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Saúde Mental

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Entre mutações e conexões: compreender o adolescente hoje

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18 de julho de 2025

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Renan Maia

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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi

Não é raro que adolescentes ou seus pais cheguem até o consultório com a sensação de estarem “perdidos”. E, para ser bem honesto, essa é uma das fases da vida onde se sentir perdido faz, paradoxalmente, todo o sentido.
A adolescência é um verdadeiro turbilhão: não é mais infância, ainda não é vida adulta. É corpo mudando, hormônio disparando, pensamentos novos surgindo, tudo ao mesmo tempo. Já acompanhei muitos adolescentes que, entre uma queixa e outra, revelavam o desejo profundo de “só entender o que está acontecendo comigo”.
Do ponto de vista biológico, esse é um momento de verdadeira revolução. O cérebro adolescente, em especial o córtex pré-frontal (responsável por funções como tomada de decisões, regulação emocional e pensamento crítico) ainda está em desenvolvimento. É por isso que, muitas vezes, as reações adolescentes soam impulsivas ou “desproporcionais”. Ao mesmo tempo, o sistema límbico (associado à busca por prazer, risco e emoções) está em pleno vapor. Esse descompasso entre emoção e razão não é um defeito, mas uma característica do desenvolvimento.


Além das mudanças hormonais e neurológicas, o adolescente está se construindo socialmente. Busca pertencimento (o que às vezes o expõe a riscos), precisa testar identidades (e pode mudar muitas vezes para isso), questiona referências antigas e procura novos modelos. É aí que entram as influências externas: amizades, redes sociais, padrões estéticos, ideologias, e, claro, os inevitáveis conflitos com figuras parentais.
A era digital adicionou um novo tempero ou talvez um novo campo de batalha. Nunca antes os jovens estiveram tão conectados, tão expostos e tão vulneráveis à comparação constante. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, o tempo excessivo em telas, especialmente em redes sociais, está associado a sintomas de ansiedade, depressão e distorções de autoimagem. A comparação com padrões inalcançáveis e a busca incessante por validação digital podem gerar crises de autoestima, sensação de inadequação e até comportamentos de autolesão.


Mas não é só o excesso de estímulo externo que marca a adolescência atual. Existe também um descompasso geracional. Muitos pais ainda veem o adolescente de hoje com os olhos de sua própria juventude — esquecendo que o cenário mudou profundamente. A informação é mais acessível, os discursos são mais plurais, mas também há mais comparação, mais competitividade e menos espaço para a frustração (adultos ou adolescentes, queremos tudo para já).
Diante desse contexto, cuidar dos adolescentes de forma saudável começa com diálogo e validação emocional. Escutar sem julgar, acolher sem banalizar. Segundo o psicólogo Daniel J. Siegel, especialista em neurociência do desenvolvimento, quando os adultos compreendem o funcionamento do cérebro adolescente, são mais capazes de responder com empatia em vez de reatividade.


É fundamental também criar ambientes seguros, com limites claros, mas sem autoritarismo. E aqui muitos se perdem, entre a permissividade e o autoritarismo há muita diferença: estabelecer limites claros não quer dizer que eles não possam ser dialogados e estabelecidos junto, ouvindo e expondo as necessidades. Aliás, isso possibilita uma maior adesão do adolescente devido o reconhecimento de sua participação no processo.
O adolescente precisa sentir que pode errar e que será orientado, mesmo que não consiga aplicar com perfeição: trata-se de um processo de modelagem e não de “xerox” (e se você sabe o que esta palavra significa o recado é para você mesmo, que provavelmente já é pai ou mãe de adolescente). Ao mesmo tempo, precisa de modelos coerentes, pois boa parte do processo de aprendizagem se faz por imitação dos modelos parentais (mesmo que não pareça as crianças e adolescentes estão sempre atentos a imitar o comportamento dos adultos a sua volta). A questão muitas vezes é se os pais reconhecem isso e se estão prontos para desempenhar exemplos como: cuidar da própria saúde mental, se mostrar vulneráveis quando necessário e não exigir perfeição onde nem eles conseguem alcançá-la.

Aos adolescentes, o recado é simples, mas poderoso: é normal não saber quem você é aos 14, 15 ou 16 anos. A adolescência é território de dúvidas, mas também de descobertas, sem pressa para formar certezas imutáveis e como diria Raul Seixas (que se você conhece certamente não é mais adolescente) “ser essa metamorfose ambulante”. É tempo experimentar ideias e desenvolver autonomia com responsabilidade. A saúde mental se fortalece quando se tem segurança para partilhar os bons e maus momentos com direcionamento, mas sem opressão.
A adolescência de hoje é atravessada por novos códigos, novas gírias, novos ídolos... mas os dilemas mais profundos ainda são antigos: quem sou eu, quem me ama, o que posso ser no mundo? A diferença é que agora essas perguntas são feitas diante de milhares de olhares — ainda que virtuais. Mais do que nunca, é preciso sustentar o adolescente, com braços que segurem, impulsionem e abrace.

5 Dicas Práticas para Cuidar da Saúde Mental na Adolescência

1. Crie rotinas e rituais de conexão familiar
Mesmo que o adolescente pareça mais “distante”, a convivência estruturada continua essencial. Estudos mostram que rotinas familiares são fatores protetivos contra ansiedade e depressão: Jantares juntos, fazer uma caminhada (conversando ou em silêncio) ou um filme em família. Isso cria conexão e facilita o diálogo espontâneo.

