quinta, 04 de junho, 2026
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Psicólogo Clínico | CRP 14/07127-2 | @renanmaia.psi
Não é raro que adolescentes ou seus pais cheguem até o consultório com a sensação de estarem “perdidos”. E, para ser bem honesto, essa é uma das fases da vida onde se sentir perdido faz, paradoxalmente, todo o sentido.
A adolescência é um verdadeiro turbilhão: não é mais infância, ainda não é vida adulta. É corpo mudando, hormônio disparando, pensamentos novos surgindo, tudo ao mesmo tempo. Já acompanhei muitos adolescentes que, entre uma queixa e outra, revelavam o desejo profundo de “só entender o que está acontecendo comigo”.
Do ponto de vista biológico, esse é um momento de verdadeira revolução. O cérebro adolescente, em especial o córtex pré-frontal (responsável por funções como tomada de decisões, regulação emocional e pensamento crítico) ainda está em desenvolvimento. É por isso que, muitas vezes, as reações adolescentes soam impulsivas ou “desproporcionais”. Ao mesmo tempo, o sistema límbico (associado à busca por prazer, risco e emoções) está em pleno vapor. Esse descompasso entre emoção e razão não é um defeito, mas uma característica do desenvolvimento.
Além das mudanças hormonais e neurológicas, o adolescente está se construindo socialmente. Busca pertencimento (o que às vezes o expõe a riscos), precisa testar identidades (e pode mudar muitas vezes para isso), questiona referências antigas e procura novos modelos. É aí que entram as influências externas: amizades, redes sociais, padrões estéticos, ideologias, e, claro, os inevitáveis conflitos com figuras parentais.
A era digital adicionou um novo tempero ou talvez um novo campo de batalha. Nunca antes os jovens estiveram tão conectados, tão expostos e tão vulneráveis à comparação constante. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, o tempo excessivo em telas, especialmente em redes sociais, está associado a sintomas de ansiedade, depressão e distorções de autoimagem. A comparação com padrões inalcançáveis e a busca incessante por validação digital podem gerar crises de autoestima, sensação de inadequação e até comportamentos de autolesão.
Mas não é só o excesso de estímulo externo que marca a adolescência atual. Existe também um descompasso geracional. Muitos pais ainda veem o adolescente de hoje com os olhos de sua própria juventude — esquecendo que o cenário mudou profundamente. A informação é mais acessível, os discursos são mais plurais, mas também há mais comparação, mais competitividade e menos espaço para a frustração (adultos ou adolescentes, queremos tudo para já).
Diante desse contexto, cuidar dos adolescentes de forma saudável começa com diálogo e validação emocional. Escutar sem julgar, acolher sem banalizar. Segundo o psicólogo Daniel J. Siegel, especialista em neurociência do desenvolvimento, quando os adultos compreendem o funcionamento do cérebro adolescente, são mais capazes de responder com empatia em vez de reatividade.
É fundamental também criar ambientes seguros, com limites claros, mas sem autoritarismo. E aqui muitos se perdem, entre a permissividade e o autoritarismo há muita diferença: estabelecer limites claros não quer dizer que eles não possam ser dialogados e estabelecidos junto, ouvindo e expondo as necessidades. Aliás, isso possibilita uma maior adesão do adolescente devido o reconhecimento de sua participação no processo.
O adolescente precisa sentir que pode errar e que será orientado, mesmo que não consiga aplicar com perfeição: trata-se de um processo de modelagem e não de “xerox” (e se você sabe o que esta palavra significa o recado é para você mesmo, que provavelmente já é pai ou mãe de adolescente). Ao mesmo tempo, precisa de modelos coerentes, pois boa parte do processo de aprendizagem se faz por imitação dos modelos parentais (mesmo que não pareça as crianças e adolescentes estão sempre atentos a imitar o comportamento dos adultos a sua volta). A questão muitas vezes é se os pais reconhecem isso e se estão prontos para desempenhar exemplos como: cuidar da própria saúde mental, se mostrar vulneráveis quando necessário e não exigir perfeição onde nem eles conseguem alcançá-la.
Aos adolescentes, o recado é simples, mas poderoso: é normal não saber quem você é aos 14, 15 ou 16 anos. A adolescência é território de dúvidas, mas também de descobertas, sem pressa para formar certezas imutáveis e como diria Raul Seixas (que se você conhece certamente não é mais adolescente) “ser essa metamorfose ambulante”. É tempo experimentar ideias e desenvolver autonomia com responsabilidade. A saúde mental se fortalece quando se tem segurança para partilhar os bons e maus momentos com direcionamento, mas sem opressão.
A adolescência de hoje é atravessada por novos códigos, novas gírias, novos ídolos... mas os dilemas mais profundos ainda são antigos: quem sou eu, quem me ama, o que posso ser no mundo? A diferença é que agora essas perguntas são feitas diante de milhares de olhares — ainda que virtuais. Mais do que nunca, é preciso sustentar o adolescente, com braços que segurem, impulsionem e abrace.
5 Dicas Práticas para Cuidar da Saúde Mental na Adolescência
1. Crie rotinas e rituais de conexão familiar
Mesmo que o adolescente pareça mais “distante”, a convivência estruturada continua essencial. Estudos mostram que rotinas familiares são fatores protetivos contra ansiedade e depressão: Jantares juntos, fazer uma caminhada (conversando ou em silêncio) ou um filme em família. Isso cria conexão e facilita o diálogo espontâneo.
2. Evite discursos autoritários e julgamentos precipitados
Frases como “isso é coisa da sua cabeça” ou “você não tem motivo pra estar assim” invalidam o sofrimento e geralmente provocam ainda mais isolamento. Deixe falar, se não fizer sentido a principio estimule para que dê mais exemplos, por fim, de opções do que ele pode fazer, ao invés de impor uma única forma correta.
3. Monitore o uso de telas com diálogo, não com punição
O excesso de redes sociais e games podem afetar o sono, a autoestima e o rendimento escolar. Explique os riscos, proponha acordos de horários e incentive atividades fora das telas, como esportes, arte ou leitura. Não basta retirar somente, é preciso mostrar que há substitutos tão bons ou melhores.
4. Fique atento a mudanças bruscas de comportamento
Isolamento excessivo, irritabilidade contínua, queda no desempenho escolar, alterações de apetite ou sono podem ser sinais de alerta. Procure apoio psicológico profissional quando perceber que algo está fora do comum e quanto antes, melhor o prognóstico.
5. Fortaleça a autonomia com responsabilidade
Permita que o adolescente tome pequenas decisões sobre sua rotina, gostos e relações. Mas ensine também sobre consequências, empatia e autocuidado. A autonomia saudável é construída com liberdade orientada, um equilíbrio entre confiança e limites.
Saúde
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste...
4 de junho de 2026
As crianças brasileiras contarão com uma proteção mais abrangente contra doenças causadas pela bactéria pneumococo. A partir deste mês, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) para o público infantil de até cinco anos de idade, reforçando a prevenção contra infecções que podem provocar complicações graves.
A nova vacina chega para ampliar a cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por enfermidades como pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otites. Essas doenças representam uma das principais causas de internações hospitalares na infância e podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte em casos mais severos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a principal vantagem do novo imunizante está na capacidade de proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria. A atualização da vacina busca acompanhar o perfil das cepas que mais circulam atualmente e que estão associadas aos casos mais graves da doença.
Além de reduzir o risco de infecções pulmonares e neurológicas, a vacina também auxilia na prevenção de quadros de otite média, uma inflamação frequente entre crianças pequenas que, quando não tratada adequadamente, pode comprometer a audição.
A incorporação da Pneumo 20 ao calendário vacinal faz parte da estratégia do governo federal para fortalecer a imunização infantil e diminuir a incidência de doenças evitáveis. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas para os estados, que serão responsáveis pelo repasse aos municípios.
A expectativa é que as aplicações sejam iniciadas nas unidades básicas de saúde ainda neste mês, conforme a chegada dos imunizantes em cada região. Pais e responsáveis devem ficar atentos aos comunicados das secretarias municipais de saúde para acompanhar o cronograma de vacinação.
Especialistas reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes de proteger as crianças contra doenças potencialmente graves, contribuindo também para a redução da circulação de agentes infecciosos na população.
Saúde
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a...
3 de junho de 2026
Dor constante, cansaço extremo, noites mal dormidas e dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia. Esses são alguns dos desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia, uma síndrome crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos.
Considerada uma doença de difícil diagnóstico, a fibromialgia não provoca deformidades ou alterações visíveis no corpo, mas seus impactos podem ser profundos, comprometendo a qualidade de vida, o desempenho profissional e até mesmo a saúde emocional dos pacientes.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares generalizadas e persistentes em diversas regiões do corpo. A condição está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que passa a interpretar estímulos de maneira diferente, aumentando a sensibilidade à dor.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida pela ciência, especialistas acreditam que fatores genéticos, emocionais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Situações de estresse intenso, traumas físicos ou psicológicos, infecções e alterações hormonais também são apontadas como possíveis desencadeadores.
A síndrome pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas é mais frequente entre mulheres adultas, principalmente na faixa dos 30 aos 60 anos.
Apesar de a dor generalizada ser o principal sinal da fibromialgia, a doença apresenta diversos outros sintomas que podem variar de intensidade entre os pacientes.
Entre os mais comuns estão:
Dor muscular persistente em várias partes do corpo
Fadiga intensa
Sensação de cansaço ao acordar
Distúrbios do sono
Dores de cabeça frequentes
Rigidez muscular
Formigamentos
Ansiedade e depressão
Problemas de memória e concentração, conhecidos como "névoa mental".
Em muitos casos, os pacientes relatam dificuldades para trabalhar, estudar ou manter uma rotina normal devido ao desconforto constante provocado pela síndrome.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos portadores de fibromialgia é o diagnóstico. Como a doença não aparece em exames laboratoriais ou de imagem, o reconhecimento depende principalmente da avaliação clínica realizada por médicos especialistas.
Muitas pessoas passam anos procurando respostas para suas dores até receberem o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento físico e emocional.
Embora a fibromialgia não tenha cura, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.
O acompanhamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos regulares, acompanhamento psicológico e mudanças nos hábitos de vida. A prática de atividades físicas supervisionadas é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir dores e melhorar o condicionamento físico.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e a compreensão da sociedade são fundamentais para que os pacientes consigam lidar com as limitações impostas pela doença.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito aos direitos previdenciários. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante aposentadoria automática pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, quando a doença provoca limitações severas e impede a pessoa de exercer suas atividades profissionais, o segurado pode ter acesso a benefícios previdenciários.
Nos casos em que a incapacidade é temporária, pode ser concedido o benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. Já quando a perícia médica conclui que a pessoa está permanentemente incapacitada para o trabalho e não pode ser reabilitada para outra função, pode ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente.
Recentemente, avanços na legislação brasileira também passaram a reconhecer a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em determinadas situações, desde que uma avaliação especializada comprove limitações significativas na vida do paciente.
Apesar de afetar milhões de pessoas, a fibromialgia ainda é considerada uma doença invisível. Como seus sintomas nem sempre são perceptíveis para quem está ao redor, muitos pacientes enfrentam incompreensão e preconceito.
Especialistas destacam que ampliar o conhecimento sobre a síndrome é essencial para promover diagnósticos mais rápidos, tratamentos adequados e maior acolhimento às pessoas que convivem diariamente com dores e limitações causadas pela doença.
Reconhecer a fibromialgia como um problema de saúde real é um passo importante para garantir qualidade de vida, acesso ao tratamento e respeito aos direitos dos pacientes.