquiatras. Testes padronizados, observações comportamentais, entrevistas e análise do contexto escolar e familiar são partes indispensáveis desse processo. A pressa em rotular uma criança (ou a si mesmo) pode ser tão danosa quanto o silêncio sobre o tema.

E é aqui que mora o perigo: diagnósticos mal conduzidos geram expectativas e frustrações que podem marcar uma vida inteira. Crianças rotuladas como superdotadas sem realmente serem podem carregar um fardo pesado, a ideia de “ter que ser brilhante sempre” ou se exigir mais do que realmente pode entregar. Já as que realmente têm altas habilidades, mas não recebem o suporte adequado, acabam perdendo o engajamento, adoecendo emocionalmente e muitas vezes, desenvolvendo quadros de ansiedade, depressão ou baixa autoestima. Entre o excesso e a completa omissão, há sempre o prejuízo.

Na clínica, tenho percebido o quanto as redes sociais influenciam nesse fenômeno e na forma como as pessoas se percebem. É claro que elas ajudam a informar, mas também a distorcer. Quando conceitos complexos são traduzidos em linguagem “instagramável” corremos o risco de transformar sofrimento em engajamento e diagnósticos em tendências. E o que deveria promover acolhimento acaba gerando confusão, comparações e novas formas de exclusão.

O trabalho da psicologia é oferecer compreensão e ajudar as pessoas a viverem melhor dentro de suas condições. Diagnosticar não é nomear por moda, mas reconhecer com responsabilidade o que está acontecendo na mente e na vida de alguém. A superdotação, como qualquer outra condição humana, exige responsabilidade ao ser tocada.

Saúde

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

3 de junho de 2026

Fibromialgia: a doença invisível que causa dores intensas e afeta milhões de brasileiros

 

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Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.

Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.

Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.

A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.

Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.

Entre os mais comuns estão:

Dor muscular persistente em várias partes do corpo

Fadiga intensa

Sensação de cansaço ao acordar

Distúrbios do sono

Dores de cabeça frequentes

Rigidez muscular

Formigamentos

Ansiedade e depressão

Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".

Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.

Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.

Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.

Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.

Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.

Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.

Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.

Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.

Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.

 

Saúde

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

Boletim da SES também aponta 83 casos confirmados da doença em gestantes e dois óbitos em investigação.

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

2 de junho de 2026

MS confirma 21 mortes por chikungunya em 2026; casos prováveis passam de 12,8 mil

 

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Mato Grosso do Sul já registrou 12.841 casos prováveis de chikungunya em 2026, dos quais 6.845 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os dados constam no boletim epidemiológico referente à 21ª semana epidemiológica, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na segunda-feira (1º).

Segundo o levantamento, 21 mortes causadas pela doença foram confirmadas em municípios do Estado. Outros dois óbitos seguem em investigação.

Óbitos foram registrados em sete municípios

De acordo com a SES, os óbitos confirmados ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do SulDouradinaGuia Lopes da Laguna e Itaporã.

Entre as vítimas, 12 possuíam algum tipo de comorbidade.

O boletim também registra 83 casos confirmados de chikungunya em gestantes.

Dengue soma mais de 5 mil casos prováveis

Em relação à dengue, Mato Grosso do Sul contabiliza 5.134 casos prováveis da doença em 2026. Deste total, 1.184 foram confirmados.

Até o momento, não há mortes confirmadas por dengue no Estado, embora dois óbitos permaneçam em investigação.

Nos últimos 14 dias, os municípios de Ladário, Brasilândia, Rio Verde de Mato Grosso, Jardim, Miranda e Corumbá registraram baixa incidência de casos confirmados da doença.

Mais de 223 mil doses contra dengue foram aplicadas

O boletim aponta ainda que 223.322 doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas no público-alvo em Mato Grosso do Sul.

Segundo a SES, o Ministério da Saúde encaminhou ao Estado 241.030 doses do imunizante.

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.

Vacinação é destinada a crianças e adolescentes

A vacina é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, essa é a faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.

A SES reforça que a população deve evitar a automedicação. Em caso de sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento médico.