2. Evite discursos autoritários e julgamentos precipitados
Frases como “isso é coisa da sua cabeça” ou “você não tem motivo pra estar assim” invalidam o sofrimento e geralmente provocam ainda mais isolamento. Deixe falar, se não fizer sentido a principio estimule para que dê mais exemplos, por fim, de opções do que ele pode fazer, ao invés de impor uma única forma correta.

3. Monitore o uso de telas com diálogo, não com punição
O excesso de redes sociais e games podem afetar o sono, a autoestima e o rendimento escolar. Explique os riscos, proponha acordos de horários e incentive atividades fora das telas, como esportes, arte ou leitura. Não basta retirar somente, é preciso mostrar que há substitutos tão bons ou melhores.

4. Fique atento a mudanças bruscas de comportamento
Isolamento excessivo, irritabilidade contínua, queda no desempenho escolar, alterações de apetite ou sono podem ser sinais de alerta. Procure apoio psicológico profissional quando perceber que algo está fora do comum e quanto antes, melhor o prognóstico.

5. Fortaleça a autonomia com responsabilidade
Permita que o adolescente tome pequenas decisões sobre sua rotina, gostos e relações. Mas ensine também sobre consequências, empatia e autocuidado. A autonomia saudável é construída com liberdade orientada, um equilíbrio entre confiança e limites.

Saúde/Coxim

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A...

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

25 de julho de 2026

Moradores de Coxim ainda podem aproveitar ação gratuita de testagem para hepatites neste sábado

 

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Quem passar pela região da praça da Concha em Coxim na manhã deste sábado (25) terá a oportunidade de cuidar da saúde de forma rápida e gratuita. A equipe do Serviço de Assistência Especializada (SAE) promove uma ação especial da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais.

A mobilização acontece até as 11h, na Praça João Ferreira de Albuquerque (antiga Concha Acústica), em sistema drive-thru, facilitando o acesso da população aos serviços oferecidos.

Durante a ação, os moradores podem realizar gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C. Além dos exames, profissionais da saúde estão orientando a população sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.

O atendimento é realizado de forma rápida e sigilosa, permitindo que motoristas e pedestres participem da campanha sem necessidade de agendamento.

As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitas pessoas convivam com a doença sem apresentar sintomas por longos períodos. Por isso, os profissionais de saúde reforçam que a realização dos testes é uma das principais estratégias para identificar a infecção ainda nas fases iniciais.

Quando descoberta precocemente, a doença pode ser acompanhada e tratada, reduzindo significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.

A ação integra a programação do Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais em todo o país. Além da testagem, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.

A Secretaria Municipal de Saúde convida os moradores que ainda não realizaram o exame a aproveitarem a iniciativa neste sábado. A participação é gratuita e representa uma oportunidade de cuidar da saúde e contribuir para o diagnóstico precoce da doença.

Saúde

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a...

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

24 de julho de 2026

Vacina contra HPV reduz pela metade circulação do vírus entre jovens

 

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A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) já apresenta resultados concretos na saúde pública brasileira. Um estudo nacional identificou que a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens caiu quase pela metade após a introdução da vacina no calendário de imunização, reforçando o papel da prevenção no combate a doenças graves, como o câncer do colo do útero.

A pesquisa, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, avaliou milhares de brasileiros entre 16 e 25 anos e constatou que a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina diminuiu de 14,98% para 7,95% ao longo dos anos.

Os pesquisadores compararam dados coletados em duas etapas distintas. Na primeira, participaram mais de 6 mil jovens que ainda não haviam sido vacinados. Já na segunda fase, o levantamento analisou mais de 10 mil participantes, incluindo pessoas imunizadas e não imunizadas.

Os resultados mostraram uma redução significativa da infecção pelos tipos de HPV prevenidos pela vacina, especialmente entre aqueles que receberam o imunizante.

Entre as mulheres vacinadas, a presença do vírus caiu para pouco mais de 3%, um percentual muito inferior ao registrado antes da vacinação. Nos homens imunizados, também foi observada uma queda importante na circulação do HPV.

Outro dado considerado relevante pelos pesquisadores foi a redução da circulação do vírus até mesmo entre mulheres que não haviam sido vacinadas. Esse fenômeno é conhecido como imunidade coletiva ou imunidade de rebanho e acontece quando uma parcela significativa da população está protegida, dificultando a transmissão do vírus.

Na prática, quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o HPV circular entre as pessoas, protegendo inclusive quem ainda não foi imunizado.

O levantamento também reforçou a decisão do Sistema Único de Saúde (SUS) de adotar o esquema de dose única para a vacina contra o HPV.

Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças relevantes na proteção entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses, indicando que uma única aplicação já oferece elevada eficácia contra os principais tipos do vírus.

A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e, três anos depois, passou a incluir também os meninos. Em 2024, o esquema vacinal foi oficialmente simplificado para apenas uma dose.

Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam que a adesão à vacinação ainda está abaixo da meta considerada ideal.

Atualmente, pouco mais de seis em cada dez meninas receberam a vacina, enquanto entre os meninos a cobertura permanece ainda menor. O objetivo das autoridades de saúde é alcançar cerca de 90% do público-alvo, percentual considerado essencial para ampliar a proteção coletiva.

O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas algumas infecções persistentes podem evoluir para doenças graves.

Além de ser o principal responsável pelo câncer do colo do útero, o HPV também está associado a tumores que atingem a região anal, pênis, vulva, vagina e orofaringe.

A vacina disponibilizada gratuitamente pelo SUS protege contra os tipos mais perigosos do vírus, reduzindo significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças e representando uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública.